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Tuesday, April 23, 2024

A língua Portuguesa falada em Timor-Leste: Um estudo ecolinguístico (Graz, PCL Press, 2024)

Acabou de ser lançado pela PCL Press o livro: A língua Portuguesa falada em Timor-Leste: Um estudo ecolinguístico, que foi baseado em minha tese de doutorado na Universidade de Brasília (UnB).

O livro pode ser acessado, baixado e lido em:  https://pcl-press.org/publications/a-lingua-portuguesa-falada-em-timor-leste-um-estudo-ecolinguistico/

Segue o abstract:

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Based on my doctoral thesis at the University of Brasília (UnB), the book A língua Portuguesa falada em Timor-Leste: Um estudo ecolinguístico was recently issued by PCL Press.

Visit this link to access, download, and read the book: https://pcl-press.org/publications/a-lingua-portuguesa-falada-em-timor-leste-um-estudo-ecolinguistico/

Here is the abstract:

Portuguese is the official language of the Democratic Republic of East Timor, alongside Tetun Prasa (an Austronesian language and local lingua franca). In this work, I carry out a study of the Portuguese spoken in East Timor in order to verify whether it is possible to recognize a variety of Portuguese in formation. Other objectives include its documentation and description of its most notable linguistic aspects, as well as to develop actions to value it inside and outside East Timorese society in latter moments of the investigation. In order to achieve the objectives, I use Ecolinguistic theory and its different methods of analysis, which cover linguistic and extralinguistic topics, so that it is possible to describe accurately the Portuguese language in Timor, approaching several aspects of the researched object. It is emphasized here that a position of preserving the (possible) variety of the Portuguese language spoken in East Timor is also an ecological stance since it is aiming to maintain the linguistic diversity of the Portuguese language in the world.



Wednesday, February 10, 2021

Estudos de fonologia prosódica das línguas de Timor-Leste

Este é outro projeto que teve seu início de maneira um tanto informal, com outro colega, o Prof. Marco Barone, que se dedica à prosódia e se interessou em pesquisar a prosódia do português falado pelos leste-timorenses, bem como pela prosódia das línguas de Timor-Leste.

Como seu início se deu apenas a partir do diálogo e da dedicação nossa, minha e do prof. Barone, ainda estamos a organizar quais serão os próximos passos duma empreitada de tamanha magnitude e que até o momento não teve suporte ou apoio algum. Sabemos apenas que na primeira etapa nos dedicaremos à prosódia do português de Timor-Leste e do Tétum-Praça.

Assim, o primeiro resultado consiste no artigo já publicado Prosódia do português de Timor-Leste comparada com as demais variedades: um estudo introdutório, na revista Philologus, v. 26, 2020, sendo que o artigo pode ser lido e acessado aqui, bem como algumas comunicações em congressos as quais postarei a respeito em publicações futuras neste blog. 

Seguem o resumo e o abstract:

O português em Timor-Leste (PTL) é língua oficial do país, ao lado do Tétum-Praça (TP), língua franca nacional. O PTL é considerado uma variedade não dominante e ainda em construção, por isso apresenta certa instabilidade e aparente influência do contato com as demais línguas locais. O presente trabalho realiza um estudo prosódico introdutório do PTL e aponta algumas semelhanças e diferenças com as variedades do Português Europeu e do Brasil. Utilizamos a metodologia do Discourse Completion Task, com a readaptação de questionários anteriores utilizados em português e a produção de outro em Tétum-Praça. Serão analisados os dados dos contornos entoacionais de diferentes modalidades e tipos pragmáticos de sentença. Uma investigação inicial sobre as declarativas de foco amplo e as perguntas polares e parciais informativas aponta em direção à hipótese de certa transferência prosódica do substrato Tétum para o PTL. 

Palavras-chave: Prosódia. Padrão entoacional. Português de Timor-Leste. 

