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Tuesday, April 23, 2024

A língua Portuguesa falada em Timor-Leste: Um estudo ecolinguístico (Graz, PCL Press, 2024)

Acabou de ser lançado pela PCL Press o livro: A língua Portuguesa falada em Timor-Leste: Um estudo ecolinguístico, que foi baseado em minha tese de doutorado na Universidade de Brasília (UnB).

O livro pode ser acessado, baixado e lido em:  https://pcl-press.org/publications/a-lingua-portuguesa-falada-em-timor-leste-um-estudo-ecolinguistico/

Segue o abstract:

*  *  *

Based on my doctoral thesis at the University of Brasília (UnB), the book A língua Portuguesa falada em Timor-Leste: Um estudo ecolinguístico was recently issued by PCL Press.

Visit this link to access, download, and read the book: https://pcl-press.org/publications/a-lingua-portuguesa-falada-em-timor-leste-um-estudo-ecolinguistico/

Here is the abstract:

Portuguese is the official language of the Democratic Republic of East Timor, alongside Tetun Prasa (an Austronesian language and local lingua franca). In this work, I carry out a study of the Portuguese spoken in East Timor in order to verify whether it is possible to recognize a variety of Portuguese in formation. Other objectives include its documentation and description of its most notable linguistic aspects, as well as to develop actions to value it inside and outside East Timorese society in latter moments of the investigation. In order to achieve the objectives, I use Ecolinguistic theory and its different methods of analysis, which cover linguistic and extralinguistic topics, so that it is possible to describe accurately the Portuguese language in Timor, approaching several aspects of the researched object. It is emphasized here that a position of preserving the (possible) variety of the Portuguese language spoken in East Timor is also an ecological stance since it is aiming to maintain the linguistic diversity of the Portuguese language in the world.



Wednesday, February 10, 2021

Estudos de fonologia prosódica das línguas de Timor-Leste

Este é outro projeto que teve seu início de maneira um tanto informal, com outro colega, o Prof. Marco Barone, que se dedica à prosódia e se interessou em pesquisar a prosódia do português falado pelos leste-timorenses, bem como pela prosódia das línguas de Timor-Leste.

Como seu início se deu apenas a partir do diálogo e da dedicação nossa, minha e do prof. Barone, ainda estamos a organizar quais serão os próximos passos duma empreitada de tamanha magnitude e que até o momento não teve suporte ou apoio algum. Sabemos apenas que na primeira etapa nos dedicaremos à prosódia do português de Timor-Leste e do Tétum-Praça.

Assim, o primeiro resultado consiste no artigo já publicado Prosódia do português de Timor-Leste comparada com as demais variedades: um estudo introdutório, na revista Philologus, v. 26, 2020, sendo que o artigo pode ser lido e acessado aqui, bem como algumas comunicações em congressos as quais postarei a respeito em publicações futuras neste blog. 

Seguem o resumo e o abstract:

O português em Timor-Leste (PTL) é língua oficial do país, ao lado do Tétum-Praça (TP), língua franca nacional. O PTL é considerado uma variedade não dominante e ainda em construção, por isso apresenta certa instabilidade e aparente influência do contato com as demais línguas locais. O presente trabalho realiza um estudo prosódico introdutório do PTL e aponta algumas semelhanças e diferenças com as variedades do Português Europeu e do Brasil. Utilizamos a metodologia do Discourse Completion Task, com a readaptação de questionários anteriores utilizados em português e a produção de outro em Tétum-Praça. Serão analisados os dados dos contornos entoacionais de diferentes modalidades e tipos pragmáticos de sentença. Uma investigação inicial sobre as declarativas de foco amplo e as perguntas polares e parciais informativas aponta em direção à hipótese de certa transferência prosódica do substrato Tétum para o PTL. 

Palavras-chave: Prosódia. Padrão entoacional. Português de Timor-Leste. 

ABSTRACT: 
East Timor Portuguese (ETP, PTL in the Portuguese version) is the country’s official language, together with Tetun Prasa (TP), the national lingua franca. ETP is regarded as a non-dominant variety, still undergoing a process of construction; therefore it appears as rather unstable and somewhat influenced by the contact with other local languages. The present study carries out an introductory prosodic survey on ETP and points out its similarities and differences with the European and Brazilian varieties. We use the Discourse Completion Task methodology, with a readaptation of previous Portuguese questionnaires and the preparation of a new one in Tetun Prasa. Data on the intonation contours of several modalities and pragmatic sentence types will be analyzed. A first examination of broad focus statements and informationseeking yes/no and wh-questions contours suggests that prosodic transfer from the Tetun substratum onto ETP has occurred to some extent. 

Keywords: Prosody. Intonational Pattern. East Timor Portuguese.

Saturday, October 26, 2019

A Interação Intercultural em Timor-Leste: aspectos linguísticos e ecológicos

Após um tempo parado, retomo minhas atividades no blogue para divulgar algumas publicações e resultados de pesquisas mais recentes sobre Timor-Leste.

Nesta postagem começarei por divulgar o artigo do título (A Interação Intercultural em Timor-Leste: aspectos linguísticos e ecológicos), que foi publicado na revista Plural Pluriel, revue des cultures de langue portugaise, v. 19, de 2018, com um número inteiro dedicado aos estudos sobre Timor-Leste, com o título da edição especial de Processos de objetificação da cultura em Timor-Leste: Aproximações, organizado por Kelly Silva e Daniel Borges.

Meu artigo, que pode ser lido e baixado aqui, trata do resultado duma pesquisa que analisou como ocorrem as interações interculturais entre timorenses e estrangeiros, e suas escolhas e atitudes linguísticas.

Segue abaixo o resumo em francês, português e inglês:

Résumé : L’interaction interculturelle est le processus de communication, à travers des éléments linguistiques et non linguistiques, entre individus appartenant à des cultures différentes. L’île de Timor, en particulier sa partie orientale, Timor-Oriental, outre sa formation composée par des personnes appartenant à différents groupes ethniques et locutrices de langues différentes, connaît la présence de nombreux étrangers, principalement lusphones et anglophones. Une étude des interactions de deux environnements distincts (l'un formel et l'autre informel) entre un orateur brésilien et quelques locuteurs du Timor-Oriental sera présentée dans cet article. L’analyse qui sera réalisée observera trois caractéristiques: l’espace de dialogue, le temps des locuteurs et la compétence symbolique des individus qui interagissent.

Mots-clé : Timor-Oriental, Interaction interculturelle, Langue Portugaise

Resumo: A interação intercultural é o processo de comunicação, por meio de elementos linguísticos e não linguísticos, entre indivíduos pertencentes a diferentes culturas. Como a ilha de Timor, especialmente sua parte oriental, Timor-Leste, além de ser formada por povos de etnias distintas e falantes de diferentes línguas, apresenta uma presença de muitos estrangeiros, principalmente lusófonos e anglófonos, será conduzido aqui um estudo das interações em dois ambientes distintos (um formal e um informal) entre um falante brasileiro (lusófono) e alguns falantes leste-timorenses. A análise que será realizada neste artigo observará três características dessas interações: o espaço do diálogo, o tempo dos falantes e a competência simbólica dos indivíduos que estão interagindo.

