Monday, September 12, 2011

O futuro do português em Timor-Leste - 4 A resolução do parlamento



Há alguns dias atrás, no dia 29 de agosto, saiu outra notícia interessante da Agência Lusa e publicada no Página Global, no link:
sobre o status da língua portuguesa em Timor-Leste. 

Desta vez, a notícia fala de uma resolução aprovada pelo parlamento leste-timorense que recomenda ao governo investir e realçar o ensino de Português e Tetun. Mas, o leitor pode perguntar, isso é bastante diferente do que vem sido dito nas notícias anteriores, não é? (sobre a abolição da língua portuguesa no ensino básico, que partiu do executivo, e é um primeiro passo de um plano com lobbie australiano para erradicar o português  de Timor-Leste). Posso afirmar com certeza que não, já que são duas esferas governamentais diferentes, uma o parlamento e a outra o executivo.

Essa notícia serve apenas para ser apresentada como mais um argumento de algo está errado dentro do governo leste-timorense. Basicamente, é o executivo aprovando uma coisa e o parlamento aprovando outra exatamente oposta. O que será que está acontecendo? 

Será que este é outro plano da suposta "ajuda internacional"? Criar a fragmentação político-ideológico no governo leste-timorense e deste para o resto da população? Pergunto-me: mas será que os auxílios internacionais não deveriam fazer o contrário? Ajudar o país a se reconstruir? E não dividi-lo?

Bem... deixo aqui essas várias dúvidas minhas, e se algum leitor souber responde-las ficarei muito grato! 

Em breve, continuarei postando mais sobre o assunto, continuando a análise da proposta Educação multilíngue baseada em língua materna, conforme iniciei em O futuro do português em Timor-Leste - 3 O que é essa tal de 'educação multilíngue em língua materna'?, disponível no link:


Friday, September 09, 2011

O futuro do português em Timor-Leste - 3 O que é essa tal de 'educação multilíngue em língua materna'?


A proposta da Educação multilíngue baseada na língua materna foi supostamente elaborada por um grupo de trabalho intitulado Língua na educação. Este grupo se reuniu em 2008 e formulou as diretrizes da proposta somente em 2010. Curiosamente, o grupo é formado por 18 membros, nenhum com formação em linguística, destes a maioria, cerca de 12 pessoas, possuem ligação direta com o governo leste-timorense, enquanto os demais possuem alguma ligação indireta ou são de entidades internacionais em atuação em Timor-Leste (em breve colocarei também os documentos para download).

Ainda, alega-se na introdução do documento, editado pela Komisaun Nasional Edukasaun, Ministério da Educação da República Democrática de Timor-Leste e UNICEF, que teve consultoria de apenas dois profissionais doutores da área. Além da escolha aparentemente aleatória de consultores, pois deveriam ser consultados linguistas de renome internacional, com pesquisas e experiência nas línguas leste-timorenses, mas não é o caso dos consultores escolhidos, o número de consultores também é inadmissível, já que uma proposta como a Educação multilíngue baseada na língua materna que se pretende implantar a curto, médio e longo prazos deveria ser elaborada por um grande números de profissionais de renome e experientes das áreas de educação e linguística, assim como deveria passar pela consultoria de outra equipe independente também formada por um time de excelência em linguística e educação. Conforme li e analisei ambos os documentos, posso assegurar ao leitor e a qualquer um dos profissionais envolvidos que isto não aconteceu!

Minha análise envolveu duas publicações do Educação multilíngue baseada na língua materna, uma com o subtítulo Política Nacional e outra com o subtítulo Plano de Implementação. Foram tantos erros encontrados (de natureza formal, estrutural, linguística, científica e ideológica) que não sei nem ao menos por onde começar!

Na dúvida resolvi começar pelo óbvio, o início!     

Dividi minha análise em duas grandes partes apenas: uma apontando erros gramaticais, outra realizando uma série de comentários ao texto, praticamente linha por linha.

Um documento que pretende implantar um novo sistema educacional em um país inteiro não deve ser elaborado da maneira que o foi, como disse acima. Além disso, não deve conter tantos erros gramaticais na língua oficial do país, no caso o português. A quantidade gigantesca de erros de língua portuguesa já serve como evidência e argumento ao verdadeiro descaso que tais profissionais que o escreveram possuem em relação à língua portuguesa.   

Por questões de espaço, não colocarei neste blog minha análise completa dos dois documentos, pois foram cerca de 29 páginas (no processador de textos Microsoft Word) de erros apontados e comentários de minha autoria (14 páginas para Política Nacional e 15  páginas para o Plano de Implementação).

Desta maneira, faço um recorte do objeto a ser analisado somente para o leitor honesto formar seu próprio pensamento e opinião a respeito. Limitar-me-ei aqui a apontar erros gramaticais somente no corpo do texto do Política Nacional, que são apenas 6 páginas (o total de páginas da publicação é 20, se incluirmos capa, índice e apêndices, o que geralmente não se faz).

Nas 6 páginas de texto sobre a Educação multilíngue baseada na língua materna encontrei erros ortográficos como: urgente mente, e conómicos, hão-de (palavras separadas sem motivo); lingua, bilingue, multilingue, concluido, constroe (todos sem acentos e-ou com erros ortográficos); trasnferência, constitruição, sisteme (letras trocadas ou inseridas). Isto apenas para mencionar alguns dos vários existentes. O mesmo é válido para erros de construção sintática, já que o texto inteiro está cheio de períodos como: uma educação eficiente e eficaz e também sobre a os direitos culturais e é considerado como a “terceira língua” ou L3 de dos Timorenses dentre tantos outros.

Para finalizar, peço aos meus leitores para fazerem um exercício de pensamento comigo. Imaginem por um momento que vocês elaboraram um projeto da mesma maneira (cheio de erros gramaticais, sem nenhum um estudo prévio e nenhum embasamento científico) e pretendem implantar este projeto para modificar uma esfera social específica de um país inteiro (neste caso a educação). Depois dessa tarefa de pensamento, deem um passo a frente. Agora imaginem quem, ou qual instituição, seria (in)capaz de aceitar publicar e, posteriormente, implantar este suposto projeto...

Vocês imaginaram tudo isso?

Então, acho que somente há duas respostas lógicas! A primeira, no mundo real, ninguém jamais aceitaria semelhante proposta indecorosa de baixa qualidade. Porém foi aceita, e nós estamos no mundo real! Então, resta-nos somente a segunda resposta; tal projeto foi aceito não por seus méritos, mas por interesses subjacentes a ele. Interesses de pessoas e instituições que sempre mascaram seus verdadeiros objetivos, ou seja, o lobo em pele de cordeiro...

No próximo post colocarei meus comentários ao texto Educação multilíngue baseada na língua materna – Política Nacional.      

Thursday, August 25, 2011

O futuro do português em Timor-Leste - 2 A legalidade da nova política linguística


eu estava pesquisando e fazendo várias leituras antes de voltar a escrever sobre o tema do Decreto-Lei que visa abolir a língua portuguesa do ensino básico leste-timorense, quando me deparei com um interessantíssimo post do colega António Veríssimo, já escrito em dias anteriores a minha pesquisa, datando do dia 19 de Agosto, ao blog Página Global: 

Um dos tópicos que falei que seria abordado por mim sobre o decreto-lei era a respeito de suas bases legais. Segundo o post citado acima, intitulado Timor-Leste - Educação: Abolição da Língua Portuguesa é “Ilegal e Inconstitucional”, as bases do decreto-lei ferem a própria constituição da República Democrática de Timor-Leste, que pode ser acessada e lida aqui: http://www.gov.east-timor.org/PMpage1.htm.