ABSTRACT: 
East Timor Portuguese (ETP, PTL in the Portuguese version) is the country’s official language, together with Tetun Prasa (TP), the national lingua franca. ETP is regarded as a non-dominant variety, still undergoing a process of construction; therefore it appears as rather unstable and somewhat influenced by the contact with other local languages. The present study carries out an introductory prosodic survey on ETP and points out its similarities and differences with the European and Brazilian varieties. We use the Discourse Completion Task methodology, with a readaptation of previous Portuguese questionnaires and the preparation of a new one in Tetun Prasa. Data on the intonation contours of several modalities and pragmatic sentence types will be analyzed. A first examination of broad focus statements and informationseeking yes/no and wh-questions contours suggests that prosodic transfer from the Tetun substratum onto ETP has occurred to some extent. 

Keywords: Prosody. Intonational Pattern. East Timor Portuguese.

Monday, September 08, 2014

Abordagem ecolinguística do português falado em TL

Defendi minha tese de doutorado neste ano, em 2014, no Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) da Universidade de Brasília (UnB), e ela foi devidamente aprovada e recomendada para ser publicada em formato de livro, o que já está em andamento.

A tese se chama A língua portuguesa em Timor-Leste: uma abordagem ecolinguística e analisou, conforme o próprio título, o português falado em Timor-Leste de acordo com a teoria ecolinguística. Na tese, são abordados temas da história da língua, da sociolinguística, etnografia da comunicação, descrição do português falado em Timor-Leste, aquisição de língua, bi- e multilinguismo e contato de línguas em Timor-Leste.

Seguem o resumo e as palavras-chave:

A língua portuguesa é a língua oficial da República Democrática de Timor-Leste, juntamente com a língua Tetun, desde sua constituição de 2002. Porém, a influência lusófona na ilha de Timor data do ano de 1515, período em que os colonizadores portugueses chegaram pela primeira vez na ilha. Atualmente, sendo falada por cerca de 5% da população, aproximadamente 50.000 pessoas, a língua portuguesa é ensinada em todos os níveis da educação formal leste-timorense, mas se encontra ameaçada por questões de natureza política, econômica e ideológica. A presente tese pretende realizar um estudo da variedade do português falado em Timor-Leste (doravante PTL) para poder preservá-la, valorizá-la e descrever seus aspectos linguísticos mais notórios. Para tanto, será feito uso da teoria ecolinguística e seus diferentes métodos de análise, que contemplam diversas subáreas linguísticas e extralinguísticas, para que seja possível descrever o fenômeno da presença da língua portuguesa em Timor de maneira mais acurada, contemplando diferentes aspectos do objeto pesquisado. Lembrando que o fato de preservar a variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste trata-se também de uma postura ecológica, visando a manutenção da diversidade linguística do português no mundo. Assim, após a introdução, será feita uma revisão bibliográfica crítica da ecolinguística, no capítulo 1. Os estudos sobre a língua portuguesa em Timor-Leste serão discutidos no capítulo 2. No capítulo 3, serão discutidos aspectos da metodologia ecolinguística. No capítulo 4, será descrito o ecossistema linguístico local de Timor-Leste antes e depois do impacto da colonização europeia, seguido pela análise de quais impactos foram esses. Após este capítulo, será feita a descrição do PTL, no capítulo 5. No capítulo seguinte, o capítulo 6, será analisada a ecologia da aquisição linguística e sua relação com o contexto em que ocorre a aquisição do português em Timor-Leste. O contato de línguas é um fator importante para se entender a situação linguística atual de Timor-Leste, assim no capítulo 7 será estudada a ecologia do contato de línguas no país. Após este capítulo serão feitas as considerações finais da presente tese, enfatizando os resultados encontrados, principalmente o fato da existência de uma variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste, chamada de PTL, e da ecologia da língua portuguesa no ecossistema desse país.

Palavras-chave: Língua portuguesa; ecolinguística; Timor-Leste.

Wednesday, April 23, 2014

Manuscritos do século XVIII sobre o português em Timor

Acabou de sair o mais novo artigo de minha autoria, intitulado Manuscritos do século XVIII sobre o português em Timor. O artigo foi publicado na Revista de Filologia e Linguística Portuguesa, da Universidade de São Paulo (USP), no volume 15, número 2, do ano de 2013. 

