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Tuesday, April 23, 2024

A língua Portuguesa falada em Timor-Leste: Um estudo ecolinguístico (Graz, PCL Press, 2024)

Acabou de ser lançado pela PCL Press o livro: A língua Portuguesa falada em Timor-Leste: Um estudo ecolinguístico, que foi baseado em minha tese de doutorado na Universidade de Brasília (UnB).

O livro pode ser acessado, baixado e lido em:  https://pcl-press.org/publications/a-lingua-portuguesa-falada-em-timor-leste-um-estudo-ecolinguistico/

Segue o abstract:

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Based on my doctoral thesis at the University of Brasília (UnB), the book A língua Portuguesa falada em Timor-Leste: Um estudo ecolinguístico was recently issued by PCL Press.

Visit this link to access, download, and read the book: https://pcl-press.org/publications/a-lingua-portuguesa-falada-em-timor-leste-um-estudo-ecolinguistico/

Here is the abstract:

Portuguese is the official language of the Democratic Republic of East Timor, alongside Tetun Prasa (an Austronesian language and local lingua franca). In this work, I carry out a study of the Portuguese spoken in East Timor in order to verify whether it is possible to recognize a variety of Portuguese in formation. Other objectives include its documentation and description of its most notable linguistic aspects, as well as to develop actions to value it inside and outside East Timorese society in latter moments of the investigation. In order to achieve the objectives, I use Ecolinguistic theory and its different methods of analysis, which cover linguistic and extralinguistic topics, so that it is possible to describe accurately the Portuguese language in Timor, approaching several aspects of the researched object. It is emphasized here that a position of preserving the (possible) variety of the Portuguese language spoken in East Timor is also an ecological stance since it is aiming to maintain the linguistic diversity of the Portuguese language in the world.



Wednesday, April 23, 2014

Manuscritos do século XVIII sobre o português em Timor

Acabou de sair o mais novo artigo de minha autoria, intitulado Manuscritos do século XVIII sobre o português em Timor. O artigo foi publicado na Revista de Filologia e Linguística Portuguesa, da Universidade de São Paulo (USP), no volume 15, número 2, do ano de 2013. 

Esta publicação dá continuidade a minha pesquisa sobre a língua portuguesa em Timor-Leste. Neste artigo, procuro traçar as possíveis origens da variedade da língua portuguesa falada em Timor, investigando documentos, datados do século XVIII, escritos em português pelos timorenses. Assim, este trabalho acaba por relacionar diferentes áreas, abordando temas da história, da filologia, do contato de línguas, da crioulística e da dialetologia.      

O artigo pode ser baixado aqui e aqui, e o resumo pode ser lido abaixo:

O presente artigo tem como objetivo analisar traços históricos e linguísticos em documentos de origem holandesa, que datam do início do século XVIII, existentes sobre a língua portuguesa na ilha de Timor. Estes documentos estão localizados no Arsip Nasional (ANRI) ‘Arquivo Nacional’ em Jakarta, Indonésia, e no Koninklijk Instituut voor Taal-, Land- en Volkenkunde (KITLV) ‘Instituto Real Holandês de Estudos do Sudeste Asiático e Caribe’ em Leiden, Holanda. Os documentos holandeses não foram escolhidos de maneira aleatória, a justificativa para a escolha está baseada na escassez de análises existentes sobre essas fontes históricas, quando comparadas à documentação portuguesa, que vem sendo extensamente estudada desde o século XIX por historiadores portugueses e, em menor extensão, por filólogos também de origem portuguesa. Os documentos localizados no arquivo indonésio, que serão o objeto da análise, datam da primeira metade do século XVIII, período no qual ocorreu grande migração lusófona para a ilha de Timor. Já os documentos localizados na Holanda datam do início do século XVIII e serão usados somente para reiterar a análise efetuada, como evidências adicionais. Assim, em (2), serão apontadas as principais características descritas para a variedade da língua portuguesa falada atualmente em Timor-Leste, conhecida como Português de Timor-Leste (PTL), e, em (3), o corpus textual já mencionado será analisado, buscando informações históricas e evidências linguísticas que possam contribuir para um melhor entendimento da origem, formação e desenvolvimento do que hoje veio a ser tornar a variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste. Finalmente, em (4), estão as considerações finais a respeito da análise efetuada.


