Monday, March 12, 2012

I Encontro Brasileiro de Ecolinguística

No sítio divulgado anteriormente, sobre ecolinguística (http://www.ecolinguistica.com.br/), já está disponível a divulgação, a chamada de trabalhos e o link para inscrições no I Encontro Brasileiro de Ecolinguística, na Universidade de Brasília.

Segue a divulgação presente no sítio:

Temos o prazer de informar que, nos dias 6 a 7 de julho de 2012, terá lugar o I Encontro Brasileiro de Ecolinguística, na Universidade de Brasília. As contribuições podem ser nas áreas de Teoria Ecolinguística, Ecolinguística Crítica, Ecologia das Línguas, Ecologia do Contato de Línguas, Ecolinguística e Etnociências, Ecolinguística e Ensino de Línguas, a questão da metodologia na Ecolinguística, entre outros estudos de áreas conexas que contemplem a relação entre língua e meio ambiente.

Nosso sítio de ecolinguística

É com grande prazer que venho divulgar o sítio de ecolinguística que eu e o grande amigo Gilberto gerenciaremos de agora em diante, juntamente com uma equipe técnica de primeira que está nos apoiando. 

O endereço da página é http://www.ecolinguistica.com.br/ e também pode ser acessada em nossa barra de links à direita. 

O sítio como está apenas começando está fazendo apenas a divulgação do I Encontro Brasileiro de Ecolinguística que será realizado este ano em Brasília, na UnB, nos dia 6 e 7 de Julho.

Aguardo a visita de vocês, assim como suas sugestões...

Wednesday, February 08, 2012

Sobre a nova ortografia da língua portuguesa


Neste post, faço um intervalo, apenas em certa forma, sobre questões linguísticas específicas de Timor-Leste para comentar a respeito de um problema comum a toda lusofonia, que é o novo acordo ortográfico. 

O novo acordo ortográfico vem causando polêmicas, discussões e já gerou um grande número de publicações, sendo os principais nas formas de artigos e livros, principalmente no Brasil e em Portugal. Venho neste post somente copiar o link para o texto de Vasco Graça Moura, intitulado Intimação ao Professor Malaca, no Diário de Notícias - Opinião,
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2290678&seccao=Vasco&page=-1

Neste texto, publicado hoje (08 de fevereiro de 2012), até o momento já gerou 94 cometários, sendo alguns muito interessantes. O diferencial do texto de Moura é que ele apresenta uma outra face para discussão do tema, que consiste nas abordagens legal e política, que muitos profissionais da área de letras em geral (sejam eles professores, gramáticos, literatos ou linguistas) ingenuamente vêm deixando de lado em suas discussões e publicações. 

A maioria das análises sobre o tema consiste em análises linguísticas, ou seja, encaram o objeto de estudo somente internamente, por ele mesmo, deixando fora elementos externos (não linguísticos). Considero ingenuidade, que o texto de Vasco não comente, pois ao se analisar diversas questões linguísticas atuais, há uma série de emaranhados políticos, sociais, legais etc. que muitos profissionais vêm se aproveitando e tentam vender certas 'ideias' (como se fossem produtos) e muitos acabam caindo na 'lábia dos vendedores'. 

Eu como pesquisador e professor universitário forçadamente tive que escrever seguindo o novo acordo, pois uma série de artigos que enviei para ser publicados, utilizando a ortografia 'antiga', seriam aceitos somente caso eu os revisasse segundo a nova ortografia.

Então, fica aqui registrado um breve comentário meu, contra a nova ortografia, porém consciente de que é um fenômeno político imposto a grande população lusófona e que, dependendo da situação, temos que aceitar, no entanto devemos estar conscientes também que tais 'novidades' não são nada mais que golpes políticos, editoriais e mercadológicos para pequenos grupos se aproveitarem ainda mais da população.

Seguem alguns comentários pertinentes (dentre os 94) retirados do link citado acima (digo pertinentes, pois também há uma série de discussões, xingamentos, ironias e afirmações preconceituosas, de natureza xenofóbica e racista, logo selecionei a nata dos comentários):

"Uma língua evoui naturalmente. O "Acordo Ortográfico do Malaca" é o exemplo eloquente de um "retrocesso" e da destruição de uma língua. Se ninguém o aplicar na prática o senhor Malaca fica a falar e a escrever sozinho. Mas pelo menos fica em concordância com ele próprio".


