Saturday, February 05, 2011

O Português de Timor Leste: Contribuições para o estudo de uma variedade emergente

No número deste ano da PAPIA: Revista Brasileira de Estudos Crioulos e Similares, que foi lançado recentemente, encontra-se o artigo de minha autoria intitulado O Português de Timor Leste: Contribuições para o estudo de uma variedade emergente. Este trabalho, como o título já informa, é um dos primeiros a versar sobre a variedade da língua portuguesa falada em Timor Leste, oferecendo um panorama sócio-histórico da língua portuguesa em Timor Leste, o estado atual de seu ensino no país e as principais características do português de Timor Leste nos diferentes níveis de análise linguísticos: o fonético-fonológico, o morfossintático e o léxico-semântico. O link para o artigo, na PAPIA 21 (1): 65-82, 2011, é https://www.academia.edu/1750302/O_Portugues_de_Timor_Leste_Contribuicoes_para_o_estudo_de_uma_variedade_emergente.

Segue o abstract:

Portuguese has been the official language of East Timor since 2002. With the Portuguese language transplanted to former colonies of Portugal, varieties of the language emerged in each one of the different colonies. The present paper aims to give a brief history of the Portuguese language in East Timor (2), and analyze the East Timorese variety of Portuguese on different linguistic levels: phonology (3), morphosyntax (4), lexicon and semantics (5) in order to show the existence of this variety and to aid its preservation.

Friday, January 07, 2011

Língua Portuguesa em Timor-Leste: Ensino e Cidadania


Este post é o primeiro deste novo ano de 2011. E como tal, venho com grande satisfação divulgar a dissertação de mestrado do colega linguista Nuno Almeida, que trabalhou como professor em Timor Leste cerca de quatro anos no Projeto de Reintrodução da Língua Portuguesa em Timor Leste, intitulada Língua Portuguesa em Timor-Leste: Ensino e Cidadania, defendida na Universidade de Lisboa no ano de 2008.

Segue o resumo da dissertação elaborado pelo próprio autor:

Nesse trabalho, começo por apresentar uma perspetiva histórica da presença da língua portuguesa no território de Timor e da sua ligação com a formação de uma identidade nacional, concluindo que a opção da LP como LO se deve à sua presença na génese de tal identidade, não esquecendo o espaço da Igreja neste processo. Depois, tento uma definição da situação sociolinguística da LP em TL à luz de conceitos da Didática das Línguas, enquadrando o contexto em que ocorre a aprendizagem de LP pelos timorenses, para que se possam tomar opções estratégicas mais conscientes. Também me refiro à forte ligação entre língua e cultura, chamando a atenção para alguns aspetos menos positivos da presença de um grande número de agentes estrangeiros na (re)introdução da LP em TL. Ainda apresento algumas pistas para ligar o ensino/aprendizagem de LP ao desenvolvimento de valores de cidadania, aproveitando o contexto de multilinguismo em que vive a maioria dos aprendentes timorenses. Para terminar, faço uma descrição reflexiva dos resultados da aplicação de um inquérito destinado a diagnosticar o papel da LP para o público não adulto.


Os links a seguir possibilitam o download desta dissertação:


Fica aqui, então, registrada a divulgação deste trabalho importante, assim como mais outro agradecimento ao empenho de Nuno Almeida em relação à "causa" da língua portuguesa em Timor Leste.

Saturday, December 18, 2010

A experiência de um aprendiz leste-timorense de português L2


É com grande prazer que venho neste post divulgar a dissertação de mestrado do Sr. Domingos dos Santos, que foi defendida recentemente na Faculdade de Educação da Universidade de Brasília (FE - UnB).

Domingos dos Santos é um cidadão leste-timorense nascido em Balibar, distrito de Aileu, que possui como L1 a língua Manbae, e em situações de multilinguismo e aprendizagem formal possui conhecimento de várias outras línguas, como: Tetun Prasa, bahasa indonesia, inglês e português.

Sua pesquisa se destaca por possuir uma abordagem pouco comum do fenômeno do bilinguismo/multilinguismo. O autor faz uma análise do processo de aprendizagem do português L2 (ou seria L3?) em ambiente de imersão, em Brasília, Brasil, seguindo a metodologia da pesquisa etnográfica de cunho autobiográfico, ou seja, o autor foi registrando em diários reflexivos suas impressões (etnografia) e o passo-a-passo do seu processo de aprendizagem da língua portuguesa no Brasil (biografia). Esse trabalho apresent cotribuições notáveis em diversas áreas do conhecimento: compreende-se muito sobre o processo de aprendizado de língua portuguesa pelo falante leste-timorense; há diversas reflexões que se pode extrair de tal pesquisa a respeito das atuais teorias sobre aquisição e aprendizagem, assim como o bilinguismo e multilinguismo.  