Ainda, reproduzo abaixo os comentários de um leitor do blog Página Global que contribuiu com seus conhecimentos profissionais sobre leis. Partindo do pressuposto já corrupto e-ou maldoso do governo leste-timorense, que deve gozar de uma assessoria jurídica que os oriente dentro da legalidade a respeito de aprovações de decretos-lei. Na posse da orientação jurídica com bases legais, tal decreto-lei deveria ser vetado de imediato. Mas pergunto se isso acontecerá de verdade, já que um dos motivos da abolição da língua portuguesa é o interesse nas próximas eleições, que acontecerão em 2012.

Seguem as citações:
Nos termos do n.º 2, alínea l, do artigo 95.º da Constituição da República Democrática de Timor-Leste, o Parlamento Nacional tem reserva absoluta (exclusiva) de competência legislativa para legislar sobre as bases do sistema de ensino, tendo aquele órgão, no uso dessa sua competência, aprovado a Lei n.º 14/2008, de 29 de Outubro – Lei de Bases da Educação.

Sucede, porém, que nos termos do artigo 9.º da Lei n.º 14/2008, “As línguas do sistema de ensino timorense são o tétum e o português”, o que muito bem se compreende por se tratar das duas línguas consagradas constitucionalmente como línguas oficiais da República Democrática de Timor-Leste, estando por essa razão bem o legislador ao colocá-las em plano de igualdade em sede de Lei de Bases da Educação.

Assim sendo, só posso concluir pela existência de uma ignorância absoluta relativamente à Lei de Bases da Educação de Timor-Leste, nomeadamente por parte de quem presta assessoria jurídica neste país. (Grifo meu para apontar a convergência com o que mencionei acima).

Não me querendo alongar, e não apresentando soluções técnico-jurídicas para o problema, até porque não sou pago para o fazer, apenas direi o seguinte: “É manifesto que o Decreto-Lei que dizem ter sido aprovado viola de forma explícita e grave o disposto no artigo 9.º da Lei n.º 14/2008 (Lei de Bases da Educação), consubstanciando, ainda, por razões que me dispenso de explicitar, uma tríplice inconstitucionalidade: formal, orgânica e material.”

Sugere ainda mais e também manifesta a sua apreensão sobre o futuro da Educação timorense: “… peça a um jurista para analisar a situação, e ele lhe dirá que o acto legislativo agora aprovado, o tal Decreto-Lei que conduz à abolição da língua portuguesa nos dois primeiros anos do ensino básico, é ilegal e inconstitucional”.

Em outra sede, apenas lhe direi que, em face das fragilidades do sistema educativo timorense actual, em várias das suas componentes, obviamente uma situação herdada, e daqueles que julgam pensar a Educação quando desta nada percebem, não auguro nada de bom para o futuro da educação timorense, em prejuízo manifesto das futuras gerações!  

(relembro ao leitor que as citações são do artigo que pode ser acessado em:

Assim, conforme foi apontada acima, essa proposta vem de pessoas leigas e desconhecidas do assunto, que se fantasiam de ‘bonzinhos’ ou de ‘pessoas do povo’ que ‘amam’ Timor para apenas implantarem um sistema educacional sem base alguma que prejudicará toda a geração atual e as gerações futuras e beneficiará somente a poucas figuras, que não mencionarei, mas que são facilmente identificadas como lobistas da anglofonia.

Concluo este segundo post, intitulado A legalidade da nova política linguística, da série O futuro do português em Timor-Leste, apenas enfatizando que esta reforma, se implantada, não terá nada de reforma educacional, mas será apenas uma reforma política que usará o povo leste-timorense como ferramenta descartável para interesses de um pequeno grupo privilegiado.

Em breve escreverei mais a respeito desta reforma polêmica, assim como trarei mais informações sobre o desenrolar dela... até lá...

Tuesday, August 23, 2011

O futuro do português em Timor-Leste - 1 A eliminação da língua portuguesa



Logo no início deste mês, dia 09 de agosto para ser mais exato, a PNN (Portuguese News Network) divulgou a notícia polêmica de que o CMT (Conselho de Ministros Timorenses) está preparando o currículo do ensino básico (ou o diploma como chamam em outros países lusófonos) com o objetivo de retirar a língua portuguesa deste.

Segundo a mesma notícia, a medida tem apoio do Conselho Nacional de Educação (CNE) e do Instituto Nacional de Linguística (INL) e tem a frente como principais defensores o Primeiro-Ministro, Xanana Gusmão, e  sua esposa, Kirsty Gusmão. Porém, no blog Página Global, onde a notícia foi amplamente divulgada (há na realidade um post publicado e logo depois um outro), diversas pessoas se manifestaram contra ou a favor da medida, incluindo a própria Kirsty Gusmão, que além de esposa do Primeiro-Ministro leste-timorense é Embaixadora da Boa Vontade para Educação. 

Acusada de ter interesses em abolir o português de Timor-Leste, Kirsty Gusmão se defendeu de tais alegações, argumentando com dados a respeito da realidade da educação de ensino básico em Timor Leste, assim como se utilizando de seu projeto de política nacional intitulado Educação multilíngue baseada na língua materna. 

O link para a primeira notícia é:
neste constam informações a respeito da proposta governamental, juntamente com um grande número de comentários de pessoas contra e a favor, e discussões de natureza cultural e política.

O link para a segunda notícia é:
neste constam informações complementares à notícia principal.

O link para o comentário de Kirsty Gusmão, junto com o endereço para acesso a seu projeto é:

Estas notícias provocaram uma grande polêmica e vários blogs, páginas da internet e outros meios de comunicação e da mídia acabaram por divulgá-la ou reproduzir tal notícia da Página Global. A polêmica está longe de seu fim, mas parece que tudo já está determinado mesmo e sem possibilidade de diálogo. Afinal, este tipo de decisão política não consulta o povo e muito menos os especialistas no assunto, no caso os especialistas em língua são os linguistas. 

Em próximos posts, eu escreverei mais informações a respeito da proposta, como está caminhando e questões sobre sua legalidade. Ainda, eu também analisarei, como linguista de formação e profissão, e com experiência em Timor-Leste, a validade da Educação multilíngue baseada na língua materna e as consequências para a língua portuguesa e para as línguas nativas leste-timorenses desta política linguística a ser adotada para um futuro próximo.


Wednesday, August 10, 2011

O elemento luso-timorense no português de Timor Leste


Acabou de sair na ReVEL (Revista Virtual de Estudos da Linguagem) um artigo meu sobre o léxico do Português de Timor Leste (PTL). A edição da ReVEL v. 9, n. 17 de 2011 é um número temático sobre 'lexicologia e terminologia'.  