Saturday, May 11, 2013

Influências das L1 Nativas no PTL: Estudo dos Marcadores Verbais

Resumo de minha comunicação intitulada Influências das L1 Nativas no Português de Timor-Leste: Um Estudo dos Marcadores Verbais a ser apresentada no simpósio 16 do IV SIMELP:

RESUMO: A ilha de Timor está situada no sudeste asiático, perto da Austrália e das ilhas do Pacífico, possuindo fronteira física com a Indonésia. Apesar de a colonização portuguesa da ilha ter iniciado no século XVI, a presença efetiva do colonizador europeu ocorreu somente por volta do século XVIII, findando por volta do ano de 1975, quando a Indonésia invadiu e dominou a parte leste da ilha. No ano de 1999, o país reconquistou sua independência e, em 2002, a constituição da República Democrática de Timor-Leste elegeu como línguas oficiais o português e o Tétum-Praça (Tetun Prasa), ao lado do inglês e indonésio como línguas de trabalho. A política linguística da coroa portuguesa para o chamado Timor Português foi a de ensinar a língua portuguesa apenas aos cidadãos importantes: timorenses que tinham qualquer influência sobre as suas aldeias, como: reis, príncipes, sacerdotes e outras pessoas com origens nobres. Esta política sofreu modificações somente no final do século XIX, exatamente no ano de 1898 com a fundação do Colégio de Soibada, quando a administração portuguesa decidiu investir no ensino e nas escolas. Porém, tal situação veio a se modificar, logo em seguida, no século XX, com a invasão japonesa a Timor (1942-1945) e, posteriormente, com a dominação indonésia já citada (1975-1999). Esse contexto contribuiu na formação de uma variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste com alguns traços linguísticos específicos, assim como de outras variedades já conhecidas e melhor estudadas, como o Português de Moçambique (PM) e o Português de Angola (PA). A presente comunicação pretende analisar a variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste, chamada aqui somente de Português de Timor-Leste (PTL), apresentando uma característica notória dessa variedade que é o uso de certos advérbios como marcadores temporais, aspectuais e modais do verbo, principalmente o emprego de como marcador de aspecto perfectivo, ainda marcador de aspecto progressivo/durativo, ainda não como modalizador negativo. Tais marcadores verbais podem ser encontrados também em vários crioulos, notavelmente nos crioulos de base lexical portuguesa. Porém, sem descartar uma possível influência do Crioulo Português de Malaca, do Crioulo Português de Macau e dos crioulos indo-portugueses em Timor-Leste, é argumentado neste trabalho, assim como são apresentadas várias evidências com base nos dados linguísticos coletados em campo, que a influência principal na existência desses marcadores no PTL é a língua materna (L1) do cidadão leste-timorense, já que a maioria das línguas nativas de Timor-Leste é de origem austronésica, com a presença de um grande número de marcadores pré-verbais e pós-verbais para expressar as categorias de tempo, modo e aspecto no verbo. Assim, serão apontadas diversas características dessas línguas maternas, enfatizando a língua Tetun, e a influência delas no PTL.       

PALAVRAS-CHAVE: Língua portuguesa; Timor-Leste; gramaticalização; multilinguismo.

Thursday, September 06, 2012

Divulgação no IILP

No blogue do IILP (Instituto Internacional de Língua Portuguesa) saiu uma divulgação de meu trabalho e deste nosso blogue, no post intitulado Uma variedade timorense da língua portuguesa (http://iilp.wordpress.com/2012/07/31/uma-variedade-timorense-da-lingua-portuguesa/).

O post é curto mencionando somente o artigo de minha autoria Peculiaridades prosódicas do português falado em Timor Leste no qual apresento alguns traços da prosódia  do português de Timor-Leste (PTL) que são característicos desta variedade do português e já foi comentado em post anterior aqui (http://easttimorlinguistics.blogspot.com.br/2010/08/peculiaridades-prosodicas-do-portugues.html). 

Outra informação que é mencionada no post é a divulgação que outro blogue vem fazendo de meu trabalho, o blogue Língua Portuguesa em Timor-Leste, que no post  Para a definição da variedade do Português de Timor-Leste, que pode ser lido aqui: http://profesdeptemtl.blogspot.com.br/2012/07/para-definicao-da-variedade-do.html, ajuda na difusão da pesquisa que estou realizando sobre o PTL, apresentando tanto o artigo mencionado acima, quanto o artigo recente sobre a morfossintaxe do PTL, que pode ser lido e baixado no link: http://easttimorlinguistics.blogspot.com.br/2012/06/morfossintaxe-do-portugues-de-timor.html.