Sua dissertação intitulada A experiência de um aprendiz de português como segunda língua em ambiente de imersão está disponível para download no seguinte link: http://biblioteca.fe.unb.br/pdfs/2010-11-241403Domingos.pdf.

Segue o resumo para aqueles que tiverem interesse: 

A adoção da língua portuguesa como língua oficial por países falantes de outros idiomas tem se tornado, em muitos casos, um entrave para a competência comunicativa dos pretensos usuários da mesma. E, em se tratando do uso do português no contexto escolar por estudantes e professores desses países, a situação pode complicar-se ainda mais. Assim, este estudo tem o objetivo de analisar e descrever o processo de desenvolvimento da competência comunicativa de um aprendiz, em língua portuguesa como Segunda Língua (L2) em ambiente de imersão. Para tanto, trabalhou-se com um estudante estrangeiro beneficiado pelo Programa de Cooperação entre o Brasil e o Timor-Leste (CBTL), estudante esse que vem a ser o próprio pesquisador. Assim, o estudo ancorou-se nos pressupostos do paradigma da pesquisa qualitativa, mas especificamente, nos pressupostos da pesquisa etnográfica de cunho auto-biográfico. As informações foram construídas a partir de instrumentos como a observação/monitoração, de protocolos de leitura, de glossários, da produção textual e do diário reflexivo. Desse modo, pesquisas como esta podem contribuir para um redirecionamento do trabalho didático-pedagógico concernente a alunos, participantes desse tipo de programa, que frequentemente são encaminhados às Instituições de Ensino Superior, para participarem dos diversos programas de Graduação e de Pós-Graduação que são oferecidos pelo Brasil. A pesquisa evidenciou que o registro da reflexão por meio de diários reflexivos se mostrou um recurso extremamente válido para o aprendizado e a ampliação da competência comunicativa do pesquisado, pois lhe permitiu tomar consciência dos processos cognitivos envolvidos na ampliação de sua competência comunicativa. Além disso, ficou claro que a reflexão sistemática e pontual sobre os episódios interacionais, a partir da imersão, contribui para a ampliação da competência comunicativa, ampliação esta particularmente facilitada pela descrição desse processo, o que foi determinante para que o pesquisador/pesquisado lograsse êxito como aprendiz do português brasileiro. Verificou-se, ainda, que o conceito abstrato de imersão se materializa em um conjunto de circunstâncias de interação que são favorecedoras do processo de aquisição. Ou seja, a imersão deve ser vista, não como uma condição abstrata, mas como uma condição que se torna concreta em situações reais nas quais o aprendiz participa.

Deixo aqui, então, registrado a divulgação e minhas congratulações pelo belíssimo trabalho a esse grande pesquisador e amigo que é o Sr Domingos dos Santos.

Friday, December 17, 2010

Professores de Português em Timor Leste


É com imensa satisfação que venho neste post divulgar o blog Professores de Português em Timor Leste http://profesdeptemtl.blogspot.com/. O blog consiste em um espaço para todos professores de língua portuguesa que atuam, ou atuaram, em terras leste-timorenses para compartilhar experiências, artigos e outros materiais publicados, divulgar trabalhos, atividades e eventos, e muitas outras coisas que envolvem a difícil tarefa do professor de português em Timor Leste.

Recentemente, nosso blog East Timor Linguistics: State of the Art foi divulgado lá, a ligação é http://profesdeptemtl.blogspot.com/2010/12/o-ensino-de-lingua-portuguesa-em-timor.html, juntamente com o artigo O Ensino de Língua Portuguesa em Timor-Leste: Variedades e Dificuldades que está disponível para descarregar nessa mesma ligação. 