O artigo intitulado O elemento luso-timorense no português de Timor Leste analisa elementos comuns à língua portuguesa que, porém, sofreram algum tipo de mudança linguística específica ao contexto leste-timorense. O artigo, apesar de ser apenas um resultado preliminar de uma pesquisa que ainda está em desenvolvimento, apresenta várias evidências notáveis de especificidades lexicais e semânticas existentes no PTL, e que um estudo exaustivo sobre o tema pode revelar ainda mais coisas a respeito desta variedade lusófona.

Segue o link para download do artigo,
juntamente com o resumo:  


Resumo:

O termo ‘luso-timorense’, usado para se referir a elementos lusófonos específicos a Timor Leste, foi empregado inicialmente por Thomaz (1995) ao analisar o léxico do português falado na ilha. O presente artigo é resultado de uma investigação em andamento, que pretende analisar a variedade do português falada pelo povo leste-timorense, com objetivos de documentar e valorizar essa variedade da língua portuguesa como uma variedade nacional, chamada de Português de Timor Leste (PTL). Assim, na seção 1 será apresentada brevemente uma sociohistória da língua portuguesa na ilha de Timor; em 2, será traçado um histórico dos estudos linguísticos a respeito do PTL e da variedade crioula outrora falada na ilha; na seção 3, será analisada a presença do elemento luso-timorense no léxico do PTL; e, finalmente, em 4, com objetivo de contribuir para um melhor conhecimento do léxico PTL, serão apontados alguns lexemas de origem estrangeira específicos a essa 
variedade. 

Wednesday, August 03, 2011

Sobre o lexema 'malae' - 2

Conforme comentei no post anterior, Sobre o lexema 'malae' - 1
(http://easttimorlinguistics.blogspot.com/2011/08/sobre-o-lexema-malae-1.html),
reproduzo aqui o texto intitulado Malai! Malai! do blog Direto de Timor-Leste de autoria do Prof. Cesar Cavalcante. O post desse blog faz referências a diversas fontes bibliográficas a respeito da origem da palavra malae, principalmente em relação ao significado principal 'estrangeiro'.  

Malai! Malai!
Por Cesar Cavalcante

Uma das primeiras palavras que aprendi na língua tétum foi "Malae" ou  "Malai",  no português falado em Timor Leste. Sempre foi-me dito que "malai" significava estrangeiro, um parente próximo da expressão "Gringo" que utilizamos com frequência  no Brasil, quando nos referimos a um estrangeiro.

Fiquei muito curioso com a origem dessa palavra, já que segundo percebi, é uma das primeiras expressões que as crianças aprendem falar. Nós brincamos e dizemos que as crianças aprendem falar Malai antes de mamãe!

É muito comum um estrangeiro passar na rua e ouvir Malai bom dia, Malai para onde vai, Malai me dar um rebuçado (a nossa bala). Quando se trata de crianças, que sempre estão em grandes grupos, eu  sempre escuto, Malai, Malai, Malai... e elas só param de gritar quando eu olho e as cumprimento com um oi!!

Alguns colegas s acham que Malai é uma palavra pejorativa, que é uma forma dos timorenses dizerem que nós somos os estrangeiros. Eu sempre rebato e digo, como pode ser pejorativa uma palavra dita por uma criança, que às vezes nem sabe andar direito. Aí sempre escuto, ah foi o pai dela que ensinou.

Então resolvi "acabar" de vez com a discussão e procurei a origem dessa palavra.

Alguns timorenses me afirmaram que a palavra "Malai" tem origem na palavra  Malay, que pode designar a língua austranésia falada na Malaysia, Indonesia, Singapore, Brunei e Tailândia o Bahasa Melayu e suas variações, ou então os habitantes da Malaysia. A explicação para isso é que um dos primeiros estrangeiros a chegar na ilha de Timor Leste, foram os malasianos e por isso o uso do termo.

Já ouvi outra explicação para a palavra. Os primeiros estrangeiros que chegaram aqui em Timor Leste, traziam malas e os nativos nunca haviam visto malas e quando aprenderam o nome Mala, associaram Mala a Malai, ou seja aquele que carrega malas (estrangeiro).

Essas duas origens diferentes para a mesma palavra carecem de uma boa referência histórica, que eu não consegui encontrar.

Buscando em artigos científicos e em textos na internet encontrei as seguintes citações no site East Timor Studies de João Paulo Esperança:

 "A. Mendes Corrêa no seu "Timor Português" (1944) diz que "por malai entendem os indígenas de Timor os estranhos, os Malaios de outras ilhas, os Chinas, os negros de África, os Árabes, os Portugueses metropolitanos, os Holandeses, os Europeus em geral.  Os timorenses não se consideram Malaios, muito pelo contrário."

"Luís Thomaz num artigo de 1974, "Timor – Notas histórico-linguísticas", pág. 231, defende que: "Por sua vez o nome que os malaios dão a si mesmos – melayu – tornou-se em Timor, sob a forma malae sinónimo de "estrangeiro, pessoa de fora de Timor" - recordação do tempo em que os malaios eram os únicos estrangeiros que apareciam nas costas da ilha. Osório de Castro nota que em Maluco o termo melayu é usado com o mesmo sentido." Essa citação justifica a primeira origem da palavra que eu expus. 

Mas mesmo com essas duas citações, algumas pessoas acreditam que Malai e Melayu, tem significados e origens diferentes. 
Crianças timorenses
Foto do Blog da Missão Científica Botânica em Timor-Leste

Ainda com referência a pesquisa feita por João Paulo Esperança,   Aone van Engelenhoven e John Hajek dizem-nos No seu artigo "East Timor and the Southwest Moluccas: Language, Time and Connections" (2000), (pág. 121):

«A importante distinção entre os chamados `donos da terra' e `donos dos barcos' nas ilhas do Sudoeste das Molucas é não apenas crítica para as estruturas sociais na região, mas também um importante indicador histórico das relações com Timor no passado. Os ornusa ou clãs `donos da terra' eram os verdadeiros senhores da terra, que já viviam nas ilhas antes da chegada dos `donos dos barcos'. Há textos históricos que revelam que a chegada dos donos dos barcos foi despoletada pela destruição da sua `Ilha Mãe'. Esta destruição é tradicionalmente explicada como o castigo supremo por uma luta fratricida que era proibida. Os nomes usados nestas histórias fornecem pistas importantes sobre ligações com Timor. Qualquer coisa que inclua malai como elemento reverte para Timor – o que se vê por exemplo em Sairmalai, o nome timorense do herói letinense Slerleti. ((32 A palavra malai, apesar das aparências, não tem nada a ver com Malay (ing.) [ou malaio (port.)], uma malformação europeia de melayu.)) O resultado é que todos os heróis, e consequentemente também os clãs que deles descendem, são considerados como sendo de origem timorense. O segmento Malai (lit. `Timor') em muitos apelidos de família é altamente reverenciado devido à sua referência óbvia. Os exemplos incluem os apelidos Pelmalai `aliado timorense' na ilha de Nila, e Maranmalai na ilha de Léti.