Palavras-chave: Timor-Leste, interação intercultural, língua portuguesa

Abstract: Intercultural interaction is the process of communication through linguistic and non-linguistic elements among individuals from different cultures. Timor Island, especially its eastern part, East Timor, is formed by people from different ethnic groups and speakers of different languages. Furthermore, Timor has a presence of many foreigners, mainly Portuguese and English speakers. The interactions study conducted here will focus in two distinct environments (one formal and one informal) between a Brazilian (Lusophone) speaker and some East Timorese speakers. The analysis that will be carried out in this paper will observe three characteristics of these interactions: the space of the dialogue, the time of the speakers and the symbolic competence of the individuals that are interacting.

Key words: East Timor, Intercultural interaction, Portuguese Language. 

Tuesday, April 04, 2017

A ecolinguística e a dinâmica das línguas em Timor-Leste

Neste ano, a Ecolinguística comemora dez anos no Brasil com a publicação do livro de Hildo H. Couto, intitulado Ecolinguística. Estudo das relações entre língua e meio ambiente. Brasília: Ed. Thesaurus, 2007.

Para não deixar a data passar em branco, foi realizado um congresso na Universidade Estadual de Goiás - UEG, Campus Anápolis, em que apresentei o trabalho homônimo ao título desta postagem: A ecolinguística e a dinâmica das línguas em Timor-Leste, retomando alguns resultados de minha tese de doutorado.

Segue o sítio do evento aqui e o caderno de resumos que pode ser baixado aqui.

Em breve, os trabalhos apresentados serão reunidos num volume e publicado em formato de livro, tornando-se mais uma material disponível aos interessados nos temas relacionados aos estudos ecolinguísticos. 

Abaixo se encontra o resumo de meu trabalho:

Resumo:

Timor-Leste é uma ilha no Sudeste Asiático que possui o português e o Tetun como línguas oficias e o inglês e o indonésio como línguas de trabalho. Há também aproximadamente 16 línguas nativas, que pertencem a diferentes grupos linguísticos. A ecolinguística, especificamente a linguística ecossistêmica, ao trabalhar com os vários ecossistemas da língua (natural, mental e social) fornece um arcabouço teóricometodológico para se estudar o cenário linguístico de Timor-Leste, bem como outros similares. Assim, a linguística ecossistêmica fornece subsídios para a análise das línguas leste-timorenses e das línguas transplantadas para lá (as línguas estrangeiras), suas estruturas, contatos, mudanças linguísticas, interações comunicativas e como tudo isso as transformou, da mesma maneira que modificou seus falantes e o meio ambiente que os circunda, ocorrendo uma relação de interferência mútua. O presente trabalho tem como objetivo apresentar a dinâmica dessas relações, enfatizando a interação comunicativa, à luz da teoria da linguística ecossistêmica. 

Palavras-chave: 

Ecolinguística. Ecossistema da língua. Cenário linguístico. Timor-Leste. 

Sunday, April 24, 2016

Um estudo da ecologia do contato de línguas em Timor-Leste

No número de estreia de uma nova revista na área de Linguística, especificamente na área de Ecolinguística, sediada na UnB (Universidade de Brasília), mas em parceria com a UFG (Universidade Federal de Goiás), tive a felicidade de ter um artigo meu publicado nela.

O artigo, intitulado Um estudo da ecologia do contato de línguas em Timor-Leste, está no primeiro número da REVEL - Ecolinguística: Revista Brasileira de Ecologia e Linguagem. A revista pode ser acessada neste link e o artigo de minha autoria pode ser lido aqui.

Este artigo é fruto de um estudo que eu venho desenvolvendo nos últimos dois anos sobre a relação da Ecolinguística com o Contato de Línguas, e eu acabei por usar as línguas de Timor-Leste como estudo de caso e para verificar a validade da teoria.

Segue o resumo:

O presente artigo tem como objetivo apontar os aspectos teóricos da ecologia do contato de línguas e povos, bem como aplicar tal teoria em um estudo de caso específico, que é analisar a ecologia do contato de línguas/dialetos e indivíduos/povos em Timor-Leste. Assim, este trabalho está dividido da seguinte maneira: após a introdução, será realizada uma revisão bibliográfica, em (2); em (3), serão apresentadas algumas características básicas do ecossistema linguístico local de Timor-Leste; em seguida, em (4), serão discutidas as situações de contato e alguns fatores que influenciam na ecologia do contato; em (5), serão analisados os resultados do contato de línguas e povos em Timor; finalmente, em (6), serão apresentadas as considerações finais.    

OS CONTATOS LINGUÍSTICOS EM TIMOR-LESTE: MUDANÇAS E REESTRUTURAÇÃO GRAMATICAL

Finalmente, saiu em formato de artigo esta minha comunicação já antiga, elaborada em 2009 e apresentada no ano de 2010 no  VI Encontro da ABECS (Associação Brasileira de Estudos Crioulos e Similares), e que podem ser encontradas maiores informações aqui. Devido a data em que foi escrito, o presente artigo está desatualizado tanto em relação aos dados das línguas leste-timorenses, quanto em relação a algumas análises feitas sobre o efeito do contato de línguas nestas.

A contribuição principal deste artigo está em abrir uma via para pesquisas (e pesquisadores) futuros se concentrarem em quais tipos de contato ocorreram em Timor-Leste, se são válidas as teorias de contato e crioulística para esta situação, quais os efeitos do contato nas línguas de Timor-Leste. 

O artigo, que tem o mesmo título da postagem, Os contatos linguísticos em Timor-Leste: mudanças e reestruturação gramatical, foi lançado na revista PERcursos Linguísticos, v. 5, n. 11, 2015, e pode ser acessado aqui.

Segue o resumo:

Este artigo procura analisar os diferentes casos de línguas em contato em Timor-Leste, quais línguas nativas sofreram mudanças devido ao contato e quais sofreram reestruturação gramatical devido a um contato ainda mais intenso. Ainda, as línguas de origem austronésia e papuásica de Timor-Leste sofreram mudanças linguísticas distintas, como o Tetum, o Manbae e o Tokodede que tiveram contato intenso e mudanças induzidas pelo contato, enquanto outras línguas, como o Baikenu, o Makasae e o Bunak, sofreram poucas mudanças linguísticas.

Monday, September 08, 2014

Abordagem ecolinguística do português falado em TL

Defendi minha tese de doutorado neste ano, em 2014, no Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) da Universidade de Brasília (UnB), e ela foi devidamente aprovada e recomendada para ser publicada em formato de livro, o que já está em andamento.