Esta publicação dá continuidade a minha pesquisa sobre a língua portuguesa em Timor-Leste. Neste artigo, procuro traçar as possíveis origens da variedade da língua portuguesa falada em Timor, investigando documentos, datados do século XVIII, escritos em português pelos timorenses. Assim, este trabalho acaba por relacionar diferentes áreas, abordando temas da história, da filologia, do contato de línguas, da crioulística e da dialetologia.      

O artigo pode ser baixado aqui e aqui, e o resumo pode ser lido abaixo:

O presente artigo tem como objetivo analisar traços históricos e linguísticos em documentos de origem holandesa, que datam do início do século XVIII, existentes sobre a língua portuguesa na ilha de Timor. Estes documentos estão localizados no Arsip Nasional (ANRI) ‘Arquivo Nacional’ em Jakarta, Indonésia, e no Koninklijk Instituut voor Taal-, Land- en Volkenkunde (KITLV) ‘Instituto Real Holandês de Estudos do Sudeste Asiático e Caribe’ em Leiden, Holanda. Os documentos holandeses não foram escolhidos de maneira aleatória, a justificativa para a escolha está baseada na escassez de análises existentes sobre essas fontes históricas, quando comparadas à documentação portuguesa, que vem sendo extensamente estudada desde o século XIX por historiadores portugueses e, em menor extensão, por filólogos também de origem portuguesa. Os documentos localizados no arquivo indonésio, que serão o objeto da análise, datam da primeira metade do século XVIII, período no qual ocorreu grande migração lusófona para a ilha de Timor. Já os documentos localizados na Holanda datam do início do século XVIII e serão usados somente para reiterar a análise efetuada, como evidências adicionais. Assim, em (2), serão apontadas as principais características descritas para a variedade da língua portuguesa falada atualmente em Timor-Leste, conhecida como Português de Timor-Leste (PTL), e, em (3), o corpus textual já mencionado será analisado, buscando informações históricas e evidências linguísticas que possam contribuir para um melhor entendimento da origem, formação e desenvolvimento do que hoje veio a ser tornar a variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste. Finalmente, em (4), estão as considerações finais a respeito da análise efetuada.


Sunday, February 23, 2014

Fonética e fonologia do Manbae

Em março de 2013, Helem Andressa de Oliveira Fogaça defendeu sua dissertação de mestrado no PPGL - UnB (Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília) intitulada Estudo fonético e fonológico do Mambae de Same. Uma língua de Timor-Leste, que pode ser lida e descarregada no seguinte link: http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/12959/1/2013_HelemAndressaOliveiraFogaca.pdf.

Seguem o resumo e o abstract:

ResumoA presente pesquisa é um estudo descritivo da fonética e fonologia da língua Mambae - uma das 16 línguas de Timor-Leste, reconhecidas como patrimônio cultural daquela nação. Para este fim, coletou-se dados linguísticos do Mambae através de gravações realizadas com dois informantes timorenses, falantes de Mambae do sub-distrito de Same, distrito de Manufahi, litoral sul do país, que estavam no Brasil por um curto período. Realizou-se a transcrição fonética e, a partir desta, a análise fonológica dos dados da língua, por meio de contrastes dos sons identificados, a distribuição dos sons e fonemas, a formação das sílabas e palavras, bem como os processos fonológicos presentes na língua Mambae. 

AbstractThis research is a descriptive study of phonetics and phonology of the Mambae language, one of the 16 languages of East Timor, recognized as a cultural heritage of that nation. For this, data was collected from two Timorese language informants, speakers of Mambae from the Same sub-district, the Manufahi district, on the southern coast of the country, who were in Brazil for a short period. A phonetic transcription was done and, from this, the phonological analysis of the language data through contrasts of recognized sounds of Mambae language and of the distribution of alophones and phonemes; it identified the formation of syllables and words, as well as phonological processes in the Mambae language.

Esta dissertação destaca-se por diversos fatores: um dos únicos estudos linguísticos atuais dedicados à língua Manbae, a análise da fonologia da língua muito bem elaborada e a revisão bibliográfica feita pela autora. 