Reuniões recentes entre famílias keienses e do Sudoeste das Molucas na Holanda revelaram como ambos os lados tinham em comum narrativas semelhantes sobre a destruição de uma terra ou continente no ocidente (centrado na área de Timor-Luang). As histórias dos clãs falam sobre barcos que navegavam para o oriente a partir de Lun-Let, o nome keiense para o continente que era Luang. Os mitos letinenses contam-nos sobre pessoas que navegavam para e de Timor, e sobre o estabelecimento de povoações de `donos de barcos' na costa de Malakitna-Malaliawna, o irmão mais novo (com malai `Timor' bastante evidente).
Ancião timorense
Foto de Celina Silva

As ligações entre comunidades em Timor-Leste e no Sudoeste das Molucas mantiveram-se mais directamente até tempos relativamente recentes. Alianças formais tradicionais, por exemplo, foram mantidas entre os governantes tradicionais de Kísar e Baucau até perto de meados deste século, mas acabaram por ser quebradas pelos portugueses. Também é verdade que laços de comércio tradicional foram mantidos até mais recentemente ainda, particularmente com comerciantes que falavam tétum de Leti e de Luang que se sabia visitarem Timor-Leste.» (A tradução do inglês é minha.)

Lendas na língua de Léti que mencionam esta ligação a Timor (Malai), e a sua análise antropológica e linguística, podem ser consultadas no livro de Aone van Engelenhoven "Leti, a language of Southwest Maluku" (2004), por exemplo nas págs 328, 329, 398.

Os dados destes autores relativos à antroponímia parecem ocorrer também entre os fatalucos da Ponta Leste de Timor, conheço uma moça de lá, de uma família "ratu" (da nobreza), cujo nome tradicional (o do knua, não o dos documentos nem o "nome de estima" de casa) é Jar Malai. Na segunda parte do "Léxico Fataluco-Português" do Padre Alfonso Nacher, publicado na revista do Instituto Nacional de Linguística (2004), na pág. 122 pode ver-se que nesta língua a palavra "malai" pode significar "estrangeiro" mas também "liurai" (rei).

Referências: http://groups.yahoo.com/group/east-timor-studies/message/3724


(Texto extraído do blog Direto de Timor-Leste e pode ser acessado e lido no original no seguinte link:
http://timorlorosaeceara.blogspot.com/2010/07/malai-malai.html)

Sobre o lexema 'malae' - 1

A palavra malae, variando com malai, amplamente usada Timor (na área linguística leste-timorense), possui como significado principal 'estrangeiro', ou de maneira pejorativa 'gringo', já que em situações formais caso o falante tetumófono deseja se referir a tal conceito se utiliza do composto rai liur. Atualmente, o lexema malae está limitado a grupos sociolinguísticos específicos, possuindo frequência maior entre a faixa etária mais nova (- 20 anos) e nos adultos a frequência alta está limitada a indivíduos com baixa escolaridade, já que usar malae para chamar alguma pessoa pode parecer uma atitude grosseira ou desrespeitosa.

Já a origem do lexema  malae é um tanto controverso, há duas teorias principais: uma que se baseia no relativo isolamento de Timor e seu contato predominante com indivíduos malaios, daí a referência a 'malaio' como estrangeiros em geral; outra argumenta a favor de que o lexema vem de malai nome dado a 'Timor' pelos nativos vizinhos e não possui ligação com malaio.

Assim, no próximo post, Sobre o lexema 'malae' - 2 (este post já está disponível para leitura no link
http://easttimorlinguistics.blogspot.com/2011/08/conforme-comentei-no-post-anterior.html),
eu reproduzirei o texto do prof. Cesar Cavalcante do blog Direto de Timor-Leste (Timor Lorosae Ceará), que se baseou na pesquisa feita por João Paulo Esperança. Até lá!  
  

Tuesday, August 02, 2011

Balibó, ou the Balibo Five

Balibó é um subdistrito leste-timorense localizado próximo à fronteira indonésia, cerca de 10 km, no distrito de Bobonaro. Este local ganhou fama mundial quando cinco jornalistas australianos foram executados (por isso o nome the Balibo Five), a 16 de outubro de 1975, ao tentar noticiar as atrocidades cometidas pelo exército indonésio que na época estava em vias de invadir Timor Português, antigo nome da atual República Democrática de Timor-Leste.

O filme homônimo, Balibo, lançado em 2009, foi produzido pela Arenafilm, produtora australiana, com Robert Connolly na direção e David Williamson como roteirista. O roteiro foi baseado no livro intitulado Cover-Up, de autoria de Jill Jolliffe, uma jornalista australiana que teve contato com os Balibo Five antes de partirem para Timor Português e foi ela também que divulgou a morte deles, que o exército indonésio objetivava encobrir. Há também um documentário feito pela jornalista para a TV australiana, canal ABC1, para o programa Foreign Correspondent. O filme conta com o ator Anthony LaPaglia no papel de Roger East, jornalista australiano que vai investigar o desaparecimento e suposta morte dos Balibo Five, e Oscar Isaac interpretando José Ramos Horta, atual presidente de Timor-Leste e ganhador do Nobel da Paz em 1996.Ainda, os cinco jornalistas australianos foram interpretados pelos seguintes atores: Damon Gameau como Greg Shackleton, Gyton Grantley como Gary Cunningham, Nathan Phillips como Malcolm Rennie, Mark Winter como Tony Stewart, e Thomas Wright como Brian Peters.

Recomendo a todos interessados que procurem ver este filme que mostra muito sobre a história e a cultura leste-timorense. Há em diversas cenas as belas paisagens de Timor Leste, vários diálogos em Tetun e o espectador vê vários costumes nativos que são mostrados, como alimentação, comportamento, enterro, e até a narração de contos da literatura tradicional. Assim como, também é retratado o sofrimento e as privações que o povo leste-timorense tem sofrido no decorrer de sua história. O filme é de fácil acesso tanto em lojas como na internet. Provavelmente, é o filme que possui Timor Leste como tema com maior circulação e divulgação a nível mundial. Abaixo encontra-se um trailer:


Segue também o link para a primeira parte do documentário Who killed the Balibo Five  produzido pela ABC Australia e distribuído pela Journeyman Pictures: http://youtu.be/J0GXaDjdaWM (as demais partes também são facilmente encontradas no Youtube). A incorporação deste vídeo foi desativada por solicitação, por este motivo deixo disponível somente o link. Este documentário, que data de 1998, apresenta as cenas reais da invasão, do massacre e dos próprios jornalistas australianos, e procura investigar o que realmente aconteceu com eles, juntamente com as várias questões políticas envolvidas em torno da Indonésia e Austrália e outras potências governamentais que estão por trás destes acontecimentos.  

Fica aqui a dica de dois filmes sobre Timor Leste para serem vistos pelos leitores deste blog, qualquer comentário sobre esses filmes serão bem-vindos... 

Wednesday, July 06, 2011

A ilha verde e vermelha de Timor


Um livro clássico sem igual sobre Timor é A Ilha Verde e Vermelha de Timor, escrito por Alberto Osório de Castro. Neto do antigo governador de Macau, Ten. cel. José Osório de Castro Cabral de Albuquerque, juiz de Dili (capital de Timor Português, atual Timor-Leste), Alberto Osório de Castro exerceu sua magistratura nas possessões portuguesa no início do século XX. Nascido em 1868, em Coimbra, veio falecer em Lisboa, no ano de 1946.