A tese se chama A língua portuguesa em Timor-Leste: uma abordagem ecolinguística e analisou, conforme o próprio título, o português falado em Timor-Leste de acordo com a teoria ecolinguística. Na tese, são abordados temas da história da língua, da sociolinguística, etnografia da comunicação, descrição do português falado em Timor-Leste, aquisição de língua, bi- e multilinguismo e contato de línguas em Timor-Leste.

Seguem o resumo e as palavras-chave:

A língua portuguesa é a língua oficial da República Democrática de Timor-Leste, juntamente com a língua Tetun, desde sua constituição de 2002. Porém, a influência lusófona na ilha de Timor data do ano de 1515, período em que os colonizadores portugueses chegaram pela primeira vez na ilha. Atualmente, sendo falada por cerca de 5% da população, aproximadamente 50.000 pessoas, a língua portuguesa é ensinada em todos os níveis da educação formal leste-timorense, mas se encontra ameaçada por questões de natureza política, econômica e ideológica. A presente tese pretende realizar um estudo da variedade do português falado em Timor-Leste (doravante PTL) para poder preservá-la, valorizá-la e descrever seus aspectos linguísticos mais notórios. Para tanto, será feito uso da teoria ecolinguística e seus diferentes métodos de análise, que contemplam diversas subáreas linguísticas e extralinguísticas, para que seja possível descrever o fenômeno da presença da língua portuguesa em Timor de maneira mais acurada, contemplando diferentes aspectos do objeto pesquisado. Lembrando que o fato de preservar a variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste trata-se também de uma postura ecológica, visando a manutenção da diversidade linguística do português no mundo. Assim, após a introdução, será feita uma revisão bibliográfica crítica da ecolinguística, no capítulo 1. Os estudos sobre a língua portuguesa em Timor-Leste serão discutidos no capítulo 2. No capítulo 3, serão discutidos aspectos da metodologia ecolinguística. No capítulo 4, será descrito o ecossistema linguístico local de Timor-Leste antes e depois do impacto da colonização europeia, seguido pela análise de quais impactos foram esses. Após este capítulo, será feita a descrição do PTL, no capítulo 5. No capítulo seguinte, o capítulo 6, será analisada a ecologia da aquisição linguística e sua relação com o contexto em que ocorre a aquisição do português em Timor-Leste. O contato de línguas é um fator importante para se entender a situação linguística atual de Timor-Leste, assim no capítulo 7 será estudada a ecologia do contato de línguas no país. Após este capítulo serão feitas as considerações finais da presente tese, enfatizando os resultados encontrados, principalmente o fato da existência de uma variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste, chamada de PTL, e da ecologia da língua portuguesa no ecossistema desse país.

Palavras-chave: Língua portuguesa; ecolinguística; Timor-Leste.

Revista Signótica - Influências das L1 nativas de TL no PT

Em uma postagem anterior, que pode ser acessada aqui, já tinha comentado sobre a comunicação Influências das L1 Nativas no Português de Timor-Leste: Um Estudo dos Marcadores Verbais.Agora, ela acabou de sair em formato de artigo na edição especial da revista Signótica, que pode ser lida aqui: 

O artigo pode ser acessado e lido aqui: http://www.revistas.ufg.br/index.php/sig/article/view/31407.

Este número especial é intitulado Volta ao mundo em língua portuguesa: ensino, promoção e cultura e reúne alguns trabalhos que foram apresentados no IV SIMELP (Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa), que ocorreu em 2013, em Goiânia, na UFG (Universidade Federal de Goiás). Os artigos selecionados para esta edição, que corresponde ao volume 26 deste ano de 2014 (v. 26, 2014), versam sobre o português em Portugal, no Brasil, na África, em Macau, em Timor-Leste e nos Estados Unidos. 

Segue o índice  

Políticas públicas para o ensino de português, em Portugal: a voz de quem implementa e de quem pesquisa               
Madalena Teixeira,  Mônica Nunes  19-59

Políticas linguísticas e língua portuguesa em Macau, China: à guisa de introdução    
Roberval Teixeira-e-Silva, Maria Célia Lima-Hernandes     61-76

Escolas oficiais de Macau (China)          
Ana Rute Santos              77-88

África toma a palavra    
Josiley Francisco de Souza         89-110

Influências das L1 nativas no português de Timor-Leste: um estudo dos marcadores verbais  
Davi Borges de Albuquerque    111-121

Sobre a construção de representações culturais e identitárias em interações online em português entre estudantes franceses, franco-portugueses e brasileiros    
Liliane Santos   123-143

Uma proposta para a promoção do português brasileiro em contexto europeu não lusófono: aspectos didáticos, políticos, econômicos, sociais e linguísticos         
Vânia Cristina Casseb-Galvão   145-160

Estudos da literatura e da cultura no âmbito da língua portuguesa e diplomacia da cultura: carências e possibilidades                
Elias Torres Feijó            161-182

A presença (expansão atual) do português brasileiro nos EUA 
João Marcelo Freitas de Luna       183-196

Wednesday, April 23, 2014

Manuscritos do século XVIII sobre o português em Timor

Acabou de sair o mais novo artigo de minha autoria, intitulado Manuscritos do século XVIII sobre o português em Timor. O artigo foi publicado na Revista de Filologia e Linguística Portuguesa, da Universidade de São Paulo (USP), no volume 15, número 2, do ano de 2013. 

Esta publicação dá continuidade a minha pesquisa sobre a língua portuguesa em Timor-Leste. Neste artigo, procuro traçar as possíveis origens da variedade da língua portuguesa falada em Timor, investigando documentos, datados do século XVIII, escritos em português pelos timorenses. Assim, este trabalho acaba por relacionar diferentes áreas, abordando temas da história, da filologia, do contato de línguas, da crioulística e da dialetologia.      

O artigo pode ser baixado aqui e aqui, e o resumo pode ser lido abaixo:

O presente artigo tem como objetivo analisar traços históricos e linguísticos em documentos de origem holandesa, que datam do início do século XVIII, existentes sobre a língua portuguesa na ilha de Timor. Estes documentos estão localizados no Arsip Nasional (ANRI) ‘Arquivo Nacional’ em Jakarta, Indonésia, e no Koninklijk Instituut voor Taal-, Land- en Volkenkunde (KITLV) ‘Instituto Real Holandês de Estudos do Sudeste Asiático e Caribe’ em Leiden, Holanda. Os documentos holandeses não foram escolhidos de maneira aleatória, a justificativa para a escolha está baseada na escassez de análises existentes sobre essas fontes históricas, quando comparadas à documentação portuguesa, que vem sendo extensamente estudada desde o século XIX por historiadores portugueses e, em menor extensão, por filólogos também de origem portuguesa. Os documentos localizados no arquivo indonésio, que serão o objeto da análise, datam da primeira metade do século XVIII, período no qual ocorreu grande migração lusófona para a ilha de Timor. Já os documentos localizados na Holanda datam do início do século XVIII e serão usados somente para reiterar a análise efetuada, como evidências adicionais. Assim, em (2), serão apontadas as principais características descritas para a variedade da língua portuguesa falada atualmente em Timor-Leste, conhecida como Português de Timor-Leste (PTL), e, em (3), o corpus textual já mencionado será analisado, buscando informações históricas e evidências linguísticas que possam contribuir para um melhor entendimento da origem, formação e desenvolvimento do que hoje veio a ser tornar a variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste. Finalmente, em (4), estão as considerações finais a respeito da análise efetuada.