O conselho de edição do blog Professores de Português em Timor Leste, que aceita contribuições dos profissionais da área, é composto por Carlos Ferreira, Carlos Severino, Leonel Lopes, Miguel Lopes e Nuno Almeida. Segue a mensagem deste conselho de edição:

"Convidamos todos a contribuirem com qualquer tipo de textos, materiais didácticos, trabalhos de alunos ou outros (a enviar para profesdeptemtl@gmail.com). Tentaremos publicar o que recebermos tendo em mente a pertinência para o ensino da LP em TL, considerando que o propósito deste espaço é fomentar o debate construtivo e sério, bem como o enriquecimento do trabalho de cada um. Nesse sentido sensibilizamos os colaboradores para a necessidade de se identificarem".

Fica aqui registrado nossa divulgação e nossos agradecimentos pela iniciativa e pelo belo trabalho que está sendo desenvolvido por esses professores, deixo aqui também um agradecimento especial ao Nuno Almeida. 


 

Thursday, December 09, 2010

O ensino de língua portuguesa em Timor Leste: variedades e dificuldades


Um novo artigo de minha autoria, intitulado O ensino de língua portuguesa em Timor Leste: variedades e dificuldades, foi publicado recentemente na Revista Interdisciplinar da UFS, segue o link para o download do arquivo: https://www.academia.edu/1750301/O_ensino_de_Lingua_Portuguesa_em_Timor_Leste_variedades_e_dificuldades.

Este artigo é a continuação de minha pesquisa sobre o ensino de português em Timor Leste que se iniciou neste ano de 2010 e os resultados preliminares foram apresentados no IX CONSIPLE, conforme comentei em post anterior: http://easttimorlinguistics.blogspot.com/2010/10/o-conflito-entre-o-ensino-e-as.html.

O artigo baseia-se na experiência de ensino na UNTL (Universidade Nacional Timor Lorosa'e) que tive durante os anos de 2008 e 2009. Além da discussão sobre a sala de aula e o ensino de língua portuguesa, abordo temas problemáticos sobre a repercussão política e os impactos socioculturais da atuação das diversas instituições de auxílio internacional em Timor Leste. Ainda, analiso algumas questões sobre as variedades da língua portuguesa faladas pelo mundo, enfatizando a variedade do Português de Timor Leste (PTL).

Wednesday, November 17, 2010

Outros recursos on-line!

Novos recursos on-line estão disponíveis sobre as línguas de Timor Leste. O primeiro deles é um trabalho de Avram intitulado An Overview of Reduplication and Compounding in Tetun Dili disponível no seguinte endereço: http://www.lingv.ro/resources/scm_images/RRL-04-2008-Avram.pdf. Como o próprio título informa, o artigo analisa os processos da morfologia derivacional do Tetun Dili, são eles: composição e reduplicação.

O segundo na realidade é uma série de links que estão disponíveis no Language Documentation Training Center da University of Hawai'i, Manoa. Lá há alguns recursos, como lista de palavras e algumas informações gramaticais, sobre várias línguas de Timor Leste, entre elas: Tetun, Manbae, Waima'a, Kemak (Ema) e Makasae. Segue o link geral com o índice de todas as línguas estudadas pelos membros desse centro: http://www.ling.hawaii.edu/~uhdoc/languages.html.

Portanto, para aqueles que estiverem interessados há mais recursos disponíveis na internet, além daqueles já listados por mim na lateral deste blog, assim como no decorrer dos posts anteriores.
    

Wednesday, November 10, 2010

Seminários de Pesquisa

O Seminário de Pesquisa do PPGL (Programa de Pós-Graduação em Linguística) da UnB (Universidade de Brasília), que se realiza toda sexta-feira, contemplará nesta semana, dia 12/11/2010, dois seminários sobre as línguas de Timor Leste, a saber: Aspectos linguísticos do Tetun Prasa: língua oficial de Timor Leste, Davi Borges de Albuquerque, e Aspectos preliminares da fonética e fonologia do Makasae, de Jessé Silveira Fogaça.   

O seminário intitulado Aspectos linguísticos do Tetun Prasa: língua oficial de Timor Leste, de minha autoria, apresentará a situação sociolinguística atual do Tetun Prasa e algumas questões de natureza variacionista também. Posteriormente, serão contemplados os níveis de análise linguística dessa variedade: será feita uma descrição do léxico tetumófono; a variação presente na realização dos fonemas, assim como o status fonológico de alguns sons; em relação à morfologia, procurarei enfocar nos processos de morfologia derivacional e reduplicação, explicando os processos que levaram à obliteração do sistema de morfologia flexional; e a sintaxe concentrarei minha exposição para descrever a estrutura dos principais sintagmas do Tetun Prasa.