A Ilha Verde e Vermelha de Timor foi publicado primeiramente na revista Seara Nova, de 28 de Junho de 1928 (no. 123) a Junho 27 de 1929 (no. 167). Posteriormente, em 1943, os artigos foram publicados em forma de livro pela Agência Geral das Colónias (foto abaixo). Recentemente, em 1996, foi reeditado pela Cotovia (foto acima). 

O livro trata-se de um relato das viagens do autor desde sua saída da Europa até a chegada na ilha de Timor, passando por Macau, diversos pontos da Indonésia, entre outros, e acompanhando o Governador Cap. Eduardo Marques, em 1909. O destaque deste relato de viagem escrito pelo autor, é que ele demonstra um conhecimento enciclopédico a respeito do oriente, documentando e analisando junto ao leitor a flora, fauna, a cultura e as línguas leste-timorenses. Ainda, o autor muitas vezes ornamenta sua bem elaborada prosa narrativa e descritiva com alguns de seus poemas, escritos em homenagem às belezas leste-timorenses que o autor se deparou.
 
A repercussão atual deste trabalho é imensurável. Para qualquer pesquisador das ciências humanas que se interesse por Timor, a leitura da obra é indispensável. Na internet há um interessante relato no blog Retrovisor http://retrovisor.blogs.sapo.pt/11837.html de como esta obra foi importante para os estudos de botância, no blog Lusasias há a reprodução de uma poesia intitulada Tebedai, juntamente com notas explicativas do autor Osório de Castro sobre esta dança típica da cultura leste-timorense http://lusasias.blogspot.com/2010/01/tebedai.html, ainda há a reprodução de um breve comentário de J. P. Esperança sobre a obra, em seu artigo Um brevíssimo olhar sobre a literatura de Timor, e há também no Forum Haksesuk uma breve biografia, alguns poemas e notas explicativas, escrito por Dom Ximenes Belo. Esses são apenas alguns exemplos de recursos que podem ser encontrados on-line.

Na minha última leitura da obra, destaquei alguns pontos que achei importantes, assim como separei-os por tópicos, pois achei que isto auxiliaria posteriores consultas. Segue abaixo, então, enumerado de acordo com as páginas da edição de 1996, da Cotovia, alguns comentários à obra A Ilha Verde e Vermelha de Timor:

- Na (p.24) há referência à documentação organizada por Armando Pinto Correia, autor de Gentio de Timor. Uma delas menciona o apoio de Larantuka, Ilha de Flores, à rainha de Mena, em Lifau. Outra fala da invasão dos macassares;
- Na (p.25), podem ser encontrados comentários a respeito dos relatórios sobre usos e costumes timorenses de 1926 a 1933, que nunca foram publicados  (algum leitor sabe mais informações dessa documentação, se ela está disponível... onde...);
- Na (p.40), é possível encontrar informações sobre a dança leste-timorense, a fauna e os ornamentos. Seguindo o relato sobre os costumes tradicionais, nas (p.42-43) o autor fala mais sobre a dança leste-timorense, oferecendo informações também sobre os chineses em Timor e a cobra na sociedade leste-timorense (animal que desperta medo e é símbolo de maldade, coisas ruins etc.).
- Seguindo na leitura, é possível encontrar nas (p.44-45) informações sobre cavalos na ilha, como são os diferentes tipos de corda e (p.47) casas;
- Na (p.48) há curiosas informações da presença  holandesa em Liquiçá;
- Na (p.50), o autor fala da função social dos sacrifícios;
- Nas páginas seguintes há mais informações de natureza biológica e etnográfica. Nas (p.62-63) o autor aponta para a presença de flora distinta em Mahubo, fala também da organização das comitivas reais, dos cantos, dos escudos guerreiros, de mulheres com comportamentos diferentes e dos indivíduos "andróginos", em (p.70) há informações sobre os famosos corais leste-timorenses, em  (p.72) é reproduzida uma carta que fala sobre as riquezas de Timor; 
- A (p.74) traz informações sobre os firaku, a (p.78) mais sobre os chineses, as patologias contraídas na  ilha, a fauna nativa e novamente a presença chinesa (p.85);
-Nas próximas páginas encontram-se informações de natureza linguística: (p.91-93) o autor tenta classificar os reinos e as línguas, (p.94-95) o autor fala sobre o Crioulo Português de Bidau (CPB), (p.108) há informações sobre os portugueses em Jakarta, seguido pela hipótese de vestígios de língua portuguesa na insulíndia do autor, proposto por Gonçalves Viana (p.109) e em (p.110-111) Castro fala sobre o léxico português na Ásia;
- Osório de Castro retorna a falar dos costumes nativos: (p.119) discorre sobre as pedras sagradas e a oferenda aos deuses (p.123); (p.124) destaca os timorenses de tipo físico diferente: os ruivos e os de olho claro; (p.127-131) fala da importância da coruja, da pomba, da magia, da árvore mágica, de cobras, de macacos sagrados, totemismo, os terremotos, as almas e os feiticeiros; (p.133) origem da palavra maromak, (p.134-135) sobre feiticeiros e as armas; (p.136-140) guerreiros, ritual lorsa, instrumentos musicais, guerras, tréguas, e os heróis, ou guerreiros de elite, arrancadores de cabeças; (p.141) a importância social da  colheita; (p.143-144) as cerâmicas, pratos e artesanatos nativos; mais sobre as danças e os instrumentos musicais (p.147); o comportamento do timorense frente ao luto, a morte e o enterro (p.148-151); mais sobre  as mulheres e os chineses (p.153-155).
- A seguir, o autor coloca uma série de versos em pantun em várias línguas (p.157-160);
- E continua uma narrativa de cunho etnográfico com informações sobre os ritos de passagem e casamentos (p.161), o parto e a origem da palavra ai-dila que gerou o nome da capital Dili (p.167), (p.168) ato de mascar o betel, (p.170) ornamentos masculinos, (p.171) o funcionamento do sistema penal nativo, (p.173) o fogo e a culinária e a organização política nativa (p.190) nos pequenos reinos.
- Para finalizar, o autor fala das frutas nativas (p.204) e (p.208) comenta a obra Plantas úteis da Ilha de Timor, assim como as listas de Forbes e Gomes da Silva, juntamente com os livros de Boerlage e de Lanessan.

Monday, July 04, 2011

Língua e meio ambiente na literatura em língua oral Tetun

No mais recente volume da revista Language & Ecology, períódico on-line da lista de ecolinguística The Ecolinguistics List http://www.ecoling.net/#/articles/4563035324, pode ser encontrado disponível para download um artigo meu sobre que analisa reflexos do meio ambiente na língua. 

O artigo intitulado Língua e meio ambiente na literatura em língua oral em língua Tetun, Timor Leste, analisa alguns aspectos de como as limitações do meio ambiente leste-timorense se manifestam linguisticamente. Para delimitar a realização de tal análise, enfoco somente as manifestações do meio ambiente presentes em exemplares da literatura oral tradicional de língua Tetun. 


"O presente artigo faz uma abordagem ecolinguística  da língua Tetun, falada em diferentes regiões de Timor Leste. Procuro apresentar algumas relações entre língua e meio ambiente encontradas em diferentes variedades da literatura oral em língua Tetun.  Para tanto, far-se-ão breves palavras a respeito da literatura oral leste-timorense, seguidas por uma análise ecolinguística do Tetun".