Sunday, February 23, 2014

Fonética e fonologia do Manbae

Em março de 2013, Helem Andressa de Oliveira Fogaça defendeu sua dissertação de mestrado no PPGL - UnB (Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília) intitulada Estudo fonético e fonológico do Mambae de Same. Uma língua de Timor-Leste, que pode ser lida e descarregada no seguinte link: http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/12959/1/2013_HelemAndressaOliveiraFogaca.pdf.

Seguem o resumo e o abstract:

Resumo: A presente pesquisa é um estudo descritivo da fonética e fonologia da língua Mambae - uma das 16 línguas de Timor-Leste, reconhecidas como patrimônio cultural daquela nação. Para este fim, coletou-se dados linguísticos do Mambae através de gravações realizadas com dois informantes timorenses, falantes de Mambae do sub-distrito de Same, distrito de Manufahi, litoral sul do país, que estavam no Brasil por um curto período. Realizou-se a transcrição fonética e, a partir desta, a análise fonológica dos dados da língua, por meio de contrastes dos sons identificados, a distribuição dos sons e fonemas, a formação das sílabas e palavras, bem como os processos fonológicos presentes na língua Mambae. 

Abstract: This research is a descriptive study of phonetics and phonology of the Mambae language, one of the 16 languages of East Timor, recognized as a cultural heritage of that nation. For this, data was collected from two Timorese language informants, speakers of Mambae from the Same sub-district, the Manufahi district, on the southern coast of the country, who were in Brazil for a short period. A phonetic transcription was done and, from this, the phonological analysis of the language data through contrasts of recognized sounds of Mambae language and of the distribution of alophones and phonemes; it identified the formation of syllables and words, as well as phonological processes in the Mambae language.

Esta dissertação destaca-se por diversos fatores: um dos únicos estudos linguísticos atuais dedicados à língua Manbae, a análise da fonologia da língua muito bem elaborada e a revisão bibliográfica feita pela autora. 

Devo acrescentar somente um ponto para estimular um possível debate acadêmico em relação ao acento em Manbae. Hull (2003) considera o acento em Manbae irregular, o que é errado, já que a autora, Helem Andressa de Oliveira Fogaça, considera corretamente o padrão de troqueu mórico, segundo a fonologia métrica, que basicamente consiste em um sistema de acentuação sensível ao peso silábico. Tal análise está em acordo com  a proposta que elaborei em Albuquerque (no prelo). O troqueu mórico como mostrei neste trabalho (Albuquerque, no prelo) é um padrão de acentuação comum em algumas línguas de Timor-Leste de origem austronésia, como o Manbae, o Galolen, entre outras. 

Ainda, sobre a variação fonética do Mambae, não contemplada na dissertação, o leitor poderá encontrar algumas informações preliminares em um trabalho de minha autoria (Albuquerque 2013), em que discorro sobre o contato de línguas e sua influência na língua Manbae.

Referências: 

ALBUQUERQUE, Davi B. Ecologia dos contatos linguísticos em Manbae, Timor-Leste. In: COUTO, Elza K. N.; ALBUQUERQUE, Davi B.; ARAUJO, Gilberto P. (orgs.). Da fonologia à ecolinguística. Ensaios em homenagem a Hildo Honório do Couto. Brasília: Thesaurus, 2013. p. 251-283. (Disponível para a leitura em: http://easttimorlinguistics.blogspot.com.br/2013/07/ecologia-dos-contatos-linguisticos-em.html)

_____. Restrições métricas da língua tetun no português falado em timor-leste: o acento e a variação. In: MAGALHÃES, José S. Linguística in Focus, Vol. 7. UFU: Uberlândia, no prelo. 

HULL, G. Southern Mambai. Díli: Instituto Nacional de Linguística, 2003. 
  

Thursday, July 18, 2013

Ecologia dos contatos linguísticos em Manbae

Recentemente, fizemos o lançamento da obra Da fonologia à ecolinguística: Ensaios em homenagem a Hildo Honório do Couto durante o IV SIMELP, já mencionado aqui em várias postagens anteriores (nos seguintes links: http://easttimorlinguistics.blogspot.com.br/2013/05/minhas-comunicacoes-para-o-iv-simelp.html, http://easttimorlinguistics.blogspot.com.br/2013/05/a-ecologia-da-mudanca-lexical-no.html, http://easttimorlinguistics.blogspot.com.br/2013/05/influencias-das-l1-nativas-no-ptl.html e http://easttimorlinguistics.blogspot.com.br/2013/07/anais-do-iii-simelp.html). A obra publicada pela editora Thesaurus, de Brasília, é uma homenagem ao Prof. Hildo H. do Couto, conforme o próprio título já antecipa, contando comigo como um dos organizadores e também com um capítulo meu que relaciona contato de línguas e ecolinguística em Timor-Leste 

A obra está em fase inicial de divulgação, assim em breve trarei maiores informações aqueles interessados. Meu capítulo é intitulado Ecologia dos contatos linguísticos em Manbae, Timor-Leste e a referência é a seguinte:

COUTO, Elza K. N.; ALBUQUERQUE, Davi B.; ARAUJO, Gilberto P. (orgs.). Da fonologia à ecolinguística. Ensaios em homenagem a Hildo Honório do Couto. Brasília: Thesaurus, 2013. p. 251-283.

Uma versão prévia do manuscrito está disponível para download em meu perfil do Academia.edu, no link a seguir: http://www.academia.edu/3580052/Ecologia_dos_contatos_linguisticos_em_Manbae_Timor-Leste. Vejam também meu perfil completo com minhas outras publicações em: http://universidadedebraslia.academia.edu/DaviAlbuquerque.

Caso estejam interessados na obra ou em algum outro conteúdo entrem em contato, ficarei muito feliz em tirar dúvidas e dialogar com os colegas e leitores do blogue.