Agradeço aqui o apoio dos dois blogues, com uma lembrança em especial ao blogue Língua Portuguesa em Timor-Leste, e com votos de que o IILP possa continuar sua tarefa de apoiar a difusão da língua portuguesa pelo mundo. 


Friday, August 24, 2012

Traços de CPs Asiáticos no Português de Timor-Leste

No VII Encontro da ABECS em conjunto com o XIII Encontro da ACBLPE, que ocorreu de 30 de Julho a 03 de agosto deste ano, em 2012, na USP, em São Paulo, apresentei a comunicação intitulada Alguns traços de crioulos portugueses asiáticos no Português de Timor-Leste que consta no caderno de resumos do evento, podendo ser baixado no link: http://www.fflch.usp.br/dlcv/lport/site/abecs/caderno_abecs_acblpe.pdf.

Para os interessados na leitura segue o resumo, que em breve será publicado em formato de artigo: 

"A variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste até tempos recentes não havia despertado interesse dos pesquisadores. A primeira referência ao português falado em Timor-Leste data somente do início do século XX, com a publicação da obra clássica do filólogo português José Leite de Vasconcelos: Esquisse d’une dialectologie portugaise (1901). No decorrer deste mesmo século, poucos foram os trabalhos que procuraram analisar essa variedade do português e, ainda, no escasso número de publicações existentes é possível verificar uma clara confusão entre a variedade do português falada em Timor, chamada aqui somente de Português de Timor-Leste (PTL), e o crioulo de base lexical portuguesa formado neste mesmo país, especificamente em um bairro da capital, chamado de Bidau, daí o nome de Crioulo Português de Bidau (CPB), conforme analisado por Baxter (1990). A distinção entre a variedade da língua portuguesa e a variedade crioula veio somente a ser apontada em Thomaz (1974, 1985). Nos últimos anos, alguns linguistas vêm se dedicando ao estudo do PTL, apresentando trabalhos significativos como: Carvalho (2001), que pesquisou a antroponímica leste-timorense (2001) e elaborou um corpus para o estudo do léxico do PTL (Carvalho, 2002/2003); Brito (2002, 2004) elaborou uma série de artigos sobre o PTL, abordando de maneira introdutória questões de sociolinguística e política linguística; em Brito e Corte-Real (2002) há uma análise das peculiaridades do PTL no nível fonético-fonológico; Albuquerque (2010) realizou um estudo introdutório sobre a prosódia do PTL, seguido por um panorama linguístico do PTL (Albuquerque, 2011a) e uma análise léxico-semântica desta variedade (Albuquerque, 2011b).

A presente comunicação identificará traços de crioulos portugueses asiáticos, entre eles: Crioulo Português de Malaca (CPMal) (Baxter, 1988), Crioulo Português de Macau (CPMac) (Batalha, 1958; Baxter, 2009), o Indo-português de Korlai (Clements, 1996) e o Indo-português de Diu (Cardoso, 2009), existentes no PTL. Entre esses traços, destacam-se: na fonologia, as consoantes palatais realizadas como seus correlatos alveolares; na morfossintaxe, o verbo ‘poder’ em sua forma pode, funcionando como modal e sua negação como mpode, nupode; os verbos ‘ir’ e ‘vir’, nas formas vai e vem, com funções de modo/aspecto e marcador de direção; a variação de forma do pronome de 3ª pessoa do singular e ~ el ~ ele; o verbo ter, na forma tem, como verbo existencial; o lexema ‘gente’ empregado com função de pronome indefinido ‘alguém’ e pronome pessoal ‘eu’; ‘já’ como marcador de aspecto perfectivo. O objetivo da identificação de características em comum entre crioulos portugueses asiáticos e o PTL é utilizá-las como evidências que corroborem para uma hipótese sobre origem do PTL ter se dado a partir do CPB que ao conviver em situações multilíngues com o português europeu assimilou diversos de seus elementos, juntamente com outras variedades crioulas que tiveram influência em Timor, principalmente o CPMal e CPMac."     