Monday, June 27, 2011

The Tetum Language - Vídeos sobre a língua Tetun

Garimpando algumas coisas no YouTube, encontrei uma coletânea de vídeos intitulados The Tetum Language. Trata-se de uma série de vídeos (com os títulos sequencias The Tetum Language 2, Tetum 3 ...) onde um iniciante em Tetun acaba por ensinar o passo a passo da língua, baseado em dois livros didáticos escritos pelo linguista australiano Geoffrey Hull, são eles: Tetum Language Manual for East Timor e Mai ko'alia Tetun.

Os pontos positivos são: a iniciativa do autor em explicar didaticamente a língua Tetun em diversos vídeos, abordando diversos tópicos da gramática, conforme os vídeos e o conhecimento do expectador vão avançando; o material sobre o Tetun pode ser somado às demais fontes existentes, já que ainda há escassez de material sobre as línguas leste-timorenses. 

Os pontos negativos são: o autor do vídeo não é falante de Tetun, nem estudioso da língua, apenas estudou-a superficialmente para a exposição nos vídeos; para o público brasileiro que desconhece o inglês, o vídeo torna-se complicado, já que é narrado em inglês; o material usado pelo autor está ausente de conteúdo sonoro o que faz com que as aulas de Tetun do vídeo deixam a desejar em relação à fonética e fonologia, já que o autor também não é falante da língua, como foi dito.

Porém, mesmo com os pontos negativos, deixo aqui os vídeos em nosso blog para consulta, comentários, opiniões etc. Atualmente, estou com planos de iniciar um projeto semelhante para o próximo ano, que aborde a gramática das línguas leste-timorenses em diferentes vídeos, juntamente com outras questões linguísticas importantes, como o contato de línguas, filiação genética, gramaticalização, entre outros.

Os vídeos seguem a ordem numérica, conforme foram adicionados:  








Friday, June 17, 2011

A grammar of Makalero: A Papuan language of East Timor


Recentemente, foi defendida a tese de doutorado de Juliette Huber, que elaborou uma descrição gramatical do Makalero, língua papuásica leste-timorense, falada em Iliomar. A tese foi publicada pela LOT Publications e pode ser baixada pelo  link que segue:

Ainda, a autora elaborou um resumo de sua tese em Tetun, que ao meu ver é de importância fundamental ao cidadão leste-timorense que queira saber mais sobre as línguas nativas de seu país. Reproduzo abaixo o resumo de Huber:


Sumáriu-tetun

Gramátika lia-Makalero nian

Teze ida-ne’e deskreve gramátika lia-Makalero nian, dalen ida iha Timor-Leste hodi makdalen 6,500. Entre nasaun nia dalen 16 hotu, lia-Makalero hamutuk ho dalen seluk tolu klasifika nu’udár membru lia-lubun papua trans Giné-Foun nian. Teze ne’e nia deskrisaun gramatikál kona-ba dalen nia fonolojia, kategoria leksikál sira nomós sira-nia karakterístika, sintagma nominál no verbál sira, orasaun sira, fraze sira, tatemik, nomós elementu ida-idak ba nivél diskursu nian. 

§ 1 hato’o introdusaun badak ba dalen neé, ninia makdalen sira no sira-nia ambiente.

§ 2 diskuta lia-Makalero nia sistema són nian no fonolojia. Inventáriu konsoante nian fasil de’it hodi fonema indíjena sira /p, t, d, k, ʔ, m, n, l, f, s, r/. Fonema tatolan /ʔ/ iha alófone oklusivu [ʔ] no alófone frikativu [h]. Rua-ne’e temi mamar duni purke la bele rona di’adi’ak. Pois iha konsoante-empresta sia [g, ts, dz, ʧ, ʤ, ŋ, v] no [ z] hodi status fonémiku ne’ebe nakfila tuir idiosinkrátiku. Lia-Makalero nia vogál sira lima: /a, e, i, o, u/. Sira hotu iha variante badak no naruk. Variante naruk sira mosu iha kontestu hirak ne’ebe bele si’ik de’it: ida-uluk, vogal hanesan rua ne’ebe tuir maski oklusivu tatolan hees bele temi nu’udár vogál naruk; darua, iha morfema leksikál sira ne’ebe hodi sílabe ida de’it, núkleu vokál simples sira tenki naruk, datolu, prosesu resilabifikasaun nian ba vogál-nuduk hanaruk vogál sira. Morfema ida-idak hodi vogál naruk sira ne’ebe la bele si’ik; ida-ne’e fó-haree katak sira iha status fonémiku, maski la imortante duni. Makbesik [w] no [j] analiza tiha ona nu’udár alófone vogál aas sira nian bainhira uza nu’udár sílabe nia hahú, nu’udár núkleu kompleksu nia balun nomós nu’udár sílabe nia rohan. Sílabe nia estrutura toman de’it mak KV, maski KVK iha mós. Lia-Makalero lalika lubun-konsoante purke dala barak hatama vogál epentétiku atubele prevente. Baibain vogál-nuduk tau ba morfema nia konsoante finál iha liafuan-lubun fonolójiku nia rohan. Morfema leksikál ki’ik tebetebes presiza mora rua. Tanba ne’e morfema leksikál hodi sílabe ida de’it presiza vogál naruk ka ditongu nu’udár núkleu. Koda la afeta sílabe nia todan. Jeralmente asentu tau ba morfema nia mora darua husi rohan. Asentu maizumenus hametin ba trokeu, maski peskiza tán presiza ona.