Já o seminário Aspectos preliminares da fonética e fonologia do Makasae, de Jessé Silveira Fogaça, analisará, conforme o próprio título resume, os conceitos básicos da fonética e da fonologia da língua Makasae. O autor descreverá a fonologia segmental do Makasae, expondo quais sons possuem o status de fonemas, e quais são aqueles que possuem o status de fones, estando em algum tipo de variação. Após expor sobre a fonologia segmental, apontando os fonemas consonantais e vocálicos do Makasae, o autor analisará a estrutura silábica do Makasae, que possui uma alta frequência do padrão universal CV, sendo raro a ocorrência dos demais padrões. Destes demais padrões, há ocorrência somente de V e CVC.
Dessa forma, fica aqui registrada a divulgação dos seminários, assim como a divulgação também dos resultados preliminares das pesquisas que vem sendo desenvolvidas sobre as línguas de Timor Leste. Qualquer comentário ou sugestões dos leitores que possam contribuir  para o melhor conhecimento linguístico é muito bem-vindo...

   

  

Sunday, October 24, 2010

As variedades da língua Tetun


No I Congresso Internacional de Dialetologia e Sociolinguística, que aconteceu de 17 a 21 de outubro de 2010, em São Luís, apresentei um trabalho apresentando evidências sociolinguísticas para a classificação das variedades da língua Tetun.

A comunicação intitulada A língua Tétum de Timor Leste e suas variedades é um trabalho introdutório que procura analisar a língua Tetun seguindo a teoria da Sociolinuística Variacionista. No nível fonológico, verifiquei a ocorrência da oclusiva glotal, do glide /w/, e a variação na realização da oclusiva velar /k/, da fricativa labiodental /f/ e das consoantes palatais de origem lusófona nas diferentes variedades da língua. No nível lexical, verifiquei a ocorrência dos empréstimos lusófonos na produção oral e escrita do falante leste-timorense.

Ainda, no nível sociolinguístico as influências encontradas foram o grau de escolaridade, a língua materna, a idade e o sexo do falante. Como conclusão, apresenta uma proposta de dividir a língua Tetun somente em duas variedades: o Tétum-Térik e o Tétum-Praça, enquanto as demais subdivisões estariam em um nível hierárquico inferior ao nível das variedades, que chamei de subvariedades, como o Tétum-Dili, Tétum-Belo, Tétum-Fehan, entre outros.

Em breve este trabalho será publicado, e assim eu escreverei outro post ao leitor avisando sobre a publicação.

    

Monday, October 11, 2010

Alguns Agradecimentos!


Neste post apenas registro alguns agradecimentos a certas pessoas que nos ajudaram durante a vida profissional, acadêmica e pessoal, assim como alguma contribuição ao nosso blog.

Primeiramente, agradeço as contribuições recentes de João Paulo Esperança, que além de possuir publicações importantes sobre linguística de Timor Leste, forneceu para o nosso blog importantes comentários aos posts. Uma linguista que contribui de maneira significativa também com seus estudos linguísticos e em comunicações pessoais comigos via e-mail é Catharina Williams-van Klinken.

Os vários colegas e alunos leste-timorenses, que me ensinaram pacientemente suas línguas, fornecendo traduções, tirando dúvidas etc. Entre eles, posso citar Domingos dos Santos e sua esposa Judite, Eugênia Neves, Manuel Ferreira, Nuno Gomes, e os vários alunos da UNTL, como: Santiago, Mário, Domingos, Natalino, Teresa, Terezinha.

Aos professores (qua atuaram em Timor Leste) e amigos João Cleto e Jessé Fogaça, que fornceram a mim várias ideias e bibliografias fundamentais de difícil acesso.

Finalmente, a família é deixada por último, mas é a mais especial. Fica aqui registrado o mais profundo agradecimento a minha mãe, Profa. Elizabete, e a minha noiva, Profa. Aurelie.

Um muito obrigado a todos esses mencionados aqui, que de alguma forma contribuíram para a contrução do conhecimento!

   

Saturday, October 09, 2010

O conflito entre o ensino e as variedades da língua portuguesa em um país em reconstrução: o caso de Timor Leste


Recentemente, discuti as dificuldades enfrentadas pelo professor de língua portuguesa em Timor Leste, assim como os métodos e o material didático utilizados em sala de aula. Ainda, mencionei também os conflitos entre as variedades do português existentes no ensino da língua.