  

Saturday, May 11, 2013

Influências das L1 Nativas no PTL: Estudo dos Marcadores Verbais

Resumo de minha comunicação intitulada Influências das L1 Nativas no Português de Timor-Leste: Um Estudo dos Marcadores Verbais a ser apresentada no simpósio 16 do IV SIMELP:

RESUMO: A ilha de Timor está situada no sudeste asiático, perto da Austrália e das ilhas do Pacífico, possuindo fronteira física com a Indonésia. Apesar de a colonização portuguesa da ilha ter iniciado no século XVI, a presença efetiva do colonizador europeu ocorreu somente por volta do século XVIII, findando por volta do ano de 1975, quando a Indonésia invadiu e dominou a parte leste da ilha. No ano de 1999, o país reconquistou sua independência e, em 2002, a constituição da República Democrática de Timor-Leste elegeu como línguas oficiais o português e o Tétum-Praça (Tetun Prasa), ao lado do inglês e indonésio como línguas de trabalho. A política linguística da coroa portuguesa para o chamado Timor Português foi a de ensinar a língua portuguesa apenas aos cidadãos importantes: timorenses que tinham qualquer influência sobre as suas aldeias, como: reis, príncipes, sacerdotes e outras pessoas com origens nobres. Esta política sofreu modificações somente no final do século XIX, exatamente no ano de 1898 com a fundação do Colégio de Soibada, quando a administração portuguesa decidiu investir no ensino e nas escolas. Porém, tal situação veio a se modificar, logo em seguida, no século XX, com a invasão japonesa a Timor (1942-1945) e, posteriormente, com a dominação indonésia já citada (1975-1999). Esse contexto contribuiu na formação de uma variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste com alguns traços linguísticos específicos, assim como de outras variedades já conhecidas e melhor estudadas, como o Português de Moçambique (PM) e o Português de Angola (PA). A presente comunicação pretende analisar a variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste, chamada aqui somente de Português de Timor-Leste (PTL), apresentando uma característica notória dessa variedade que é o uso de certos advérbios como marcadores temporais, aspectuais e modais do verbo, principalmente o emprego de já como marcador de aspecto perfectivo, ainda marcador de aspecto progressivo/durativo, ainda não como modalizador negativo. Tais marcadores verbais podem ser encontrados também em vários crioulos, notavelmente nos crioulos de base lexical portuguesa. Porém, sem descartar uma possível influência do Crioulo Português de Malaca, do Crioulo Português de Macau e dos crioulos indo-portugueses em Timor-Leste, é argumentado neste trabalho, assim como são apresentadas várias evidências com base nos dados linguísticos coletados em campo, que a influência principal na existência desses marcadores no PTL é a língua materna (L1) do cidadão leste-timorense, já que a maioria das línguas nativas de Timor-Leste é de origem austronésica, com a presença de um grande número de marcadores pré-verbais e pós-verbais para expressar as categorias de tempo, modo e aspecto no verbo. Assim, serão apontadas diversas características dessas línguas maternas, enfatizando a língua Tetun, e a influência delas no PTL.       

PALAVRAS-CHAVE: Língua portuguesa; Timor-Leste; gramaticalização; multilinguismo.

Minhas comunicações para o IV SIMELP

Em uma postagem anterior (http://easttimorlinguistics.blogspot.com.br/2012/10/iv-simelp-com-simposio-dedicado-ao.html), divulguei minha proposta de simpósio, em autoria com a colega Profa. Regina Pires de Brito. Este simpósio será dedicado à língua portuguesa em Timor-Leste, intitula-se O português em Timor-Leste e o português de Timor-Leste, e fará parte do próximo SIMELP. Lembrando que o IV SIMELP (Simpósio Mundial de Estudos de Língua Portuguesa), com subtítulo de Língua Portuguesa: Ultrapassando fronteiras, unindo culturas, acontecerá entre os dias 02 e 05 de Julho de 2013, na UFG (Universidade Federal de Goiás). Mais informações podem ser acessadas em http://eventos.ufg.br/SIEC/portalproec/sites/gerar_site.php?ID_SITE=5921 (site antigo) ou em http://www.simelp.letras.ufg.br/ (site atualizado). 

Agora, nesta postagem, para dar continuidade a minha pesquisa, comentarei um pouco mais sobre as duas comunicações a respeito do Português de Timor-Leste (PTL) que apresentarei a este evento, sendo que a primeira, Influências das L1 Nativas no Português de Timor-Leste: Um Estudo dos Marcadores Verbais, fará parte do simpósio mencionado acima, que será o simpósio 16, enquanto haverá uma segunda comunicação de minha autoria, que também analisará o PTL, porém fará parte de outro simpósio, o simpósio 10 (Variedades estigmatizadas de português: uma visão Ecolinguística e sociolinguística), no qual o tema versará sobre uma análise ecolinguística do PTL e tem o seguinte título: A ecologia da mudança lexical no português falado em Timor-Leste.

Os resumos já estão disponíveis no caderno de resumos do evento, que podem ser baixados em http://www.simelp.letras.ufg.br/simposios/simposios_01_20.pdf, assim como os colocarei separadamente nas próximas duas postagens. 

Wednesday, April 10, 2013

Os crioulos portugueses de Batavia e Tugu - Livro de Philippe Maurer

Em um post anterior falei da presença da língua portuguesa na Indonésia, especialmente na ilha de Flores, que pode ser lido em http://easttimorlinguistics.blogspot.com.br/2011/05/lingua-portuguesa-em-flores-indonesia.html. Dando continuidade a este tema, nesta postagem falarei sobre uma publicação que trata exaustivamente dos crioulos de base lexical portuguesa que se formaram na Indonésia, antiga Batávia e Tugu.

No último número da Revista de Crioulos de Base Lexical Portuguesa e Espanhola (RCBLPE) (Journal of Portuguese and Spanish Lexicaly-Based Creoles), vol. 3, ano 2012 (http://www.umac.mo/fsh/ciela/rcblpe/vol3_pt.html), saiu uma resenha de um livro que trata dos crioulos portugueses da Indonésia, assunto que interessa a mim e aos leitores do blogue. Dessa maneira, resolvi comentar a resenha e a obra também.   

A resenha foi feita por Anthony P. Grant do livro de Philippe Maurer The former Portuguese Creole of Batavia and Tugu (Indonesia), publicado no ano de 2011 pela Battlebridge Publications, e pode ser lida e baixada no seguinte link: http://www.umac.mo/fsh/ciela/rcblpe/doc/2011_Maurer_review_-_Grant.pdf.

O livro de Maurer está dividido em oito capítulos, assim falarei rapidamente de cada um deles para, posteriormente, comentar a resenha de Grant. No capítulo 1, há uma introdução, apontando algumas características básicas das comunidades falantes dos crioulos, assim como os documentos existentes. no capítulo 2, o autor realiza algumas observações sobre a fonologia desses crioulos, mas vale lembrar que as informações fonológicas são inferenciais, com base na grafia da documentação, e comparativas, com os demais crioulos portugueses asiáticos, já que não há nenhuma gravação dos crioulos de Batavia e Tugu. o capítulo 3 é o maior do livro, onde Maurer realiza a descrição morfossintática dos crioulos, seguido pelo capítulo 4 que aponta os principais processos de formação de palavras. No capítulo 5, são apresentados dados relativos a influências não lusófonas, sendo as principais do malaio, holandês e javanês. Nos capítulos finais, há a reprodução dos dados linguísticos existentes sobre os crioulos, contendo textos e vocabulário, encerrando a tríade comumente utilizada por crioulistas para se realizar a análise de línguas crioulas: gramática, textos e dicionário. 

