Friday, August 24, 2012

Traços de CPs Asiáticos no Português de Timor-Leste

No VII Encontro da ABECS em conjunto com o XIII Encontro da ACBLPE, que ocorreu de 30 de Julho a 03 de agosto deste ano, em 2012, na USP, em São Paulo, apresentei a comunicação intitulada Alguns traços de crioulos portugueses asiáticos no Português de Timor-Leste que consta no caderno de resumos do evento, podendo ser baixado no link: http://www.fflch.usp.br/dlcv/lport/site/abecs/caderno_abecs_acblpe.pdf.

Para os interessados na leitura segue o resumo, que em breve será publicado em formato de artigo: 

"A variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste até tempos recentes não havia despertado interesse dos pesquisadores. A primeira referência ao português falado em Timor-Leste data somente do início do século XX, com a publicação da obra clássica do filólogo português José Leite de Vasconcelos: Esquisse d’une dialectologie portugaise (1901). No decorrer deste mesmo século, poucos foram os trabalhos que procuraram analisar essa variedade do português e, ainda, no escasso número de publicações existentes é possível verificar uma clara confusão entre a variedade do português falada em Timor, chamada aqui somente de Português de Timor-Leste (PTL), e o crioulo de base lexical portuguesa formado neste mesmo país, especificamente em um bairro da capital, chamado de Bidau, daí o nome de Crioulo Português de Bidau (CPB), conforme analisado por Baxter (1990). A distinção entre a variedade da língua portuguesa e a variedade crioula veio somente a ser apontada em Thomaz (1974, 1985). Nos últimos anos, alguns linguistas vêm se dedicando ao estudo do PTL, apresentando trabalhos significativos como: Carvalho (2001), que pesquisou a antroponímica leste-timorense (2001) e elaborou um corpus para o estudo do léxico do PTL (Carvalho, 2002/2003); Brito (2002, 2004) elaborou uma série de artigos sobre o PTL, abordando de maneira introdutória questões de sociolinguística e política linguística; em Brito e Corte-Real (2002) há uma análise das peculiaridades do PTL no nível fonético-fonológico; Albuquerque (2010) realizou um estudo introdutório sobre a prosódia do PTL, seguido por um panorama linguístico do PTL (Albuquerque, 2011a) e uma análise léxico-semântica desta variedade (Albuquerque, 2011b).

A presente comunicação identificará traços de crioulos portugueses asiáticos, entre eles: Crioulo Português de Malaca (CPMal) (Baxter, 1988), Crioulo Português de Macau (CPMac) (Batalha, 1958; Baxter, 2009), o Indo-português de Korlai (Clements, 1996) e o Indo-português de Diu (Cardoso, 2009), existentes no PTL. Entre esses traços, destacam-se: na fonologia, as consoantes palatais realizadas como seus correlatos alveolares; na morfossintaxe, o verbo ‘poder’ em sua forma pode, funcionando como modal e sua negação como mpode, nupode; os verbos ‘ir’ e ‘vir’, nas formas vai e vem, com funções de modo/aspecto e marcador de direção; a variação de forma do pronome de 3ª pessoa do singular e ~ el ~ ele; o verbo ter, na forma tem, como verbo existencial; o lexema ‘gente’ empregado com função de pronome indefinido ‘alguém’ e pronome pessoal ‘eu’; ‘já’ como marcador de aspecto perfectivo. O objetivo da identificação de características em comum entre crioulos portugueses asiáticos e o PTL é utilizá-las como evidências que corroborem para uma hipótese sobre origem do PTL ter se dado a partir do CPB que ao conviver em situações multilíngues com o português europeu assimilou diversos de seus elementos, juntamente com outras variedades crioulas que tiveram influência em Timor, principalmente o CPMal e CPMac."     