Essa discussão foi apresentada em forma de comunicação no IX Congresso da Sociedade Internacional Português Língua Estrangeira (IX CONSIPLE) realizado de 6 a 8 de outubro na Universidade de Brasília (UnB).

A comunicação intitula-se O conflito entre o ensino e as variedades da língua portuguesa em um país emreconstrução: o caso de Timor Leste e o resumo está disponível no caderno de resumos no seguinte endereço: http://www.siple.org.br/images/2010/ix_congresso/Cadernoderesumosrevisado1.pdf

Por motivos de praticidade reproduzo também o resumo abaixo:

Resumo: "A língua portuguesa é a língua oficial de Timor Leste, juntamente com a língua Tétum, em sua variedade Tétum-Praça, desde a constituição de 2002. As dificuldades de ensino, porém, permanecem até hoje por diversos fatores, entre os principais podem ser citados: uma política linguística por parte da coroa portuguesa que limitava o ensino de língua portuguesa somente aos régulos tribais leste-timorenses e seus descendentes, que se estendeu desde o século XVI ao século XIX; uma invasão indonésia recente, de 1975 a 1999, que proibiu o uso da língua portuguesa; a presença portuguesa efetiva no território sempre ter sido irrisória, reduzida a apenas alguns cidadãos portugueses".

"Nesta comunicação serão analisados pontos distintos que envolvem o ensino de língua portuguesa em Timor Leste. Primeiramente será discutido o contexto histórico da língua portuguesa em Timor Leste. Em seguida, será analisada a situação linguística atual do ensino de português, procurando identificar algumas dificuldades do ensino e os fatores que as causam. Ainda, algumas considerações sobre o planejamento linguístico dos últimos anos do governo leste-timorense serão feitas, pois esse planejamento linguístico possibilitou o conflito existente sobre as variedades da língua portuguesa ensinadas, já que há professores de diversas nacionalidades ensinando português, entre essas nacionalidades destacam-se a atuação dos professores portugueses, brasileiros, lestetimorenses, e até de países não lusófonos, como Cuba".

Friday, October 08, 2010

Elementos para o estudo da ecolinguística de Timor Leste

Na mais nova edição da revista Domínios de Lingu@agem, v. 7, 2010, está publicado um artigo de minha autoria intitulado Elementos para o estudo da ecolinguística de Timor Leste. Este artigo é apenas o resultado preliminar e inicial das pesquisas ecolinguísticas que comecei a realizar sobre Timor Leste.

Ele faz uma introdução sobre o conceito de ecolinguística que me baseio, assim como os princípios de análise que utilizo dessa aboradagem. Em seguida, o artigo discorre sobre a população (P), o território (T) e as línguas (L) de Timor Leste. Esses elementos população (P), o território (T) e a língua (L) são considerados por Couto (2007) como a Ecologia Fundamental da Língua. Depois, analiso brevemente o que já foi publicado sobre ecologia das línguas de Timor Leste. A conlusão do artigo deixa em aberto o espaço necessário para estudos específicos vindouros que esgotem as subáreas distintas da ecolinguística e também as pesquisas futuras que serão feitas.


Referência:

Couto, H. Ecolingüística: estudo das relações entre língua e meio ambiente. Brasília: Thesaurus, 2007.


Friday, September 24, 2010

Evidências de contato linguístico em Galolen


Em um post anterior, intitulado Palavras inicias sobre o status do Galolen no século XIX
(http://easttimorlinguistics.blogspot.com/2010/04/palavras-iniciais-sobre-o-status-do.html),
comentei a respeito da língua Galolen, língua materna de origem Austronésica com seus falantes localizados principalmente no Distrito de Manatuto,  e uma mudança em seu status sociolinguístico que ocorreu durante o século XIX. A modificação desse status deu-se por vários fatores, entre eles: os portugueses serem expulsos da capital Lifau (atual Oecussi) em 1769, os freis dominicanos terem se estabelecidos em Manatuto e elaborarem vários estudos e traduções em língua Galolen. Para uma lista completa dessa documentação, ver Sá (1961).

Esses acontecimentos históricos foram notáveis, pois além da língua Tetun somente o Galolen sofreu algum tipo de ascensão sociolinguística no cenário colonial. Tal processo interessa aos estudos linguísticos por vários motivos.Um deles consiste nos estudos dos contatos linguísticos sofridos pelo povo falante de Galolen e as repercussões que esses contatos tiveram na língua.