Referências:
ALBUQUERQUE, Davi B. Peculiaridades prosódicas do português falado em Timor Leste. ReVEL, v.8, n.15, p.270-285, 2010.
_____. O Português de Timor Leste: contribuição para o estudo de uma variedade emergente. Papia, v. 21, n.1, p.65-82, 2011a.
____. O element luso-timorense no português falado em Timor Leste. ReVEL, v.9, n.17, p.226-243, 2011b.
BATALHA, Graciete N. Estado actual do dialecto macaense. Revista Portuguesa de Filologia, v. 9, p.177-213, 1958.
BAXTER, Alan. A grammar of Kristang (Malacca Creole Portuguese). Camberra: Pacific Linguistics, 1988.
_____. Notes on the Creole Portuguese of Bidau, Timor. Journal of Pidgin and Creole Languages, v.5, n.1, p.1-38, 1990.
_____. O português em Macau: contacto e assimilação. In: CARVALHO, Ana M. (org.) Português em Contato. Vervuert/ Iberoamericana: Frankfurt/Madri, 2009. p.277-312.
BRITO, Regina P. Reflexões sobre o português em Timor-Leste. Revista Mackenzie educação, arte e história da cultura, v. 2, p.87-95, 2002.
_____. A língua adormecida: o caso Timor-Leste. In: BASTOS, N. M. (org.) Língua portuguesa em calidoscópio, p. 319-329.  São Paulo: Educ/Fapesp, 2004.
BRITO, Regina P.; CORTE-REAL, Benjamin. Algumas especificidades fonético-fonológicas da variante do português timorense. Actas do VIII Simpósio internacional de comunicación social, v.1, p.147-151, 2002.
CARDOSO, Hugo. The Indo-Portuguese language of Diu. Utrecht: LOT, 2009.
CARVALHO, Maria José. Timor Lorosa’e, características das línguas crioulas e do português conservado na zona – contribuição para a língua oficial. Studies of Language and Cultures of East Timor, v.4, p.20-36, 2001.  
_____. Aspectos lexicais do português usado em Timor Leste. Studies of Language and Cultures of East Timor v.5, p. 25-40, 2002/2003.   
CLEMENTS, Joseph C. The genesis of a language. Amsterdam: John Benjamins, 1996.
THOMAZ, Luis Filipe. Timor: Notas histórico-linguísticas. Portugaliae Historica, vol.2, p.167-300, 1974.
_____. A língua portuguesa em Timor. Actas do Congresso sobre a situação actual da língua portuguesa no mundo, vol. 1, p. 313-319. Lisboa: Instituto de cultura e língua portuguesa, 1985.
VASCONCELOS, José L. Esquisse d’une dialectogie portugaise. Lisboa: Centro de Estudos Filológicos, 1970 [1901].

Friday, June 15, 2012

Morfossintaxe do Português de Timor-Leste

Saiu o artigo de minha autoria, intitulado Esboço morfossintático do português falado em Timor-Leste, na edição atual da revista Moderna Språk, volume 106, número 1, de 2012. Os links paras download são: http://ojs.ub.gu.se/ojs/index.php/modernasprak/article/view/1180/1020 ou https://www.academia.edu/2087714/Esboco_morfossintatico_do_portugues_falado_em_Timor-Leste.  

O artigo, conforme consta no próprio título, trata de um resultado preliminar das investigações sobre a variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste, que chamo apenas de Português de Timor-Leste, ou PTL.

Segue o resumo:

"O presente artigo procura apresentar evidências no nível morfossintático de que o português falado pelo povo leste-timorense trata-se de uma variedade dessa língua, chamada de Português de Timor-Leste (doravante PTL), assim como o Português Europeu (PE) e demais variedades já estudadas e que gozam de maior prestígio social, como o Português Brasileiro (PB), juntamente com outras variedades, como o Português de Moçambique (PM), Português de Angola (PA), e os crioulos de base lexical portuguesa. Para tanto, este trabalho, após a introdução, apresentará uma revisão crítica da bibliografia existente sobre os estudos linguísticos da língua portuguesa em Timor-Leste para depois analisar a morfossintaxe do PTL".


Monday, June 04, 2012

Elementos ecológicos e não ecológicos na gramática Tetun

Já estão disponíveis, em http://www.ecolinguistica.com.br/, alguns resumos do I Encontro Brasileiro de Ecolinguística. Em breve, colocaremos todos resumos e a programação, com data, horários e locais do evento. 