Referências:
ALBUQUERQUE, Davi B. Peculiaridades prosódicas do português falado em Timor Leste. ReVEL, v.8, n.15, p.270-285, 2010.
_____. O Português de Timor Leste: contribuição para o estudo de uma variedade emergente. Papia, v. 21, n.1, p.65-82, 2011a.
____. O element luso-timorense no português falado em Timor Leste. ReVEL, v.9, n.17, p.226-243, 2011b.
BATALHA, Graciete N. Estado actual do dialecto macaense. Revista Portuguesa de Filologia, v. 9, p.177-213, 1958.
BAXTER, Alan. A grammar of Kristang (Malacca Creole Portuguese). Camberra: Pacific Linguistics, 1988.
_____. Notes on the Creole Portuguese of Bidau, Timor. Journal of Pidgin and Creole Languages, v.5, n.1, p.1-38, 1990.
_____. O português em Macau: contacto e assimilação. In: CARVALHO, Ana M. (org.) Português em Contato. Vervuert/ Iberoamericana: Frankfurt/Madri, 2009. p.277-312.
BRITO, Regina P. Reflexões sobre o português em Timor-Leste. Revista Mackenzie educação, arte e história da cultura, v. 2, p.87-95, 2002.
_____. A língua adormecida: o caso Timor-Leste. In: BASTOS, N. M. (org.) Língua portuguesa em calidoscópio, p. 319-329.  São Paulo: Educ/Fapesp, 2004.
BRITO, Regina P.; CORTE-REAL, Benjamin. Algumas especificidades fonético-fonológicas da variante do português timorense. Actas do VIII Simpósio internacional de comunicación social, v.1, p.147-151, 2002.
CARDOSO, Hugo. The Indo-Portuguese language of Diu. Utrecht: LOT, 2009.
CARVALHO, Maria José. Timor Lorosa’e, características das línguas crioulas e do português conservado na zona – contribuição para a língua oficial. Studies of Language and Cultures of East Timor, v.4, p.20-36, 2001.  
_____. Aspectos lexicais do português usado em Timor Leste. Studies of Language and Cultures of East Timor v.5, p. 25-40, 2002/2003.   
CLEMENTS, Joseph C. The genesis of a language. Amsterdam: John Benjamins, 1996.
THOMAZ, Luis Filipe. Timor: Notas histórico-linguísticas. Portugaliae Historica, vol.2, p.167-300, 1974.
_____. A língua portuguesa em Timor. Actas do Congresso sobre a situação actual da língua portuguesa no mundo, vol. 1, p. 313-319. Lisboa: Instituto de cultura e língua portuguesa, 1985.
VASCONCELOS, José L. Esquisse d’une dialectogie portugaise. Lisboa: Centro de Estudos Filológicos, 1970 [1901].

Friday, August 17, 2012

Especificidades do léxico do português de Timor-Leste

Já esta disponível no site da ABECS (Associação Brasileira de Estudos Crioulos e Similares) o novo número da revista Papia (http://www.revistas.fflch.usp.br/papia/issue/view/134). O novo número corresponde ao número 22, lançado em 2 volumes.

Neste número 22 da Papia, no volume 01, páginas 201-223, foi lançado meu artigo que continua a investigação sobre o léxico da variedade do português falado em Timor-Leste. O artigo Especificidades do léxico do português de Timor-Leste pode ser baixado no seguinte link: https://www.academia.edu/2087708/Especificidades_do_lexico_do_portugues_de_Timor-Leste.

Seguem o abstract e o resumo: 


Abstract: "The aim of this article is to analyze characteristic features of the lexicon of the Portuguese spoken in East Timor. The article begins with a socio-historic outline of the Portuguese language on the island of Timor (2). This is followed by an analysis of the lexicon, defending, based on Thomaz (1995), the existence of Luso-Timorese elements, consisting of Portuguese lexical items that have undergone semantic change or archaic retentions on the island of Timor (3). The next section (4), highlights lexical items from native languages that have been incorporated into Portuguese, specifically from the Tetun language. The final section also discusses other foreign origin words common in the Portuguese of East Timor, principally words of Malay, Chinese, and Japanese origin. The linguistic data analyzed, together with the conclusions presented, show that East Timorese Portuguese (TP) can be denominated a variety of Portuguese in the same way as European Portuguese (EP), and Brazilian Portuguese (BP)"

Resumo: "Este artigo pretende analisar traços específicos do léxico do português falado em Timor-Leste. Primeiramente, será apresentado um esboço sócio-histórico da língua Portuguesa em Timor (2). Em seguida, será analisado o léxico, argumentando-se, baseado em Thomaz (1995), a favor da existência de elementos luso-timorenses, que consistem em itens lexicais portugueses que sofreram mudanças semânticas ou retenções quinhentistas na ilha de Timor (3). Na seção seguinte (4), serão apontados itens lexicais das línguas nativas que foram incorporados ao português, especificamente da língua Tetun. Finalmente, outros vocábulos de origem estrangeira comuns no Português de Timor-Leste também serão discutidos, principalmente de origem malaia, chinesa e japonesa. Os dados linguísticos analisados, juntamente com as conclusões expostas, evidenciam que o Português de Timor-Leste (PTL) é uma variedade da língua portuguesa, assim como: o Português Europeu (PE), o Português Brasileiro (PB)". 