A resenha de Grant expõe de maneira exemplar os capítulos apresentados de maneira sumária no parágrafo anterior. Após tal exposição, Grant aponta os pontos positivos do livro, sendo os seguintes: a grande contribuição para a crioulística, reunindo em uma só obra a análise e a documentação existente sobre os crioulos de Batavia e Tugu, algo nunca feito anteriormente; a análise diatópica é feita de maneira sutil no decorrer de toda a obra, por meio de exemplos de um e outro crioulos; o livro é escrito em um inglês de fácil leitura; as ilustrações (fotos e gravuras) presentes no livro dão um toque estético de muito bom gosto à obra. Como pontos negativos, Grant chama a atenção somente para: a ausência de uma análise diacrônica dos crioulos, já que há documentos que datam do século XVII até o século XIX, porém tal fato se dá não por falha do autor do livro, mas pela diferenciação na documentação dos crioulos; e a língua inglesa utilizada na escrita, apesar de ser excelente, apresenta uma tendência à 'escrita continental' (referindo-se à escrita da língua inglesa por não nativos, já que o autor, Maurer, não é falante nativo de inglês, enquanto o resenhista, Grant, é), chegando Grant a encontrar um erro de grafia.          

Assim, recomendo a todos os interessados no tema da língua portuguesa na Indonésia (história, desenvolvimento, o contato de línguas e a formação e extinção dos crioulos) a leitura deste livro de Maurer, juntamente com a resenha de Grant, que pode servir como uma ferramenta introdutória também aos interessados.

Friday, August 24, 2012

Traços de CPs Asiáticos no Português de Timor-Leste

No VII Encontro da ABECS em conjunto com o XIII Encontro da ACBLPE, que ocorreu de 30 de Julho a 03 de agosto deste ano, em 2012, na USP, em São Paulo, apresentei a comunicação intitulada Alguns traços de crioulos portugueses asiáticos no Português de Timor-Leste que consta no caderno de resumos do evento, podendo ser baixado no link: http://www.fflch.usp.br/dlcv/lport/site/abecs/caderno_abecs_acblpe.pdf.

Para os interessados na leitura segue o resumo, que em breve será publicado em formato de artigo: 

"A variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste até tempos recentes não havia despertado interesse dos pesquisadores. A primeira referência ao português falado em Timor-Leste data somente do início do século XX, com a publicação da obra clássica do filólogo português José Leite de Vasconcelos: Esquisse d’une dialectologie portugaise (1901). No decorrer deste mesmo século, poucos foram os trabalhos que procuraram analisar essa variedade do português e, ainda, no escasso número de publicações existentes é possível verificar uma clara confusão entre a variedade do português falada em Timor, chamada aqui somente de Português de Timor-Leste (PTL), e o crioulo de base lexical portuguesa formado neste mesmo país, especificamente em um bairro da capital, chamado de Bidau, daí o nome de Crioulo Português de Bidau (CPB), conforme analisado por Baxter (1990). A distinção entre a variedade da língua portuguesa e a variedade crioula veio somente a ser apontada em Thomaz (1974, 1985). Nos últimos anos, alguns linguistas vêm se dedicando ao estudo do PTL, apresentando trabalhos significativos como: Carvalho (2001), que pesquisou a antroponímica leste-timorense (2001) e elaborou um corpus para o estudo do léxico do PTL (Carvalho, 2002/2003); Brito (2002, 2004) elaborou uma série de artigos sobre o PTL, abordando de maneira introdutória questões de sociolinguística e política linguística; em Brito e Corte-Real (2002) há uma análise das peculiaridades do PTL no nível fonético-fonológico; Albuquerque (2010) realizou um estudo introdutório sobre a prosódia do PTL, seguido por um panorama linguístico do PTL (Albuquerque, 2011a) e uma análise léxico-semântica desta variedade (Albuquerque, 2011b).

A presente comunicação identificará traços de crioulos portugueses asiáticos, entre eles: Crioulo Português de Malaca (CPMal) (Baxter, 1988), Crioulo Português de Macau (CPMac) (Batalha, 1958; Baxter, 2009), o Indo-português de Korlai (Clements, 1996) e o Indo-português de Diu (Cardoso, 2009), existentes no PTL. Entre esses traços, destacam-se: na fonologia, as consoantes palatais realizadas como seus correlatos alveolares; na morfossintaxe, o verbo ‘poder’ em sua forma pode, funcionando como modal e sua negação como mpode, nupode; os verbos ‘ir’ e ‘vir’, nas formas vai e vem, com funções de modo/aspecto e marcador de direção; a variação de forma do pronome de 3ª pessoa do singular e ~ el ~ ele; o verbo ter, na forma tem, como verbo existencial; o lexema ‘gente’ empregado com função de pronome indefinido ‘alguém’ e pronome pessoal ‘eu’; ‘já’ como marcador de aspecto perfectivo. O objetivo da identificação de características em comum entre crioulos portugueses asiáticos e o PTL é utilizá-las como evidências que corroborem para uma hipótese sobre origem do PTL ter se dado a partir do CPB que ao conviver em situações multilíngues com o português europeu assimilou diversos de seus elementos, juntamente com outras variedades crioulas que tiveram influência em Timor, principalmente o CPMal e CPMac."     