O resumo de minha comunicação, intitulada O sistema linguístico como sistema ecológico: um estudo da gramática Tetun (Timor-Leste), já se encontra no link citado acima. Neste trabalho apontarei traços linguísticos ecológicos e não ecológicos presentes na gramática tetumófona, identificando também a origem dos elementos não ecológicos, e a gramática como um sistema de memória, com resquícios de estágios e elementos ecológicos anteriores, e de adaptação ao meio ambiente.

Segue o resumo:

"A presente comunicação tem o objetivo de apontar elementos ecológicos e não ecológicos no sistema linguístico, considerado aqui como a gramática, no Tetun Prasa. A língua Tetun, dividida em duas variedades principais, a saber: o Tetun Prasa e o Tetun Terik, é uma língua de origem austronésia, a variedade Tetun Prasa possui o status de língua franca, e é língua oficial da República Democrática de Timor-Leste, juntamente com a língua portuguesa. Na teoria ecolinguística vem se discutindo até que ponto o meio ambiente influencia na formação de certos elementos do sistema linguístico. Assim, neste trabalho, primeiramente, será analisada uma série de elementos do sistema linguístico do Tetun que são considerados não ecológicos, como: a separação agente-paciente; a categorização de processos naturais como processos ou coisas; os contrastes, geralmente expressos pela classe dos nomes; causalidade, que pressupõe superioridade; o surgimento de palavras e expressões temporais; o sistema tempo-aspecto-modo; os sistemas pronominais, principalmente pronomes pessoais e pronomes possessivos; separações léxico-semânticas entre processos [+ humano] e [+ animado] dos processos [- humano] e [- animado]. Posteriormente, serão descritos os processos de mudança linguística que desenvolveram os sistemas ecológicos e não ecológicos da língua, argumentando que o meio ambiente teve um fator central nesse desenvolvimento, considerado aqui como uma adaptação linguística às modificações ocorridas no ecossistema".


  

Thursday, April 29, 2010

Reestruturação gramatical e as línguas de Timor Leste


As línguas de Timor Leste, além de mal descritas, também apresentam problemas em relação a suas origens e os processos de mudança linguística que sofreram. Muitas vezes são referidas como crioulos (Ethnologue 2009) e até pidgins (Hagège 2002 apud Hajek 2007), e os processos de mudança linguística como 'processo de crioulização' (Hull 2001). Em um trabalho recente, que apresenta um resultado preliminar de minhas pesquisas sobre o contato de línguas em território leste-timorense (Albuquerque 2010), há evidências suficientes para não usar tais termos citados acima, assim como se argumentar a favor da reestruturação parcial de algumas línguas de Timor Leste.

Dois modelos teóricos que são aplicáveis, em um primeiro momento, às línguas de Timor Leste são o de 'aquisição não-nativa' de McWhorter (2007) e o já mencionado 'reestruturação parcial' de Holm (2004). Mas, no entanto, exsitem poucos dados sobre a sócio-história dessas línguas, assim como poucas são as descrições linguísticas disponíveis.

Atualmente, debruço-me sobre este problema, procurando informações sobre a sócio-história das línguas de Timor Leste e também dados linguísticos para verificar nos contatos possíveis adstratos, superestratos e substratos e suas respectivas influências uns nos outros.  

Referências:

Albuquerque, D. B. Contatos lingüísticos em Timor Leste: mudanças e reestruturação gramatical. Comunicação apresentada ao VI Encontro da Associação Brasileira de Estudos Crioulos e Similares, Salvador, 2010.

Hagège, C. 2002. Morte E Rinascita Delle Lingue. Milão: Feltrinelli.

Hajek, J. 2007. Language Contact and Convergence in East Timor: The Case of Tetun Dili”. In A. Aikhenvald & R. Dixon (eds.). Grammars in Contact: A Cross-Linguistic Typology, p. 163-178. Nova York: Oxford University Press.

Holm, J. 2004. Languages in Contact. The Partial Restructuring of Vernaculars. Cambridge: CUP.

Hull, G. 2001. A Morphological Overview of the Timoric Sprachbund. Studies in Language and Culture of East Timor 4: 98-205, 2001.

Lewis, P. (ed.). Ethnologue: Languages of the World, Sixteenth edition. Dallas: SIL International, 2009. Versão online: http://www.ethnologue.com/

Mcwhorter, J. 2007. Language Interrupted: Signs of Non-Native Acquisition in Standard Language Grammars. Nova York: Oxford University Press.