Devo acrescentar somente um ponto para estimular um possível debate acadêmico em relação ao acento em Manbae. Hull (2003) considera o acento em Manbae irregular, o que é errado, já que a autora, Helem Andressa de Oliveira Fogaça, considera corretamente o padrão de troqueu mórico, segundo a fonologia métrica, que basicamente consiste em um sistema de acentuação sensível ao peso silábico. Tal análise está em acordo com  a proposta que elaborei em Albuquerque (no prelo). O troqueu mórico como mostrei neste trabalho (Albuquerque, no prelo) é um padrão de acentuação comum em algumas línguas de Timor-Leste de origem austronésia, como o Manbae, o Galolen, entre outras. 

Ainda, sobre a variação fonética do Mambae, não contemplada na dissertação, o leitor poderá encontrar algumas informações preliminares em um trabalho de minha autoria (Albuquerque 2013), em que discorro sobre o contato de línguas e sua influência na língua Manbae.

Referências: 

ALBUQUERQUE, Davi B. Ecologia dos contatos linguísticos em Manbae, Timor-Leste. In: COUTO, Elza K. N.; ALBUQUERQUE, Davi B.; ARAUJO, Gilberto P. (orgs.). Da fonologia à ecolinguística. Ensaios em homenagem a Hildo Honório do Couto. Brasília: Thesaurus, 2013. p. 251-283. (Disponível para a leitura em: http://easttimorlinguistics.blogspot.com.br/2013/07/ecologia-dos-contatos-linguisticos-em.html)

_____. Restrições métricas da língua tetun no português falado em timor-leste: o acento e a variação. In: MAGALHÃES, José S. Linguística in Focus, Vol. 7. UFU: Uberlândia, no prelo. 

HULL, G. Southern Mambai. Díli: Instituto Nacional de Linguística, 2003. 
  

Thursday, September 06, 2012

Divulgação no IILP

No blogue do IILP (Instituto Internacional de Língua Portuguesa) saiu uma divulgação de meu trabalho e deste nosso blogue, no post intitulado Uma variedade timorense da língua portuguesa (http://iilp.wordpress.com/2012/07/31/uma-variedade-timorense-da-lingua-portuguesa/).

O post é curto mencionando somente o artigo de minha autoria Peculiaridades prosódicas do português falado em Timor Leste no qual apresento alguns traços da prosódia  do português de Timor-Leste (PTL) que são característicos desta variedade do português e já foi comentado em post anterior aqui (http://easttimorlinguistics.blogspot.com.br/2010/08/peculiaridades-prosodicas-do-portugues.html). 

Outra informação que é mencionada no post é a divulgação que outro blogue vem fazendo de meu trabalho, o blogue Língua Portuguesa em Timor-Leste, que no post  Para a definição da variedade do Português de Timor-Leste, que pode ser lido aqui: http://profesdeptemtl.blogspot.com.br/2012/07/para-definicao-da-variedade-do.html, ajuda na difusão da pesquisa que estou realizando sobre o PTL, apresentando tanto o artigo mencionado acima, quanto o artigo recente sobre a morfossintaxe do PTL, que pode ser lido e baixado no link: http://easttimorlinguistics.blogspot.com.br/2012/06/morfossintaxe-do-portugues-de-timor.html.

Agradeço aqui o apoio dos dois blogues, com uma lembrança em especial ao blogue Língua Portuguesa em Timor-Leste, e com votos de que o IILP possa continuar sua tarefa de apoiar a difusão da língua portuguesa pelo mundo. 


Friday, August 24, 2012

Traços de CPs Asiáticos no Português de Timor-Leste

No VII Encontro da ABECS em conjunto com o XIII Encontro da ACBLPE, que ocorreu de 30 de Julho a 03 de agosto deste ano, em 2012, na USP, em São Paulo, apresentei a comunicação intitulada Alguns traços de crioulos portugueses asiáticos no Português de Timor-Leste que consta no caderno de resumos do evento, podendo ser baixado no link: http://www.fflch.usp.br/dlcv/lport/site/abecs/caderno_abecs_acblpe.pdf.