Sunday, July 22, 2012

Um perfil interessante no Acemia.edu - Schapper

Compartilho com aqueles que tiverem interesse o perfil da pesquisadora Antoinette Schapper no Academia.edu que é o seguinte link http://leidenuniv.academia.edu/AntoinetteSchapper. Nele há uma série de publicações de interesse da autora, como: livros, artigos e apresentações, assim como a linguista aponta suas pesquisas que estão em desenvolvimento, juntamente com aquelas que ela pretende iniciar no futuro. Ainda, há também as seções de interesses e de seguir a pesquisa de outros colegas linguistas, sendo possível aqui acessar trabalhos muito interessantes sobre linguística e sobre Timor-Leste.

Para aqueles que não a conhecem, a autora desenvolveu uma descrição gramatical do Bunaq (língua de origem papuásica falada no distrito de Bobonaro, em Timor-Leste, próximo à fronteira com a Indonésia), atualmente está a elaborar um dicionário da mesma língua leste-timorense, pesquisa questões de contato de línguas em Timor-Leste (especificamente o contato Bunaq, Kemak e Tetum Terik na região citada), e também estuda as relações históricas das línguas classificadas como pertencentes ao grupo Timor-Alor-Pantar, enfocando tanto nas relações genéticas destas línguas, assim como na descrição linguística delas.

Então, aos que se interessam, fica registrado mais este link.

Thursday, July 19, 2012

Cátedra Português - Língua Segunda e Estrangeira

O sítio da Cátedra Português - Língua Segunda e Estrangeira da Universidade Eduado Mondlane, em Moçambique, está em funcionamento e apresenta uma série de recursos como: materiais para aulas de Português Língua Segunda (PL2) e Português Língua Estrangeira (PLE); espaço para perguntas e tirar dúvidas sobre língua portuguersa; bibliografia sobre os estudos linguísticos das diferentes vaariedades da língua portuguesa.

Destaco aqui a seção que apresenta as referências bibliográficas sobre o português falado em Timor-Leste e a situação da língua portuguesa neste mesmo país. Segue o link para a página, que há uma série de artigos de minha autoria da pesquisa, ainda em andamento, que venho fazendo sobre o português de Timor-Leste (http://www.catedraportugues.uem.mz/?__target__=lista-bibliografia-timor-leste).


Friday, June 15, 2012

Morfossintaxe do Português de Timor-Leste

Saiu o artigo de minha autoria, intitulado Esboço morfossintático do português falado em Timor-Leste, na edição atual da revista Moderna Språk, volume 106, número 1, de 2012. Os links paras download são: http://ojs.ub.gu.se/ojs/index.php/modernasprak/article/view/1180/1020 ou https://www.academia.edu/2087714/Esboco_morfossintatico_do_portugues_falado_em_Timor-Leste.  

O artigo, conforme consta no próprio título, trata de um resultado preliminar das investigações sobre a variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste, que chamo apenas de Português de Timor-Leste, ou PTL.

Segue o resumo:

"O presente artigo procura apresentar evidências no nível morfossintático de que o português falado pelo povo leste-timorense trata-se de uma variedade dessa língua, chamada de Português de Timor-Leste (doravante PTL), assim como o Português Europeu (PE) e demais variedades já estudadas e que gozam de maior prestígio social, como o Português Brasileiro (PB), juntamente com outras variedades, como o Português de Moçambique (PM), Português de Angola (PA), e os crioulos de base lexical portuguesa. Para tanto, este trabalho, após a introdução, apresentará uma revisão crítica da bibliografia existente sobre os estudos linguísticos da língua portuguesa em Timor-Leste para depois analisar a morfossintaxe do PTL".


Monday, June 04, 2012

Elementos ecológicos e não ecológicos na gramática Tetun

Já estão disponíveis, em http://www.ecolinguistica.com.br/, alguns resumos do I Encontro Brasileiro de Ecolinguística. Em breve, colocaremos todos resumos e a programação, com data, horários e locais do evento. 