Dalgado já no início do século XX (Dalgado 1936) já havia identificado na língua Galolen mais de 400 palavras de origem portuguesa, consultando a documentação do Pe. Manuel Maria Alves da Silva, elaboradas entre os anos de 1888 e 1905. Hull (2002) observara também que o povo do Distrito de Manatuto possui uma cultura voltada para o mar, fazendo com que esse povo sofresse contatos desde tempos anteriores a chegada dos portugueses. Tais evidências encontram-se presentes na maior parte do léxico da língua, que possui uma série de campos semânticos especializados em relação à pesca, navegação, comércio, alimentação etc. O mesmo foi constatado por mim em meu artigo introdutório sobre as línguas de Timor Leste (Albuquerque 2010), intitulado As línguas de Timor Leste: Perspectivas e Prospectivas, comentado no post anterior (http://easttimorlinguistics.blogspot.com/2010/09/as-linguas-de-timor-leste-perspectivas.html).     

Continuando minhas investigações sobre esses contatos, verifiquei evidências na documentação citada acima de Sá (1961) de que havia uma certa quantidade de indivíduos de origem indo-portuguesa, consequentemente falantes de alguma variedade do Crioulo Indo-Português, trabalhando em certas propriedades em Timor Leste cujos donos eram portugueses. Ainda, em Castro (1943) o autor elenca no decorrer de seu livro uma série exemplares da flora, da alimentação e de outros itens da cultura material trazidos de Goa para Timor Leste e esses conceitos foram incorporados ora pela língua Galolen, ora pela língua Tetun. Entre esses itens há: flores de sapato 'tipo de planta que se usa para extrair uma tinta preta', cabaia 'tipo de vestimenta longa usada pelos homens', enrotar (e suas variantes) 'consertar cadeiras e sofás; tipo de palmeira', bidos (em Goa guidos) 'dança dos cristãos', sarasa 'traje específico das mulheres', ghi 'manteiga da Índia'.

Dessa forma, pode-se concluir que houve um contato maior entre os falantes de Crioulo Indo-Português com o povo Galolen. As evidências lexicais apontadas acima ainda são iniciais e provisórias para se afirmar mais a respeito da natureza desse contato analisado brevemente aqui. Porém esses são passos iniciais que já estão sendo dados em direção a um melhor conhecimento da situação de contato de línguas em Timor Leste.  

P.S. Fiz uma correção no texto, conforme João Paulo Esperança sugeriu-nos. Tais sugestões encontram-se também nos comentários. Agradeço muito ao colega João Paulo pela contribuição!

Referências:

Albuquerque, D. B. 2010. As línguas de Timor Leste: Perspectivas e Prospectivas. Língua e Literatura 27: 313-335.

Castro, A. O. 1943. A ilha verde e vermelha de Timor. Lisboa: Agência Geral das Colônias.

Dalgado, S. 1936. Influence of Portuguese Vocables in Asiatic Languages. Barado: Baptiste Mission Press.

Hull, G. 2002. The Languages of East Timor. Some basic facts. Disponível em:

Thursday, September 23, 2010

As línguas de Timor Leste: Perspectivas e Prospectivas


Recentemente, publiquei um artigo na revista Língua e Literatura da USP. O artigo intitulado As línguas de Timor Leste: Perspectivas e Prospectivas oferece ao leitor um panorama atualizado das línguas de Timor Leste, elaborado com base em diversas visitas pelos distritos leste-timorenses durante o período de  agosto de 2008 até maio de 2009. O único artigo que tenho conhecimento que oferece um breve panorama sobre as línguas de Timor Leste é de autoria de Hull (2002).

O artigo oferece também oferece, além das informações linguísticas sobre algumas línguas, números de falantes e considerações sobre a ecologia das línguas, alertando a respeito das línguas em riscos de extinção e da necessidade da formação da linguística leste-timorense.  

Segue o Abstract:

The present paper intends to present to the Brazilian reader an introduction to East Timor linguistics studies. In that case, it will be briefly discussed East Timor spoken languages with its genetic classification (sec. 2), followed by some historical information (sec.3). Finally, I argue that only a few researches on East Timor languages have been elaborate, and there are a lot of studies that should be conducted on different linguistics areas.