§ 3 fó-hatene kona-ba kategoria leksikál sira ne’ebé la klaru purke morfema leksikál barak bele uza ba referénsia nomós ba predikasaun. Todavia prosesu derivasionál sira ne’ebe hatadak kategoria balu no leksema sira ne’ebé hodi arti oin-seluk tebes duni konforme sira-nia uza nu’udár verbu ka substantivu hatudu nafatin ba realdade distinsaun subestantivu-verbu nian. Atubele halo jeneralizasaun ba klase rua ne’e, ha’u uza karakterístika semantika ida: substantivu prototípiku ne’ebé uza nu’udár predikadu tradús nu’udár “mak x”. Dekontráriu, verbu ne’ebé hodi funsaun referensiál nia arti “x nia asaun”, “x nia produtu”, ‘instrumentu ka objetu x nian”. Substantivu sira habalu ba substantivu ne’ebe hodi karakterístika [+HUM] no substantivu ne’ebé hopdi karakterístika [-HUM]. [+HUM] marka an hodi sufiksu plurál, maibé [-HUM] normalmente lakohi sufiksu ne’e. Lubun espesiál substantivu [+HUM] nian mak terminolojia parentesku nian tanba hodi sufiksu plurál espesiál ne’ebé oin-seluk duni ho substantivu [+HUM] seluk sira nian. Substativu bele hatada mós hodi hateke se uza klasifikadór nominál ka lae. Pois iha lubun substantivu nian ne’ebe tenke marka ninia posesuidór; ida-ne’e mak termu parentesku nian nomós ‘hotu-hotu nia balun’. Maski konstrusaun espesiál laiha, substativu sira-ne’e bele klasifika nu’udár inalienavel. Hateke ba verbu, iha diferensa boot entre verbu estadu nian no verbu hahalok nian. Importante liu katak adverbu hau ‘hotu’ ne’ebé iha sintagma verbál (SV) laran, marka katak hahalok verbál hotu tiha ona, maibé hatudu ba grau aas kondisaun nian. Maioridade verbu sira nian mak divalente. Argumentu dahuluk ne’ebé liga an ba verbu nune’e mak sujeitu. Argumentu darua bele forma nu’udár objetu ka komplementu ne’ebé iha posisiaun diferente. Verbu nia minoridade ki’ikoan ne’ebé esprime konseitu temporál no modál analiza nu’udár avalente, nia arti mak laiha argumentu. Verbu nia lubun seluk mak verbu negative, verbu interogativu, numerál, verbu deitiku, kuantifikadór, verbu kondisaun físika no emosionál nomós verbu hodi estensaun orasaun nian. Depois iha verbu nia lubun boot ne’ebé marka ho prefiksu k- argumentu la-sijeitu nian. Ita fó-haree katak forma verbu ne’e nian tama ona reanalize ba forma independente no forma dependente ne’ebé uza de’it bainhira sirania posisaun komplementu  nian hatama tiha ona. Kategoria leksikál sira ne’ebé naktaka mak pronomen pesoál independente, pronomen reflesivu, pronomen resíproku, pronomen interogativu sira mu’a ‘sé (forma presa)’ no sa’a ‘sá’ (forma presa), nomós pronomen indefinitivu riparipa ‘kualkér’. Sira ne’e hotu bele uza adnominál no adverbiál. Klase determinadór nian kontein demonstrativu lima nomós ho’o ‘hirak’. Sufiksu plural, sufiksu honorífiku, sufiksu substantivu hahalok nian, sufiksu nominalisadór, marka relativa enklítika nomós marka atribuitiva proklítika mak morfema presu ne’ebé liga ba sintagma nominál. Sintagma verbál iha mak pesoa datolu objetu nia prefiksu k- naktemi iha leten, prefiksu negativu ni-, marka aspetuál hai nomós marka negativa nomo. Afinál iha mós variedade klítiku sira ba nivel sintagma nian. Sira-ne’e nia maioridade mak konjusaun sintagma nian ne’ebé enklítika an ba orasaun dahuluk iha série no hatudu ba orasaun tuir nia relasaun semántika.


§ 4 fó-hatene kona-ba sintagma nominal iha lia-Makalero. Sintagma posesivu hahuluk inan substantiva, maski dependente seluk sira (arti modfikadór sira no determinadór sira) tuir de’it. Modifikadór sira ne’ebé hodi marka atribuitiva klítika ki= iha modifikadór ne’ebé la marka nia sorin. Ne’ebé naktemi dahuluk fó kontraste ba referente atubele haketek ba referente posivel seluk konforme kualidade ne’ebé sira hatudu. Pois iha períodu relative auténtiku iha lia-Makalero. Mimia marka konsentra an ba orasaun relativa nia sujeitu, biar modfikadór ka lae. Bainhira la’ós modfikadór núkleu nominal bele marka tatutan. 

§ 5 fó-hatene barakliu kona-ba kompleksidade gramátika-Makalero iha sintagma verbal (SV). SV nia núkleu iha kotuk. Argumentu iha SV laran nia posisaun distinta rua mak ninia karakterístika boot. Ida-uluk ne’e, posisaun objetu nian, mak elementu iha SV nia sorin karuk loos. Marka sira aspetu no negasaun nian nomós adverbiu iha SV laran mak tuir. Posisaun darua, hodi naran pisisaun komplementu nian, tau iha verbu nia oin no hamutuk halo an nu’udár unidade morfosintáktika. Unidade ne’e lori forma haki’ik komplementu nian, ka forma presu verbu nian, ka rua hotu. Posisaun rua argumentu ne’e nian ekslui malu. Kualkér ida tama verbu nia posisaun mesak argument nian ne’ebé la’ós sujeitu. Maski posisaun objetu hetan de’it sintagma nominál (SN) ne’ebé refere ba pesoa kona (‘undergoer’), posisaun komplementu nian bele hetan konstituente nominál ka verbál. Komplementu nominál refere ba ‘undergoer’, fatin ka mira. Komplementu verbál ne’ebé SV kompletu moos, maski ninia verbu bele iha forma dependente karik, katak enjerál hatudu ba informasaun kona-ba fatin no maneira. Komplementu verbál sira uza mós atu halo kausativu, komparativu, modifikasaun modál sira, diresionalidade no seluseluk tán. Posisaun objetu nian no posisaun komplementu nian bele difere uitoan, liuliu hodi kazu ‘undergoer’ pronominál sira. Barakliu ida-ne’e trasu leksikál verbu nian mak determine se argumentu nominál sai objetu ka komplementu. Verbu divalente ida-idak bele hamutuk ho komplementu verbál ne’be refere ba fatin ka maneira, biar verbu sira ne’e iha semántika intransitive purke la bele hamutuk ho partisipante ‘undergoer’. Bainhiara posisaun komplementu nian kontein informasaun adverbial nune’e, verbu transitivu nia partisipante ‘undergoer’ la bele hela predikadu hamutuk, maibé tenke tama predikasaun seluk liuhosi verbu ‘kmaan’ mei ‘hetan’. Modifikadór verbal inklui marka aspetuál hai, ne’ebé hatudu hahú situasaun foun nian, negadór nomo, nomós variedade adverbiu sira nian iha SV laran ne’ebé analiza nu’udár subklase verbu tomak nian.


§ 6 diskuta liafuan nia tuir-ukun neutru mak SOV. Lia-makalero nia estrutura orasaun nian ríjida ho simu de’it to’o argumentu rua. Partisipante tán tenke fó-hatene iha orasaun seluk. Unidade sira, ne’ebé lori naran ‘períodu’, hatudu de’it ba akontesimentu ida, maibé bele kontein orasaun ida ka liu. 

§ 7 diskuta ne’e. Iha leten fó-hatene tiha ona katak períodu ne’ebe iha orasaun rua, maibé la hatudu ba akontesimu ditransitivu mak komplementu verbal ne’ebé hatudu ba maneira ka fatin. Períodu seluk ne’ebé iha orasaun barak mak predikadu adverbiál avalente sira, ne’ebé orasaun mesak, maibé la bele forma elukasaun rasik-an. Predikadu adverbial nune’e hatudu tempu, nosaun aspetuál sira, nomós modalidade epistémika. Modalidade deóntika hodi forma verbu modal seluseluk mós hodi forma frase, nu’udár verbu sira hateten nian hodi sira-nia estensaun orasaun nian nomós konstrusaun konativa hodi fera ‘koko’. Konesaun entre orasaun sira lalika marka, ka hodi marka ho klítiku ne’ebé konjuga orasaun. Karakterístika formál boot frase nian mak ‘posisaun ketak iha karuk’ (PKK, LDP) ne’ebé hela frase nia rohan karuk. Ida-ne’e bele hetan argumentu ne’ebé foti ba karuk, tópiku ne’ebé la’ós argumentu ka orasaun adverbiál. Frase sira bele sai deklarativa, interogativa, imperativa, esklamasaun nomós optativa.