Referências:
ALBUQUERQUE, Davi B. Peculiaridades prosódicas do português falado em Timor Leste. ReVEL, v.8, n.15, p.270-285, 2010.
_____. O Português de Timor Leste: contribuição para o estudo de uma variedade emergente. Papia, v. 21, n.1, p.65-82, 2011a.
____. O element luso-timorense no português falado em Timor Leste. ReVEL, v.9, n.17, p.226-243, 2011b.
BATALHA, Graciete N. Estado actual do dialecto macaense. Revista Portuguesa de Filologia, v. 9, p.177-213, 1958.
BAXTER, Alan. A grammar of Kristang (Malacca Creole Portuguese). Camberra: Pacific Linguistics, 1988.
_____. Notes on the Creole Portuguese of Bidau, Timor. Journal of Pidgin and Creole Languages, v.5, n.1, p.1-38, 1990.
_____. O português em Macau: contacto e assimilação. In: CARVALHO, Ana M. (org.) Português em Contato. Vervuert/ Iberoamericana: Frankfurt/Madri, 2009. p.277-312.
BRITO, Regina P. Reflexões sobre o português em Timor-Leste. Revista Mackenzie educação, arte e história da cultura, v. 2, p.87-95, 2002.
_____. A língua adormecida: o caso Timor-Leste. In: BASTOS, N. M. (org.) Língua portuguesa em calidoscópio, p. 319-329.  São Paulo: Educ/Fapesp, 2004.
BRITO, Regina P.; CORTE-REAL, Benjamin. Algumas especificidades fonético-fonológicas da variante do português timorense. Actas do VIII Simpósio internacional de comunicación social, v.1, p.147-151, 2002.
CARDOSO, Hugo. The Indo-Portuguese language of Diu. Utrecht: LOT, 2009.
CARVALHO, Maria José. Timor Lorosa’e, características das línguas crioulas e do português conservado na zona – contribuição para a língua oficial. Studies of Language and Cultures of East Timor, v.4, p.20-36, 2001.  
_____. Aspectos lexicais do português usado em Timor Leste. Studies of Language and Cultures of East Timor v.5, p. 25-40, 2002/2003.   
CLEMENTS, Joseph C. The genesis of a language. Amsterdam: John Benjamins, 1996.
THOMAZ, Luis Filipe. Timor: Notas histórico-linguísticas. Portugaliae Historica, vol.2, p.167-300, 1974.
_____. A língua portuguesa em Timor. Actas do Congresso sobre a situação actual da língua portuguesa no mundo, vol. 1, p. 313-319. Lisboa: Instituto de cultura e língua portuguesa, 1985.
VASCONCELOS, José L. Esquisse d’une dialectogie portugaise. Lisboa: Centro de Estudos Filológicos, 1970 [1901].

Sunday, July 22, 2012

Um perfil interessante no Acemia.edu - Schapper

Compartilho com aqueles que tiverem interesse o perfil da pesquisadora Antoinette Schapper no Academia.edu que é o seguinte link http://leidenuniv.academia.edu/AntoinetteSchapper. Nele há uma série de publicações de interesse da autora, como: livros, artigos e apresentações, assim como a linguista aponta suas pesquisas que estão em desenvolvimento, juntamente com aquelas que ela pretende iniciar no futuro. Ainda, há também as seções de interesses e de seguir a pesquisa de outros colegas linguistas, sendo possível aqui acessar trabalhos muito interessantes sobre linguística e sobre Timor-Leste.

Para aqueles que não a conhecem, a autora desenvolveu uma descrição gramatical do Bunaq (língua de origem papuásica falada no distrito de Bobonaro, em Timor-Leste, próximo à fronteira com a Indonésia), atualmente está a elaborar um dicionário da mesma língua leste-timorense, pesquisa questões de contato de línguas em Timor-Leste (especificamente o contato Bunaq, Kemak e Tetum Terik na região citada), e também estuda as relações históricas das línguas classificadas como pertencentes ao grupo Timor-Alor-Pantar, enfocando tanto nas relações genéticas destas línguas, assim como na descrição linguística delas.

Então, aos que se interessam, fica registrado mais este link.

Saturday, April 28, 2012

Minha dissertação sobre o Tetun Prasa

Recentemente, alguns colegas linguistas se interessaram por minha dissertação de mestrado que foi defendida no ano passado, em 2011, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) da Universidade de Brasília (UnB).

O repositório digital de teses e dissertações da UnB possui um link para minha dissertação, que compartilho com os interessados:

Ainda, esta é uma versão prévia de uma gramática do Tetun Prasa. Porém, estou em fase de terminar uma versão revisada e estendida desta gramática para ser publicada possivelmente no próximo ano, em 2013.

Segue um resumo:

"A língua Tetun, em sua variedade Tetun Prasa, é a língua oficial da República Democrática de Timor-Leste, desde a constituição de 2002, juntamente com a língua portuguesa. Timor-Leste, em um pequeno território, possui cerca de 16 línguas pertencentes a filiações genéticas diferentes. Desta maneira, há evidências de que a variedade Tetun Prasa já funcionava como língua franca de Timor em um período anterior à chegada dos portugueses, por volta do ano 1515. A presente dissertação objetiva elaborar um esboço de gramática do Tetun Prasa. Para tanto, discorre sobre a história da ilha; analisa os contatos linguísticos, a situação atual de multilinguismo e as contribuições anteriores de estudiosos a respeito da língua Tetun; aponta aspectos notáveis do léxico tetumófono; procura fazer uma proposta de análise fonológica da língua para servir de base à descrição morfossintática e, finalmente, descreve a morfologia e a sintaxe desta variedade do Tetun."

Wednesday, August 03, 2011

Sobre o lexema 'malae' - 2

Conforme comentei no post anterior, Sobre o lexema 'malae' - 1
(http://easttimorlinguistics.blogspot.com/2011/08/sobre-o-lexema-malae-1.html),
reproduzo aqui o texto intitulado Malai! Malai! do blog Direto de Timor-Leste de autoria do Prof. Cesar Cavalcante. O post desse blog faz referências a diversas fontes bibliográficas a respeito da origem da palavra malae, principalmente em relação ao significado principal 'estrangeiro'.  

Malai! Malai!
Por Cesar Cavalcante

Uma das primeiras palavras que aprendi na língua tétum foi "Malae" ou  "Malai",  no português falado em Timor Leste. Sempre foi-me dito que "malai" significava estrangeiro, um parente próximo da expressão "Gringo" que utilizamos com frequência  no Brasil, quando nos referimos a um estrangeiro.

Fiquei muito curioso com a origem dessa palavra, já que segundo percebi, é uma das primeiras expressões que as crianças aprendem falar. Nós brincamos e dizemos que as crianças aprendem falar Malai antes de mamãe!

É muito comum um estrangeiro passar na rua e ouvir Malai bom dia, Malai para onde vai, Malai me dar um rebuçado (a nossa bala). Quando se trata de crianças, que sempre estão em grandes grupos, eu  sempre escuto, Malai, Malai, Malai... e elas só param de gritar quando eu olho e as cumprimento com um oi!!

Alguns colegas s acham que Malai é uma palavra pejorativa, que é uma forma dos timorenses dizerem que nós somos os estrangeiros. Eu sempre rebato e digo, como pode ser pejorativa uma palavra dita por uma criança, que às vezes nem sabe andar direito. Aí sempre escuto, ah foi o pai dela que ensinou.

Então resolvi "acabar" de vez com a discussão e procurei a origem dessa palavra.

Alguns timorenses me afirmaram que a palavra "Malai" tem origem na palavra  Malay, que pode designar a língua austranésia falada na Malaysia, Indonesia, Singapore, Brunei e Tailândia o Bahasa Melayu e suas variações, ou então os habitantes da Malaysia. A explicação para isso é que um dos primeiros estrangeiros a chegar na ilha de Timor Leste, foram os malasianos e por isso o uso do termo.