"VGM tem ,quanto a mim ,TODA a razão para não aplicar o AO:a "sua aprovação" não seguiu os trâmites normais para o Acordo :portanto,foi imposto " à má fila"! Também não podem existir as ditas conversões automáticas nos meios informáticos - o acordo não é uniforme nas suas regras! É só mais um problema a resolver vindo de 2010/2011".


"É fundamental que seja dito que a ortografia não tem que ver com fonética, mas sim com cultura: é um repositório da História de uma língua e da sua relação com outras línguas. Para a fonética, temos o alfabeto fonético internacional. É interessante ver que as línguas de países em que cuidam dos seus valores culturais, como a França e os de língua inglesa, têm uma ortografia que tem muito pouco a ver com fonética, e não é por isso que o inglês deixa de ser a língua dominante a nível mundial. E também não tem nada que ver com a evolução de uma língua, como se vê por esses exemplos. A imposição à pressa em Portugal da miserável grafia do miserável AO é mais um acto de prepotência de um governo (do miserável Sócrates) sem valores e sem cultura".

Sunday, February 05, 2012

Meu cadastro no 'Language and Ecology'

O sítio http://www.ecoling.net/index.html, portal elaborado pelo Prof. Arran Stibbe, abriga uma série de informações sobre ecolinguística, entre elas: The Ecolinguistics List (lista onde os vários pesquisadores da ecolinguística podem propor divulgações e discussões), o periódico Language & Ecology (periódico on-line, desde de 2002, que conta com uma série de artigos sobre ecolinguística) e um repositório bibliográfico e dos pesquisadores da área.

Recentemente, o blogue East Timor Linguistics: state of the art foi divulgado lá, assim como minha pesquisa atual de ecolinguística de Timor-Leste, que pode ser visto em http://www.ecoling.net/research.html#anchor_165.

Ainda, fui aceito como membro do corpo editorial da revista Language & Ecology (http://www.ecoling.net/board.html), que pode ser acessada em http://www.ecoling.net/journal.html. Assim, convido os leitores deste blogue a submeterem artigos na área de ecolinguística ao periódico e estes trabalhos podem ser escritos em português.

Wednesday, February 01, 2012

Língua portuguesa em Timor-Leste - um contributo para o ensino e investigação

O professor e amigo Nuno Almeida elaborou o sítio cujo nome é homônimo ao título deste post Língua portuguesa em Timor-Leste - um contributo para o ensino e investigação. Este tem por objetivo funcionar como um repositório da bibliografia sobre o português 'em' Timor-Leste e o português 'de' Timor-Leste.

Há também lá diversas ligações (links) de outros sítios e para fazer o download de vários artigos e dissertações, incluindo algumas das publicações de minha autoria. Ainda, há um e-mail para contato, para aqueles que desejam enviar links para suas publicações, notícias, vídeos, entre outros.

Segue, então, o endereço: http://www.wix.com/profesdeptemtl/lingua-portuguesa-timor-leste , assim como minha divulgação e recomendação aos interessados para que visitem e contribuam da maneira que lhes for possível. 


Sunday, January 15, 2012

Análise de livros didáticos no ensino de língua portuguesa em Timor-Leste

Em um post anterior, intitulado O ensino de português em TL: análise dos livros didáticos(http://easttimorlinguistics.blogspot.com/2011/11/o-ensino-de-portugues-em-tl-analise-dos.html), publiquei o resumo de uma comunicação de minha autoria apresentada ao II ENILL (Encontro Interdisciplinar de Língua e Literatura), na UFS (Universidade Federal de Sergipe). 

Recentemente, foram publicados os anais do congresso e a versão escrita completa da comunicação O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA EM TIMOR-LESTE: UMA ANÁLISE DOS LIVROS DIDÁTICOS consta no segundo volume destes anais e pode ser baixada nos seguintes links:

Começo, desta maneira, este ano de 2012 oferecendo mais uma contribuição aos leitores do blogue e aos interessados nos estudos linguísticos de Timor-Leste. 

Aguardem que virão mais postagens com boas notícias...

Blogue de Volta após breve recesso!

Caros leitores, devido a diversas tarefas profssionais, acadêmicas e pessoais de final de ano, fiquei um tempo sem postar nada aqui. Agora esse recesso acabou!

Este ano espero poder trazer novidades, mais informações e seguir minha pesquisa sobre as línguas faladas em Timor-Leste. 