§ 8 fó-hatene kona-ba elukasaun, ne’ebé hahú tuirfali silénsia ka entonasaun final (monu) nia kontoru ho ramata iha kontoru finál oinmai. Nune’e ida-ne’e bele iha unidade badak tebes barak, ne’ebé iha liafuan ida ka esklamasaun ida de’it, maibé bele iha diskursu nia trexu naruk-naruk ne’ebé hodi korrente naruk orasaun nian.Orasaun sira ne’e liga an liuhosi klítiku konjunsaun nian ne’ebé tau orasaun dahuluk iha série nia rohan kuana. Konjunsaun rua ne’ebé komún duni, =ini no =isi, iha arti luan tebes duni. =ini hatudu ba orasaun sira nia konesaun besik liu, maibé =isi luan tebes duni. =ini hatudu ba orasaun sira nia konesaun besik liu, maibé =isi hatudu ba konesaun namkore liu. Konjunsaun seluk sira hatudu ba adversatividade, konsesividade, kondisaun, komplesaun, alternativu sira, konsekénsia, uzu, ka diskursu ne’ebé fó. Rua ikusmai analiza nu’udár konjunsaun subordinativa, purke bele tau ba orasaun dahuluk ka ba sujeitu orasaun darua nian. Konjusaun seluk sira tau de’it nu’udár klítiku ba orasaun dahuluk. Konjusaun sira ne’e la fó-haree orasaun ne’ebé liga nia ierárkia sintáktika; nune’e sira-nia relasaun ierárkika posivel hela indeterminada. Konstrusaun subordinativa seluk mak frase relativa, ne’ebé iha padraun marka nian ne’ebé hanesan ho frase sira nian ne’ebé iha konjunsaun subordinativa sira. Komplementu SV nian mak estrutura subordinativu ne’ebé klaru maibé seluk duni. Ida-ne’e predikasaun kompleta ho modifikadór hanesan nu’udár orasaun independente nian. Maibé verbu bele uza forma dependente. Tipu datolu estrutura subordinatu nian mak argumentu orasaun no orasaun adverbial iha posisaun ketak iha karuk frase nian. Kazu problemátiku uitoan mak verbu hateten nian no verbu modál nomós sira-nia estensaun orasaun komplementária nian, purke komplementadór liga ho verbu hateten nian enkuantu estensaun orasaun komplementária nian tuir verbu hateten nian. Tipu konstrusaun ne’e nia origen hosi konstrusaun ida ne’ebé orasaun komplementária funsiona nu’udár argumentu verbu hateten nian. Nune’e estensaun orasaun komplementária bele haree nu’udár tipu konstrusaun subordinativa nian.



§ 9 fó-haree kestaun ida-idak iha nivel diskursu nian. Interpretasaun loos papél gramatikál sira nian susar liu tanba lia-Makalero laiha konjugasaun verbál ka marka kazu gramatikál nian no simu de’it partisipante tau ba karuk. Mais, iha instrumentu ida-idak ne’ebé tolun makronak iha ne’e. Indikadór importante atubele buka referénsia atravesde testu mak konjusaun orasaun nian =ini no =isi. Naktemi dahuluk enjerál kombina ho kontinuidade tópiku (ka sujeitu) nian, maski naktemi ikus kombina ho troka tópiku nian. Pronomen refleksivu ni mak buat gramatikál ida ne’ebé ajuda ho buka referénsia. Ida-ne’e hatudu koreferénsia partisipante sujeitu nian. Nune’e, SN hotu ne’ebé iha pronomen ne’e la bele sujeitu de’it. Marka kontrastiva =ini dezenvolve ona ba marka sujeitu nian ne’ebé uza ba klarifikasaun referénsia sujeitu nian iha períodu sira laho liafuan-ukun kanónika ka bainhira argumentu sujeitu nian kraik liu argumentu darua iha ierárkia topikál. Konstituente ne’ebé tau ba karuk bele sai tópiku ka foku. Foku barakliu iha LDP (PKK) bele naruk de’it no bele refere hodi pronomen. Nune’e konstituente ne’e nia naruk mak sai kestaun karik maibé la’ós ninia foku. Ne’e arti katak hodi tópiku mak funsaun prinsipál PKK nian. Iha konstrusaun esplísita foku nian ne’ebé iha orasaun ho posisaun ida mamuk ne’ebé orasaun hanesan ka besik hanesan ho posisaun nakonu tuir bá. Lia-Makalero pois iha marka klítika ka adverbiál ida-idak ne’ebé iha relasaun ho estrutura informasaun nian. Klítiku kontrastivu =ini mak importante liu no bele hetan ho partisipante topikál sira nomós partisipante fokál sira. Ida-ne’e estensaun konjusaun orasaun =ini karik no haketak agrumentu kontrastivu hosi balun seluk orasaun nian. Nune’e konstrusaun sira-ne’e fó-haree semellansa boot ho konstrusaun ‘haketak’ (cleft construction). Klítiku =haka marka kontradisaun ka presupostu. Na’a-muni fó-hatene akontesimentu ka sena nia hahú foun. Klítiku =oo ‘mós’ uza nu’udár konjusaun konsesiva nomós mosu iha kazu barabarak –barakliu hodi pár – ne’ebé la bele tradús di’adi’ak. Nune’e bele propoin katak iha uzu estrutura informasaun nian karik ne’e bé presiza peskiza tán.


Iha organisasaun testuál nia nivel aas liu ita bele haree katak barakliu narativa sira hahú hodi períodu ne’ebé fó-hatene kontiudu testu nian. Períodu sira-ne’e barabarak iha liafuan-ukun particular. Testu hotu ormalmente ho períodu maktaka ne’ebé fó-hatene katak matetek ramata tiha ona. Narativa-Makalero nia karakterístika espesiál mak uzu ‘ligasaun ulun-ikun’ (headtail linkage). Karakterístika espesiál diskursu rituál nian, paralelismu leksikál, mosu tiha ona iha espresaun loroloron ida-idak.

Apéndise sira kontein ezemplu testu nian ida-idak ho glosa no tradusaun nomós lista liafuan nian








Thursday, June 02, 2011

Documentário sobre a vida selvagem em Timor-Leste


Recentemente, tive acesso através do facebook de um mini documentário a respeito da vida selvagem de Timor-Leste. O documentário possui cerca de 07:00 min. de duração, mas traz valiosas informações sobre fauna e flora leste-timorenses, assim como imagens belíssimas da paisagem desta ilha, juntamente com curiosidades sobre animais raros, como os marsupiais e macacos nativos, e em vias de extinção, como uma espécie de cacatua, a cacatua-de-crista-amarela.

O vídeo, intitulado Wild Timor, que está logo abaixo, pode ser visto também no vimeo (local que está hospedado) no link: http://vimeo.com/22405556 
e foi produzido por Luis Gaspar e José T. Vasconcelos. 

Deixo aqui registrado meus agradecimentos aos produtores pela nobre iniciativa, que eles possam fazer outros vídeos como este no futuro. E que outras pessoas se interessem e façam outros documentários, seguindo esta iniciativa.

Aconselho a todos os meus leitores que assistam a este documentário!!! É muito bom mesmo!!! Vale a pena...


Wild Timor from Miguel Gaspar on Vimeo.