O resumo de minha comunicação, intitulada O sistema linguístico como sistema ecológico: um estudo da gramática Tetun (Timor-Leste), já se encontra no link citado acima. Neste trabalho apontarei traços linguísticos ecológicos e não ecológicos presentes na gramática tetumófona, identificando também a origem dos elementos não ecológicos, e a gramática como um sistema de memória, com resquícios de estágios e elementos ecológicos anteriores, e de adaptação ao meio ambiente.

Segue o resumo:

"A presente comunicação tem o objetivo de apontar elementos ecológicos e não ecológicos no sistema linguístico, considerado aqui como a gramática, no Tetun Prasa. A língua Tetun, dividida em duas variedades principais, a saber: o Tetun Prasa e o Tetun Terik, é uma língua de origem austronésia, a variedade Tetun Prasa possui o status de língua franca, e é língua oficial da República Democrática de Timor-Leste, juntamente com a língua portuguesa. Na teoria ecolinguística vem se discutindo até que ponto o meio ambiente influencia na formação de certos elementos do sistema linguístico. Assim, neste trabalho, primeiramente, será analisada uma série de elementos do sistema linguístico do Tetun que são considerados não ecológicos, como: a separação agente-paciente; a categorização de processos naturais como processos ou coisas; os contrastes, geralmente expressos pela classe dos nomes; causalidade, que pressupõe superioridade; o surgimento de palavras e expressões temporais; o sistema tempo-aspecto-modo; os sistemas pronominais, principalmente pronomes pessoais e pronomes possessivos; separações léxico-semânticas entre processos [+ humano] e [+ animado] dos processos [- humano] e [- animado]. Posteriormente, serão descritos os processos de mudança linguística que desenvolveram os sistemas ecológicos e não ecológicos da língua, argumentando que o meio ambiente teve um fator central nesse desenvolvimento, considerado aqui como uma adaptação linguística às modificações ocorridas no ecossistema".


  

Saturday, May 12, 2012

Sobre o bairro Tuana Laran - Dili

Fiquei de compartilhar este último post do blogue Direto de Timor-Leste que traz diversas informações sobre o bairro Tuana Laran, que fica na capital de Timor-Leste, Dili, onde residem vários professores brasileiros. Abaixo reproduzo a postagem intitulada Tuana Laran, que pode ser conferida no original no seguinte link:http://timorlorosaeceara.blogspot.com.br/2010/11/tuana-laran.html, como mais uma fonte de informação aos leitores deste blogue, assim como para não esquecer também do período que residi junto com demais professores, e também fazer uma homenagem ao colega, Prof. Cesar:

Tuana Laran


Há 2 anos resido no Bairro de Tuana Laran em Dili, Timor-Leste. Aproximando-se a chegada de minha partida deste país, resolvi escrever a cerca da origem do nome do lugar.

A primeira visão que se tem de Díli, quando se chega ao Aeroporto Internacional Nicolau Lobato, é de uma densa floresta de palmeiras que cercam toda a pista de pouso e decolagem do Aeroporto.

Em todo o Timor-Leste podemos encontrar dois tipos de palmeiras, a Tali metan (Corypha utan) e a Tuaqueira (Arenga pinnata). Tratam-se de árvores que podem chegar a 20 metros de altura e que possuem folhas de 5 a 7 metros de envergadura.

As fibras destas palmeiras são utilizadas na cobertura das casas tradicionais timorenses e sendo bastante resistente à água do mar também eram utilizadas pelos navegadores portugueses na fabricação de cordas usadas nos barcos.

Ainda é aproveitado da tali metan a seiva, que é conhecida como tuaca. Os timorenses dão um golpe na copa da palmeira, o que faz sair a seiva. Trata-se de um líquido esbranquiçado, doce e com um leve teor alcoólico, que pode chegar a 5%, mesmo sem processo de fermentação.

Depois que a copa das palmeiras é "golpeada", constrói-se um "sistema de canalização" utilizando canas de bambu, por onde a seiva corre para dentro de garrafas plásticas de 1,5 litro ou para garrafões de 5 litros.  Durante todo um dia, a seiva escorre para os recipientes.


Extração da tuaca utilizando-se bambus, no distrito de Dare.
(Fonte: Augusto Lança)
Depois que a tuaca é recolhida, esta deve ser bebida até ao dia seguinte por causa da fermentação que lhe dá o teor alcoólico, e faz com ela estrague muito rapidamente.  A tuaca também é conhecida como tua mutin (vinho branco) e é considerado a bebida nacional de Timor-Leste.