Já ouvi outra explicação para a palavra. Os primeiros estrangeiros que chegaram aqui em Timor Leste, traziam malas e os nativos nunca haviam visto malas e quando aprenderam o nome Mala, associaram Mala a Malai, ou seja aquele que carrega malas (estrangeiro).

Essas duas origens diferentes para a mesma palavra carecem de uma boa referência histórica, que eu não consegui encontrar.

Buscando em artigos científicos e em textos na internet encontrei as seguintes citações no site East Timor Studies de João Paulo Esperança:

 "A. Mendes Corrêa no seu "Timor Português" (1944) diz que "por malai entendem os indígenas de Timor os estranhos, os Malaios de outras ilhas, os Chinas, os negros de África, os Árabes, os Portugueses metropolitanos, os Holandeses, os Europeus em geral.  Os timorenses não se consideram Malaios, muito pelo contrário."

"Luís Thomaz num artigo de 1974, "Timor – Notas histórico-linguísticas", pág. 231, defende que: "Por sua vez o nome que os malaios dão a si mesmos – melayu – tornou-se em Timor, sob a forma malae sinónimo de "estrangeiro, pessoa de fora de Timor" - recordação do tempo em que os malaios eram os únicos estrangeiros que apareciam nas costas da ilha. Osório de Castro nota que em Maluco o termo melayu é usado com o mesmo sentido." Essa citação justifica a primeira origem da palavra que eu expus. 

Mas mesmo com essas duas citações, algumas pessoas acreditam que Malai e Melayu, tem significados e origens diferentes. 
Crianças timorenses
Foto do Blog da Missão Científica Botânica em Timor-Leste

Ainda com referência a pesquisa feita por João Paulo Esperança,   Aone van Engelenhoven e John Hajek dizem-nos No seu artigo "East Timor and the Southwest Moluccas: Language, Time and Connections" (2000), (pág. 121):

«A importante distinção entre os chamados `donos da terra' e `donos dos barcos' nas ilhas do Sudoeste das Molucas é não apenas crítica para as estruturas sociais na região, mas também um importante indicador histórico das relações com Timor no passado. Os ornusa ou clãs `donos da terra' eram os verdadeiros senhores da terra, que já viviam nas ilhas antes da chegada dos `donos dos barcos'. Há textos históricos que revelam que a chegada dos donos dos barcos foi despoletada pela destruição da sua `Ilha Mãe'. Esta destruição é tradicionalmente explicada como o castigo supremo por uma luta fratricida que era proibida. Os nomes usados nestas histórias fornecem pistas importantes sobre ligações com Timor. Qualquer coisa que inclua malai como elemento reverte para Timor – o que se vê por exemplo em Sairmalai, o nome timorense do herói letinense Slerleti. ((32 A palavra malai, apesar das aparências, não tem nada a ver com Malay (ing.) [ou malaio (port.)], uma malformação europeia de melayu.)) O resultado é que todos os heróis, e consequentemente também os clãs que deles descendem, são considerados como sendo de origem timorense. O segmento Malai (lit. `Timor') em muitos apelidos de família é altamente reverenciado devido à sua referência óbvia. Os exemplos incluem os apelidos Pelmalai `aliado timorense' na ilha de Nila, e Maranmalai na ilha de Léti.

Reuniões recentes entre famílias keienses e do Sudoeste das Molucas na Holanda revelaram como ambos os lados tinham em comum narrativas semelhantes sobre a destruição de uma terra ou continente no ocidente (centrado na área de Timor-Luang). As histórias dos clãs falam sobre barcos que navegavam para o oriente a partir de Lun-Let, o nome keiense para o continente que era Luang. Os mitos letinenses contam-nos sobre pessoas que navegavam para e de Timor, e sobre o estabelecimento de povoações de `donos de barcos' na costa de Malakitna-Malaliawna, o irmão mais novo (com malai `Timor' bastante evidente).
Ancião timorense
Foto de Celina Silva

As ligações entre comunidades em Timor-Leste e no Sudoeste das Molucas mantiveram-se mais directamente até tempos relativamente recentes. Alianças formais tradicionais, por exemplo, foram mantidas entre os governantes tradicionais de Kísar e Baucau até perto de meados deste século, mas acabaram por ser quebradas pelos portugueses. Também é verdade que laços de comércio tradicional foram mantidos até mais recentemente ainda, particularmente com comerciantes que falavam tétum de Leti e de Luang que se sabia visitarem Timor-Leste.» (A tradução do inglês é minha.)

Lendas na língua de Léti que mencionam esta ligação a Timor (Malai), e a sua análise antropológica e linguística, podem ser consultadas no livro de Aone van Engelenhoven "Leti, a language of Southwest Maluku" (2004), por exemplo nas págs 328, 329, 398.

Os dados destes autores relativos à antroponímia parecem ocorrer também entre os fatalucos da Ponta Leste de Timor, conheço uma moça de lá, de uma família "ratu" (da nobreza), cujo nome tradicional (o do knua, não o dos documentos nem o "nome de estima" de casa) é Jar Malai. Na segunda parte do "Léxico Fataluco-Português" do Padre Alfonso Nacher, publicado na revista do Instituto Nacional de Linguística (2004), na pág. 122 pode ver-se que nesta língua a palavra "malai" pode significar "estrangeiro" mas também "liurai" (rei).

Referências: http://groups.yahoo.com/group/east-timor-studies/message/3724


(Texto extraído do blog Direto de Timor-Leste e pode ser acessado e lido no original no seguinte link:
http://timorlorosaeceara.blogspot.com/2010/07/malai-malai.html)

Sobre o lexema 'malae' - 1

A palavra malae, variando com malai, amplamente usada Timor (na área linguística leste-timorense), possui como significado principal 'estrangeiro', ou de maneira pejorativa 'gringo', já que em situações formais caso o falante tetumófono deseja se referir a tal conceito se utiliza do composto rai liur. Atualmente, o lexema malae está limitado a grupos sociolinguísticos específicos, possuindo frequência maior entre a faixa etária mais nova (- 20 anos) e nos adultos a frequência alta está limitada a indivíduos com baixa escolaridade, já que usar malae para chamar alguma pessoa pode parecer uma atitude grosseira ou desrespeitosa.

Já a origem do lexema  malae é um tanto controverso, há duas teorias principais: uma que se baseia no relativo isolamento de Timor e seu contato predominante com indivíduos malaios, daí a referência a 'malaio' como estrangeiros em geral; outra argumenta a favor de que o lexema vem de malai nome dado a 'Timor' pelos nativos vizinhos e não possui ligação com malaio.

Assim, no próximo post, Sobre o lexema 'malae' - 2 (este post já está disponível para leitura no link
http://easttimorlinguistics.blogspot.com/2011/08/conforme-comentei-no-post-anterior.html),
eu reproduzirei o texto do prof. Cesar Cavalcante do blog Direto de Timor-Leste (Timor Lorosae Ceará), que se baseou na pesquisa feita por João Paulo Esperança. Até lá!