Para os interessados na leitura segue o resumo, que em breve será publicado em formato de artigo: 

"A variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste até tempos recentes não havia despertado interesse dos pesquisadores. A primeira referência ao português falado em Timor-Leste data somente do início do século XX, com a publicação da obra clássica do filólogo português José Leite de Vasconcelos: Esquisse d’une dialectologie portugaise (1901). No decorrer deste mesmo século, poucos foram os trabalhos que procuraram analisar essa variedade do português e, ainda, no escasso número de publicações existentes é possível verificar uma clara confusão entre a variedade do português falada em Timor, chamada aqui somente de Português de Timor-Leste (PTL), e o crioulo de base lexical portuguesa formado neste mesmo país, especificamente em um bairro da capital, chamado de Bidau, daí o nome de Crioulo Português de Bidau (CPB), conforme analisado por Baxter (1990). A distinção entre a variedade da língua portuguesa e a variedade crioula veio somente a ser apontada em Thomaz (1974, 1985). Nos últimos anos, alguns linguistas vêm se dedicando ao estudo do PTL, apresentando trabalhos significativos como: Carvalho (2001), que pesquisou a antroponímica leste-timorense (2001) e elaborou um corpus para o estudo do léxico do PTL (Carvalho, 2002/2003); Brito (2002, 2004) elaborou uma série de artigos sobre o PTL, abordando de maneira introdutória questões de sociolinguística e política linguística; em Brito e Corte-Real (2002) há uma análise das peculiaridades do PTL no nível fonético-fonológico; Albuquerque (2010) realizou um estudo introdutório sobre a prosódia do PTL, seguido por um panorama linguístico do PTL (Albuquerque, 2011a) e uma análise léxico-semântica desta variedade (Albuquerque, 2011b).

A presente comunicação identificará traços de crioulos portugueses asiáticos, entre eles: Crioulo Português de Malaca (CPMal) (Baxter, 1988), Crioulo Português de Macau (CPMac) (Batalha, 1958; Baxter, 2009), o Indo-português de Korlai (Clements, 1996) e o Indo-português de Diu (Cardoso, 2009), existentes no PTL. Entre esses traços, destacam-se: na fonologia, as consoantes palatais realizadas como seus correlatos alveolares; na morfossintaxe, o verbo ‘poder’ em sua forma pode, funcionando como modal e sua negação como mpode, nupode; os verbos ‘ir’ e ‘vir’, nas formas vai e vem, com funções de modo/aspecto e marcador de direção; a variação de forma do pronome de 3ª pessoa do singular e ~ el ~ ele; o verbo ter, na forma tem, como verbo existencial; o lexema ‘gente’ empregado com função de pronome indefinido ‘alguém’ e pronome pessoal ‘eu’; ‘já’ como marcador de aspecto perfectivo. O objetivo da identificação de características em comum entre crioulos portugueses asiáticos e o PTL é utilizá-las como evidências que corroborem para uma hipótese sobre origem do PTL ter se dado a partir do CPB que ao conviver em situações multilíngues com o português europeu assimilou diversos de seus elementos, juntamente com outras variedades crioulas que tiveram influência em Timor, principalmente o CPMal e CPMac."     