Destilando-se a tuaca, obtém-se ainda o tua sabu, uma espécie de aguardente. Por acidificação acética a tuaca transforma-se em tua sin, uma espécie de vinagre. À partir da tuaca ainda se obtém o açúcar de palma, muito consumido em todo o sudeste asiático.


Sabu significa em língua mambai, bruxa ou bruxaria. A designação da bebida foi dada pelos antigos timorenses, que acreditavam que o corpo de uma pessoa que consumia uma grande quantidade de tua sabu, era apoderado por uma espécie de bruxaria e por isso saía a fazer atos sem dominar completamente os sentidos.


Tuaca em garrafas plásticas

Atualmente em vários distritos timorenses, centenas de famílias sobrevivem exclusivamente da produção do tua mutin e do tua sabu. Algumas destilarias timorenses ainda produzem álcool etílico, à partir da tali metan.
Voltando à origem do nome do bairro Tuana Laran, tuana, vem de tua, que em língua tétum significa vinho ou bebida alcoólica. Já laran, significa em tétum, "interior".  O nome do lugar, deve-se então a grande presença das palmeiras tali metan e tuaqueira em todo o bairro.

Wednesday, May 09, 2012

Lord of the Lands, Lord of the Seas

O livro intitulado Lord of the Lands, Lord of the Seas, de autoria de Hans Hägerdal, acabou de ser lançado pela KITLV Press e está disponível para download no link: http://www.kitlv.nl/book/show/1313. Este post foi uma dica do blogue Raiketak (http://raiketak.wordpress.com/2012/04/14/lords-of-the-land-lords-of-the-sea/), que apresenta alguns comentários sobre o livro.

Segue o resumo do livro (em inglês):


"European traders and soldiers established a foothold on Timor in the course of the seventeenth century, motivated by the quest for the commercially vital sandalwood and the intense competition between the Dutch and the Portuguese. Lords of the land, lords of the sea focuses on two centuries of contacts between the indigenous polities on Timor and the early colonials, and covers the period 1600-1800. In contrast with most previous studies, the book treats Timor as a historical region in its own right, using a wide array of Dutch, Portuguese and other original sources, which are compared with the comprehensive corpus of oral tradition recorded on the island. From this rich material, a lively picture emerges of life and death in early Timorese society, the forms of trade, slavery, warfare, alliances, social life, and so forth. The investigation demonstrates that the European groups, although having a role as ordering political forces, were only part of the political landscape of Timor. They relied on alliances where the distinction between ally and vassal was moot, and led to frequent conflicts and uprisings. During a slow and complicated process, the often turbulent political conditions involving Europeans, Eurasians, and Timorese polities, paved the way for the later division of Timor into two spheres of roughly equal size."

Esta obra procura analisar fontes históricas documentais, juntamente com fontes da história oral nativa para alcançar conclusões mais acuradas sobre os sistemas político-sociais que estavam implantados na ilha de Timor antes da colonização europeia, assim como o impacto da colonização Portuguesa e Holandesa, e as modificações que os sistemas nativos sofreram. 

Ainda, estou fazendo a leitura do livro (estou no segundo capítulo) e em breve farei uma resenha completa deste livro, assim como sua pertinência para os estudos linguísticos.

  

Monday, May 07, 2012

A vida em Timor-Leste e o 'toké'

Trago outro post do blogue do Prof. Cesar Direto de Timor-Leste, o post é intitulado Adivinha quem veio para o almoço (que está disponível originalmente no link: http://timorlorosaeceara.blogspot.com.br/2010/07/advinha-quem-veio-para-o-almoco.html, aqui simplesmente reproduzo as informações contidas no original citado). Neste, o autor fala da realidade vivida por estrangeiros residentes em Timor-Leste: a fauna local que constantemente entra em contato conosco em locais residencias, em outras palavras, ''toké'' dentro da nossa casa! Aqui Prof. Cesar encara este fato com bom humor:  


Após um longo período sem postar, devido exclusivamente  a falta de tempo,  hoje (04/07/2010) estou reativando meu blog e nada melhor do que falar de um dos animais símbolos do país o Tokê (Gecko verticillatus).