Tenho uma série de artigos que estão apenas esperando pareceres, assim que tiver notícias postarei aqui, tenho mais outros artigos que estão quase 'saindo do forno' e prontos a serem enviados para publicação, assim como em comunicações em congressos para este ano de 2012.

Ainda, a versão final de minha dissertação sobre a língua Tetun ficou pronta (finalmente) e meu projeto de doutorado foi aprovado e já o iniciei. Em breve, escreverei mais sobre ambos.


Friday, November 25, 2011

Povos ancestrais de Timor eram pescadores habilidosos

Na revista Science será publicado um artigo de Sue O'Connor, arqueóloga de the Australian National University, que a professora apresenta seus principais achados encontrados na escavação da caverna de Jerimalai, pequena caverna localizada no extremo leste de Timor-Leste.

A escavação da caverna ainda está no início (foram escavados somente cerca de 1 m2  e 2 metros de profundidade), porém muito material já foi encontrado. Entre estes materiais destacam-se: mais de 2.800 ossadas de peixes, incluindo peixes de alto mar, artefatos de pedra, ossos pontiagudos e ganchos de pesca feitos de concha.

Esses ganchos de pesca, feito com conchas, datam entre 23.000 e 16.000 anos antes do presente. Estes foram os instrumentos de pesca com datação mais antiga já encontrados e pode dizer muito a respeito de como era a vida na costa leste-timorense em tempos pré-históricos.

A matéria completa, intitulada Early humans were skilled deep sea fishers, pode ser lida (em inglês) no seguinte link:
http://www.abc.net.au/news/2011-11-25/early-humans-skilled-deep-sea-fishers/3694324?section=world

Monday, November 21, 2011

Política linguística e material didático


Ao iniciar uma análise dos materiais didáticos, e as abordagens, métodos e técnicas usadas no ensino de português como segunda língua (PL2) em Timor-Leste cujo fruto inicial foi a comunicação citada no post anterior 
percebi que é urgente trabalhos linguísticos desta natureza, já que são poucos que estão se dedicando a tal estudo, tão urgente e necessário.

Ao preparar a versão escrita a ser publicada de minha comunicação, encontrei o artigo de Alan Carneiro, intitulado Política linguística em Timor-Leste: uma reflexão acerca dos materiais didáticos, que também procura analisar livros didáticos de língua portuguesa usados no ensino em Timor-Leste. O autor, além de relacionar questões de política linguística e ensino, enfoca temas culturais que são fundamentais no processo de ensino e aprendizagem de línguas. O link para o artigo é:

O referencial teórico do autor não é compartilhado por mim, já que adoto a teoria francesa de política e planejamento linguísticos, principalmente as teorias que visam uma prática ecológica, como Calvet. Assim como, oponho-me à teoria do multiculturalismo não em um plano linguístico, mas no plano filosófico, que, segundo minhas leituras, tal teoria apresenta diversas falhas. Porém, esse tipo de discussão não é pertinente para este post (quem sabe escrevo algo a respeito no futuro).

Recentemente, terminei um artigo, intitulado Política linguística para línguas oficiais em Timor-Leste: o português e o Tétum-Praça, e agora procurarei um periódico para publicá-lo. Neste artigo analiso a política e o planejamento linguísticos de Timor-Leste em relação a suas línguas oficiais, analiso também como o planejamento linguístico mudou no decorrer da história do país, e são discutidas questões sobre o corpus e o status das línguas oficiais leste-timorenses e as situações in vivo e in vitro que alteraram o status e o corpus do português e, principalmente, do Tétum-Praça.     

Ainda, por sugestão do amigo Nuno Almeida, como também pode ser lido no P.S. do post anterior, há o artigo de Lúcia Vidal Soares, intitulado Ensino/aprendizagem do português no contexto plurilíngue de Timor-Leste: rola ou lakateu? rola e lakateu!, que também discuti questões a respeito do ensino em Timor-Leste, e pode ser baixado no link http://www.simelp2009.uevora.pt/pdf/slg6/04.pdf.

Ficam aqui registradas mais duas novas bibliografias que versam sobre o assunto de ensino e material didático de língua portuguesa em Timor-Leste.