O artigo pode ser lido e baixado (em uma versão pré-final) pelo meu perfil no Academia.eduhttps://www.academia.edu/2121388/As_linguas_de_Timor_Leste_perspectivas_e_prospectivas.

Referência:

Albuquerque, D. B. 2010. As línguas de Timor Leste: Perspectivas e Prospectivas. Língua e Literatura 27: 313-335.

Hull, G. 2002. The Languages of East Timor. Some basic facts. Disponível em:


Tuesday, August 10, 2010

Peculiaridades prosódicas do Português falado em Timor Leste

As línguas nativas faladas em Timor Leste não são as únicas espécies que ainda estão a ser estudadas, o português falado pelo cidadão leste-timorense vem revelando, segundo minha análise, diversas informações importantes para o estudo de contato, aquisição e variação da língua portuguesa pelo mundo.

No primeiro artigo que produzi sobre a variedade da língua portuguesa falada em Timor Leste, que chamo apenas de Português de Timor Leste, ou PTL, intitulado Peculiaridades prosódicas do Português falado em Timor Leste, discorro sobre algumas propriedades fonético-fonológicas únicas do PTL, o que já é evidência sufuciente para classificar as realizações linguísticas do falante leste-timorense como uma variedade própria e não erros ou problemas de aprendizagem, como vem a ser feito pela grande maioria de professores e/ou linguistas residentes no país.

Seguem abaixo o link para o download do artigo que foi publicado na ReVEL e o resumo do artigo:

Resumoo presente artigo tem o objetivo de apresentar evidências prosódicas para comprovar a existência de uma variedade da língua portuguesa falada em Timor Leste. Para tanto, o artigo apresentará também informações sócio-históricas do contato lingüístico sofrido pelo português na Ásia no decorrer do período da colonização. As chamadas “peculiaridades” são vistas aqui como traços particulares da gramática desta variedade do português.



Sunday, July 11, 2010

Sobre as consoantes palatais em Tetun Prasa


As consoantes palatais não fazem parte do inventário fonológico das línguas de origem austronésicas. Nas línguas de Timor Leste, elas são de origem lusófona e entraram somente através dos empréstimos lexicais para o Tetun Prasa, e, por sua vez, do Tetun Prasa para as demais línguas.

Em uma análise fonológica recente que fiz do Tetun, seguindo uma abordagem ecolinguística (Albuquerque, em preparação), verifiquei que essas consoantes palatais, a saber: ʃ, ʒ, nhlh (não consegui formatar as duas últimas fontes do IPA para o blog, por isto represento pela grafia), não são produtivas na língua, não aparecendo em nenhuma palavra nativa, assim como não são realizadas pelo falante leste-timorense.

Os fones palatais, como classifico-os, ʃ, ʒ, nh e lh são realizados /s/, /z/, /n/ e /l/ respectivamente. Dessa forma, limitam-se ao léxico lusófono emprestado e relativo a conceitos culturais e modernos exteriores à cultura tetumófona, como em vocábulos:

xá, xapeu, xave;
janela, justisa, jornál;
bañu, señór, viziñu;
evanjellu, jullu, relijiaun.

Logo, não há evidências linguísticas suficientes para classificá-los como fonemas que fazem parte do inventário fonológico da língua Tetun, em sua variedade Tetun Prasa, ou Tetun Dili, como vem sendo feito na recente tradição gramatical do Tetun Prasa: Hull (2002), Hull e Eccles (2001) e Williams-van Klinken, Hajek e Nordlinger (2002).

Referências: 
 
ALBUQUERQUE, D. B. (em preparação). Ecofonologia da língua Tetun: um caso de contato e adaptação.   
 
HULL, G. 2002. Dili Tetum. Sydney/Dili: Sebastião Aparício da Silva Project/Instituto Nacional de Linguística/Universidade Nacional de Timor Lorosa’e.
 
HULL, G.; ECCLES, L. 2001. Tetum Reference Grammar. Sydney/Dili: Sebastião Aparício da Silva Project/Instituto Nacional de Linguística/Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, 2001. (Tradução para o português: Gramática da Língua Tétum. Lisboa: LIDEL, 2004).
 
WILLIAMS-VAN KLINKEN, C., HAJEK, J. e NORDLINGER, R. Tetun Dili: A grammar of an East Timorese language. Canberra: Pacific Linguistics, 2002.