Referências:
ALBUQUERQUE, Davi B. Peculiaridades prosódicas do português falado em Timor Leste. ReVEL, v.8, n.15, p.270-285, 2010.
_____. O Português de Timor Leste: contribuição para o estudo de uma variedade emergente. Papia, v. 21, n.1, p.65-82, 2011a.
____. O element luso-timorense no português falado em Timor Leste. ReVEL, v.9, n.17, p.226-243, 2011b.
BATALHA, Graciete N. Estado actual do dialecto macaense. Revista Portuguesa de Filologia, v. 9, p.177-213, 1958.
BAXTER, Alan. A grammar of Kristang (Malacca Creole Portuguese). Camberra: Pacific Linguistics, 1988.
_____. Notes on the Creole Portuguese of Bidau, Timor. Journal of Pidgin and Creole Languages, v.5, n.1, p.1-38, 1990.
_____. O português em Macau: contacto e assimilação. In: CARVALHO, Ana M. (org.) Português em Contato. Vervuert/ Iberoamericana: Frankfurt/Madri, 2009. p.277-312.
BRITO, Regina P. Reflexões sobre o português em Timor-Leste. Revista Mackenzie educação, arte e história da cultura, v. 2, p.87-95, 2002.
_____. A língua adormecida: o caso Timor-Leste. In: BASTOS, N. M. (org.) Língua portuguesa em calidoscópio, p. 319-329.  São Paulo: Educ/Fapesp, 2004.
BRITO, Regina P.; CORTE-REAL, Benjamin. Algumas especificidades fonético-fonológicas da variante do português timorense. Actas do VIII Simpósio internacional de comunicación social, v.1, p.147-151, 2002.
CARDOSO, Hugo. The Indo-Portuguese language of Diu. Utrecht: LOT, 2009.
CARVALHO, Maria José. Timor Lorosa’e, características das línguas crioulas e do português conservado na zona – contribuição para a língua oficial. Studies of Language and Cultures of East Timor, v.4, p.20-36, 2001.  
_____. Aspectos lexicais do português usado em Timor Leste. Studies of Language and Cultures of East Timor v.5, p. 25-40, 2002/2003.   
CLEMENTS, Joseph C. The genesis of a language. Amsterdam: John Benjamins, 1996.
THOMAZ, Luis Filipe. Timor: Notas histórico-linguísticas. Portugaliae Historica, vol.2, p.167-300, 1974.
_____. A língua portuguesa em Timor. Actas do Congresso sobre a situação actual da língua portuguesa no mundo, vol. 1, p. 313-319. Lisboa: Instituto de cultura e língua portuguesa, 1985.
VASCONCELOS, José L. Esquisse d’une dialectogie portugaise. Lisboa: Centro de Estudos Filológicos, 1970 [1901].

Wednesday, November 10, 2010

Seminários de Pesquisa

O Seminário de Pesquisa do PPGL (Programa de Pós-Graduação em Linguística) da UnB (Universidade de Brasília), que se realiza toda sexta-feira, contemplará nesta semana, dia 12/11/2010, dois seminários sobre as línguas de Timor Leste, a saber: Aspectos linguísticos do Tetun Prasa: língua oficial de Timor Leste, Davi Borges de Albuquerque, e Aspectos preliminares da fonética e fonologia do Makasae, de Jessé Silveira Fogaça.   

O seminário intitulado Aspectos linguísticos do Tetun Prasa: língua oficial de Timor Leste, de minha autoria, apresentará a situação sociolinguística atual do Tetun Prasa e algumas questões de natureza variacionista também. Posteriormente, serão contemplados os níveis de análise linguística dessa variedade: será feita uma descrição do léxico tetumófono; a variação presente na realização dos fonemas, assim como o status fonológico de alguns sons; em relação à morfologia, procurarei enfocar nos processos de morfologia derivacional e reduplicação, explicando os processos que levaram à obliteração do sistema de morfologia flexional; e a sintaxe concentrarei minha exposição para descrever a estrutura dos principais sintagmas do Tetun Prasa.

Já o seminário Aspectos preliminares da fonética e fonologia do Makasae, de Jessé Silveira Fogaça, analisará, conforme o próprio título resume, os conceitos básicos da fonética e da fonologia da língua Makasae. O autor descreverá a fonologia segmental do Makasae, expondo quais sons possuem o status de fonemas, e quais são aqueles que possuem o status de fones, estando em algum tipo de variação. Após expor sobre a fonologia segmental, apontando os fonemas consonantais e vocálicos do Makasae, o autor analisará a estrutura silábica do Makasae, que possui uma alta frequência do padrão universal CV, sendo raro a ocorrência dos demais padrões. Destes demais padrões, há ocorrência somente de V e CVC.
Dessa forma, fica aqui registrada a divulgação dos seminários, assim como a divulgação também dos resultados preliminares das pesquisas que vem sendo desenvolvidas sobre as línguas de Timor Leste. Qualquer comentário ou sugestões dos leitores que possam contribuir  para o melhor conhecimento linguístico é muito bem-vindo...