Tuesday, November 15, 2011

O Ensino de português em TL: Análise dos Livros Didáticos

Recentemente, apresentei uma comunicação, intitulada O Ensino de Língua Portuguesa em Timor-Leste: Uma Análise dos Livros Didáticos, na Sessão 5 do II ENILL (2o Encontro Interdisciplinar de Língua e Literatura), na Universidade Federal de Sergipe (UFS), em Itabaiana.

A comunicação é fruto de uma investigação inicial a respeito do processo de ensino e aprendizagem da língua portuguesa em Timor-Leste. Este trabalho é o primeiro passo da investigação, focando nos livros didáticos (LDs), na elaboração de materiais didáticos pelos professores, assim como na importância e o uso destes na sala de aula de Português como Língua Estrangeira (PLE). e segunda língua (PL2).

Em breve, pretendo publicar a versão escrita desta comunicação nos Anais do Encontro.

Segue o resumo aos interessados:

Resumo: Na presente comunicação, será realizada uma análise dos livros didáticos usados no ensino de língua portuguesa em Timor-Leste. Além destes, serão analisados também outros materiais didáticos que são elaborados pelos professores para substituir o livro didático. Os dados utilizados foram coletados pelo próprio autor, que atuou como professor de língua portuguesa no país citado. Na análise dos livros e materiais didáticos serão destacados a(s) abordagem(ns) e o(s) método(s) presentes nestes, assim como suas respectivas repercussões, em sua maioria negativas, para o processo de ensino e aprendizagem do português como L2 ao cidadão leste-timorense.

Palavras-chave: Timor-Leste; Português L2; material didático; abordagem; método. 


P.S. Reproduzo aqui um comentário, que tem muito a acrescentar à questão, do colega Nuno Almeida a respeito deste post:


Colega
É com agrado que recebo a notícia de mais uma reflexão sobre os livros didáticos (manuais) de LP em TL. De facto, esta é uma questão-chave para o sucesso da (re)introdução do português nesse país.
Também eu tive a oportunidade de, no III SIMELP-Macau, apresentar uma comunicação sobre esta temática, intitulada "O papel do manual de LP em TL", texto que aguarda publicação. Nessa reflexão, e com base na minha experiência de formação a professores do ensino público timorense, defendo que os manuais de LP têm, em TL, um papel específico, uma responsabilidade acrescida, devido a diversos fatores, de entre os quais, destaco: o contexto de aprendizagem da língua
portuguesa e as necessidades comunicativas dos alunos; a falta de preparação científica, pedagógica e linguística dos professores; o caráter virtual da presença da língua portuguesa na escola e na
administração; a aparente indefinição do papel desta língua naquele país; a articulação de determinadas marcas culturais com a língua portuguesa; o estado da investigação dedicada à língua portuguesa em Timor-Leste e a indefinição de uma norma da variedade leste-timorense.
Daqui resulta que a elaboração de manuais de LP para aplicar em TL deve partir de uma sólida base de reflexão, conhecimento e investigação. Saúdo, por isso, o seu trabalho.
Quero ainda deixar uma ligação para alguns textos sobre esta temática que postei há algum tempo, textos da autoria de uma das responsáveis pela elaboração dos manuais de LP que foram recentemente adotados pelo Ministério da Educação, para o ensino primário, e distribuídos, em 2010, pelas escolas de Timor.
Abraço
Nuno Almeida

Sunday, November 13, 2011

O futuro do português em Timor-Leste - 11 Uma conclusão... por enquanto


Por causa de uma série de tarefas profissionais e acadêmicas, fiquei um tanto desatualizado sobre a polêmica da língua portuguesa. E é com felicidade que escrevo este post para encerrar esta série sobre O futuro do português em Timor-Leste, pois parece, ao menos por enquanto, que a língua portuguesa está garantida em Timor-Leste, já que fontes próximas ao Presidente da República afirmaram que a proposta de abolição do português no ensino básico não passou de uma intenção.

A matéria foi publicada há um tempo, no dia 29 de setembro, no jornal Hoje Macau porém somente tive conhecimento recentemente, devido a informações do colega linguista e também professor que já atuou em Timor-Leste, Nuno Almeida, e registro aqui também meus agradecimentos. 

A notícia, intitulada Português de Pedra e Cal, fala da proposta, das fontes do Presidente da República, da inconstitucionalidade do projeto, entre outras coisas. Ela pode ser lida na íntegra no link a seguir: http://hojemacau.com.mo/?p=21123.

A língua portuguesa manteve-se no país e conseguiu vencer mais essa batalha, pois parece que ela ameaça interesses comerciais de Estados e entidades internacionais, que possuem "vários olhos" apontados em direção a Timor-Leste. Considero essa vitória nada mais do que uma justiça feita à língua portuguesa, assim como a todos os profissionais que vêm trabalhando e se empenhando para mante-la em Timor-Leste. Ainda, pode ser visto também que os interesses de uma pequena parcela acabam por se "fantasiar" de elementos governamentais e científicos para justificar sua veracidade, que não se confirma.

Mesmo com dificuldades no processo de ensino e aprendizagem, grande parte da população leste-timorense quer a língua portuguesa e fico feliz com a vitória democrática dos interesses populacionais.




Monday, November 07, 2011

Páginas de Português - A língua portuguesa em Timor-Leste


Páginas de Português é um programa semanal da rádio Antena 2 da RTP (todos os domingos às 17:00) e possui o objetivo de discutir atualidades a respeito da língua portuguesa. No domingo do dia 16 de outubro, o tema foi A língua portuguesa em Timor-Leste e pode ser ouvido na íntegra ou baixado no link:

Há também no blogue Professores de português em Timor-Leste um texto explicativo para divulgação da entrevista, assim como um vídeo com a reprodução da entrevista e fotos de Timor-Leste, ambos de autoria de Nuno Almeida. O texto e o vídeo reproduzo abaixo, conforme está no link do blogue citado:



Páginas de Português sobre a língua portuguesa em Timor-Leste

Nuno Almeida

A emissão de Páginas de Português transmitida no passado domingo, 16 de outubro, na Antena 2, contou com a presença de Hanna Batoréo, que analisa a realidade da língua portuguesa em Timor-Leste, colocando várias questões: O que faz a língua portuguesa em Timor-Leste? E o que se faz com ela? A opção pela língua portuguesa, como língua oficial, que desafios implica, com que realidades se confronta?

Uma entrevista conduzida por Miguel Roque Dias.

A linguista e professora agregada do Departamento de Humanidades da Universidade Aberta descreve o panorama atual da LP em Timor-Leste, abordando várias questões: o número de falantes, a sua presença nos meios de comunicação social, a relação com as outras línguas usadas no território, a estratégia de cooperação e a mais recente polémica em torno das alterações propostas relativamente ao seu estatuto no sistema de ensino. Para finalizar, refere-se, em tom crítico, ao estado da investigação sobre esta temática:

“Tal como diz Luís Filipe Thomaz num dos seus livros de 2002, os portugueses normalmente sabem pouco de Timor e o pouco que sabem vão repetindo, de tal maneira que estas repetições passam a ganhar o estatuto de verdades absolutas. E, infelizmente, esta frase continua atual […]. Eu acho que todos nós temos de lutar no sentido de contribuir para que esta frase do professor Luís Filipe Thomaz deixe de ter a sua importância real, ou seja, que passem a aparecer pessoas como Soraia Lourenço ou como Nuno Almeida, pessoas que fazem estudos que contribuem para o conhecimento concreto do terreno […] e que mostrem as suas ideias, que mostrem como as coisas podem ser desenvolvidas no solo timorense.”

A entrevista tem cerca de 25 minutos e pode ser ouvida diretamente a partir do sítio da Antena 2 aqui, se bem que nem sempre se encontre disponível. Em alternativa, podem ver o pequeno filme que produzi para poder postar diretamente aqui no nosso blogue, no qual usei fotos que fui tirando em Timor.

 

Wednesday, November 02, 2011

Timor Leste, Arte e Cultura

Apenas para divulgação, há um excelente grupo no Facebook, intitulado Timor Leste, Arte e Cultura, gerenciado por Nina Guterres, onde podem ser discutidas várias questões a respeito de Timor-Leste, juntamente com o compartilhamento de diversos materiais, como fotos, vídeos, exposições e muitas outras informações.

O link para o grupo é http://www.facebook.com/groups/165448270195861/. Ainda, lá podem ser encontradas pessoas de diferentes nacionalidades que se interessam por Timor-Leste de alguma maneira, assim a iniciativa do grupo também acaba por juntar diversas pessoas que possuem alguns interesses em comum, sendo o principal o estudo de Timor-Leste.

Mais uma dica do nosso blogue para aqueles que estão interessados... 