   

  

Tuesday, August 10, 2010

Peculiaridades prosódicas do Português falado em Timor Leste

As línguas nativas faladas em Timor Leste não são as únicas espécies que ainda estão a ser estudadas, o português falado pelo cidadão leste-timorense vem revelando, segundo minha análise, diversas informações importantes para o estudo de contato, aquisição e variação da língua portuguesa pelo mundo.

No primeiro artigo que produzi sobre a variedade da língua portuguesa falada em Timor Leste, que chamo apenas de Português de Timor Leste, ou PTL, intitulado Peculiaridades prosódicas do Português falado em Timor Leste, discorro sobre algumas propriedades fonético-fonológicas únicas do PTL, o que já é evidência sufuciente para classificar as realizações linguísticas do falante leste-timorense como uma variedade própria e não erros ou problemas de aprendizagem, como vem a ser feito pela grande maioria de professores e/ou linguistas residentes no país.

Seguem abaixo o link para o download do artigo que foi publicado na ReVEL e o resumo do artigo:

Resumoo presente artigo tem o objetivo de apresentar evidências prosódicas para comprovar a existência de uma variedade da língua portuguesa falada em Timor Leste. Para tanto, o artigo apresentará também informações sócio-históricas do contato lingüístico sofrido pelo português na Ásia no decorrer do período da colonização. As chamadas “peculiaridades” são vistas aqui como traços particulares da gramática desta variedade do português.



Sunday, July 11, 2010

Sobre as consoantes palatais em Tetun Prasa


As consoantes palatais não fazem parte do inventário fonológico das línguas de origem austronésicas. Nas línguas de Timor Leste, elas são de origem lusófona e entraram somente através dos empréstimos lexicais para o Tetun Prasa, e, por sua vez, do Tetun Prasa para as demais línguas.

Em uma análise fonológica recente que fiz do Tetun, seguindo uma abordagem ecolinguística (Albuquerque, em preparação), verifiquei que essas consoantes palatais, a saber: ʃ, ʒ, nhlh (não consegui formatar as duas últimas fontes do IPA para o blog, por isto represento pela grafia), não são produtivas na língua, não aparecendo em nenhuma palavra nativa, assim como não são realizadas pelo falante leste-timorense.

Os fones palatais, como classifico-os, ʃ, ʒ, nh e lh são realizados /s/, /z/, /n/ e /l/ respectivamente. Dessa forma, limitam-se ao léxico lusófono emprestado e relativo a conceitos culturais e modernos exteriores à cultura tetumófona, como em vocábulos:

xá, xapeu, xave;
janela, justisa, jornál;
bañu, señór, viziñu;
evanjellu, jullu, relijiaun.

Logo, não há evidências linguísticas suficientes para classificá-los como fonemas que fazem parte do inventário fonológico da língua Tetun, em sua variedade Tetun Prasa, ou Tetun Dili, como vem sendo feito na recente tradição gramatical do Tetun Prasa: Hull (2002), Hull e Eccles (2001) e Williams-van Klinken, Hajek e Nordlinger (2002).

Referências: 
 
ALBUQUERQUE, D. B. (em preparação). Ecofonologia da língua Tetun: um caso de contato e adaptação.   
 
HULL, G. 2002. Dili Tetum. Sydney/Dili: Sebastião Aparício da Silva Project/Instituto Nacional de Linguística/Universidade Nacional de Timor Lorosa’e.
 
HULL, G.; ECCLES, L. 2001. Tetum Reference Grammar. Sydney/Dili: Sebastião Aparício da Silva Project/Instituto Nacional de Linguística/Universidade Nacional de Timor Lorosa’e, 2001. (Tradução para o português: Gramática da Língua Tétum. Lisboa: LIDEL, 2004).
 
WILLIAMS-VAN KLINKEN, C., HAJEK, J. e NORDLINGER, R. Tetun Dili: A grammar of an East Timorese language. Canberra: Pacific Linguistics, 2002.