Tuesday, November 01, 2011

Arquivo e Museu da Resistência Timorense

Sigo aqui escrevendo um pouco mais sobre a Resistência Timorense à invasão indonésia. Enquanto no post anterior, intitulado Documentário de Max Stahl sobre o Massacre de Santa Cruz - 'Timor à Procura', disponível em http://easttimorlinguistics.blogspot.com/2011/10/documentario-de-max-stahl-sobre-o.html, comentei sobre um acontecimento trágico, que foi o Massacre de Santa Cruz, neste post trago um notícia boa a respeito do museu da resistência, que já está em funcionamento há um tempo.

Recomendo a visita ao sítio do Arquivo e Museu da Resistência Timorense (AMRT) cujo link é http://amrtimor.org/index.

Lá pode ser acessado e visto uma série de documentos escritos da resistência, assim como muitas fotografias, algumas mostram atrocidades cometidas pelo exército indonésio, enquanto outras mostram belíssimas paisagens leste-timorenses, juntamente com hábitos culturais autóctones, que foram preservados. Algumas destas chegam a datar de anos anteriores à invasão, que ocorreu em 1975.

Há ainda partes do sítio em construção, porém o vasto material lá compilado, já vale a pena ser consultado, tanto para pesquisas acadêmicas, quanto para adquirir conhecimentos, ou apenas em nível de curiosidade.

Segue aqui um vídeo do Notícias Sapo (o link é http://videos.sapo.pt/Lhnt22T4Lf0dMaRlS6W9), que fala sobre a inauguração do AMRT, que fica em Dili, capital de Timor-Leste, em um prédio que era um antigo tribunal português, localizado próximo da UNTL (Universidade Nacional Timor Lorosa'e).


Friday, October 28, 2011

Documentário de Max Stahl sobre o Massacre de Santa Cruz - 'Timor à Procura'

Santa Cruz demonstrators

(foto extraída do sítio da ETAN, mostrando os participantes da marcha pouco antes do massacre, disponível em http://www.etan.org/timor/SntaCRUZ.htm)

O incidente infeliz, conhecido como Massacre de Santa Cruz, ocorreu em 12 de novembro de 1991, em Dili, capital de Timor-Leste. O nome 'Santa Cruz' é de um cemitério em Dili, onde mais de duas mil pessoas organizaram-se em uma marcha para homenagear o jovem Sebastião Gomes, morto em outubro do mesmo ano, em 1991. Sob violenta dominação indonésia no período, os cidadãos leste-timorenses foram massacrados pelas forças invasoras indonésias, que abriram fogo, massacrando a multidão. Ainda, as forças indonésias após o massacre levaram diversos leste-timorenses feridos ou considerados por eles 'perigosos' e, assim, desapareceram com outra parte da multidão.

Esse acontecimento trágico teria caído em esquecimento e seria abafado pela Indonésia e outras agências internacionais, se não fosse a atuação do jornalista Max Stahl que no momento do massacre estava em Dili, foi capaz de filmar e mostrar ao mundo as atrocidades cometidas pelo regime indonésio. No link http://www.nancho.net/fdlap/maxstahl.html, há uma entrevista (em inglês) com Max Stahl, intitulada 20 years of Terror - Indonesia in Timor '20 anos de terror - Indonésia em Timor' (somente o título já nos diz muita coisa), falando a respeito de sua viagem à Timor, sobre a filmagem, sobre Indonésia etc. Outro link interessante é o http://www.youtube.com/watch?v=ElWMSN5hIK0 que mostra as cenas originais feitas por Max Stahl, assim como acompanha as investigações feitas em 1994.    

Segundo números do Comitê 12 de Novembro, organização que ajuda as famílias das vítimas desaparecidas, 2261 pessoas participaram na manifestação. Destas, 74 foram identificadas como tendo morrido no massacre e 127 morreram depois do massacre.

O filme, intitulado Timor à Procura, além das filmagens originais do massacre, acompanhou durante cerca de três anos equipes de antropólogos forenses e outros especialistas que procuraram vestígios e ossadas de supostas vítimas do massacre, chegando a identificar vários e devolver as ossadas às famílias. 

No próximo dia 12 de novembro decorre 20 anos do massacre e o filme será exibido em frente ao Palácio do Governo para a população. 

Mesmo depois de 20 anos muitas coisas permanecem obscuras, muitas vítimas e perguntas ainda estão a ser respondidas...