Tokê
Foto: (Tokay Gecko Morphs 2008)

Segundo o dicionário de Luís Costa, Maio 2000, citado por "sitiodosolnascente.blogspot.com",o Tokê, Tokay Gecko ou ainda Toko é “um lagarto cuja voz emita esta palavra”. A espécie consegue emitir esse som característico, devido a uma modificação em seu aparelho nasal (carece de referência). 

Segundo os habitantes mais antigos da Ilha de Timor Leste, o Tokê repete o som "To Kê" até um número de vezes que indica que horas são. Certo é que eu contei e esse número não passou de 8 vezes.

O animal pode chegar a 30 cm de comprimento, tem hábitos noturnos e é insetívoro. Habita toda a Ilha de Timor Leste (carece de referência), e ainda é encontrado no nordeste da Índia e Bangladesh, Birmânia, Tailândia, sul da China, Malásia, arquipélago da Malásia, Indonésia, Filipinas, arquipélago de Sulu e Austrália (Seufer Hermann 1995). Esta espécie foi também introduzida a Florida, Hawaii, Martinica e Belize e é considerada uma espécie invasora. 

Na Tailândia são considerados precursores de sorte, fortuna e fertilidade e e lá e em várias partes do mundo, esses animais são criados como animais de estimaçãoÉ ainda utilizado na medicina chinesa como remédio. O corpo após a evisceração é esticado e preso e colocado para secar, então todo o corpo do animal é utilizado na tradicional medicina chinesa, mas a cauda é utilizada particularmente no tratamento da tuberculose (Zhao & Adler, 1993).

Uso do Tokê na tradicional medicina chinesa
Foto: (Museu de Biodiversidade Raffles)



A Timor Telecom (TT), única empresa de telefonia em Timor-Leste, em homenagem ao lagarto, resolveu denominar seus cartões de recarga de celulares pré-pagos de TOKE, numa alusão ao animal símbolo de Timor Leste.

Tokê Granito Azul e Laranja
Foto: (Ingo Kober)

Acontece que hoje na hora do almoço, um desses animais resolveu visitar minha cozinha. O exemplar tinha por volta de 25cm e era muito agressivo.



Este veio para o Almoço

Ao tentar expulsá-lo com uma vassoura, ele atacou e emitiu o seu som característico. Após várias tentativas e muitos outros ataques, finalmente consegui colocá-lo em uma caixa de papelão e transportá-lo para fora de casa.

Desceu da parede e ainda fez pose para a foto!

Passada minha primeira aventura do dia, foi a hora de preparar o almoço, e hoje foi especial, preparei Strogonoff, não de Tokê, mas de Frango! 

Um abraço a todos e até a próxima.

Referências:
sitiodosolnascente.blogspot.com
www.gekkonids.info
http://snakesnadders.tripod.com/id15.html

Wednesday, May 02, 2012

O Português de Timor-Leste - projeto de doutorado

Meu pré-projeto de doutorado (ou doutoramento) intitulado O português de Timor-Leste: uma abordagem ecolinguística foi aprovado, neste ano de 2012, no Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) da Universidade de Brasília (UnB).

Este projeto está programado para ser desenvolvido durante o período de 2012-2015 cujo produto final será a tese homônima, que apresentará uma análise ecolinguística da língua portuguesa em Timor-Leste. Esta análise já vem sido desenvolvida por mim desde o ano passado, conforme os leitores do blogue podem ler nos posts anteriores. A análise presente na tese, que já está na fase de elaboração dos capítulos iniciais, procurará ser exaustiva, descrevendo tanto a variedade da língua portuguesa falada em Timor-Leste, que chamo de Português de Timor-Leste (PTL), quanto a situação social, política e educacional da língua portuguesa em Timor-Leste. 

Ainda, no decorrer destes anos programados para a elaboração da pesquisa, publicarei em formato de artigos, capítulos de livro e comunicações os resultados preliminares das investigações feitas por mim. Segue, abaixo, o resumo provisório da tese (qualquer comentário, sugestões ou dúvidas dos interessados é só me contatar via e-mail): 

"A língua portuguesa é a língua oficial da República Democrática de Timor-Leste, juntamente com a língua Tétum, desde sua constituição de 2002. Porém, a influência lusófona na ilha de Timor data do ano de 1515, período em que os colonizadores portugueses chegaram pela primeira vez na ilha. Atualmente, sendo falada por cerca de 5% da população, aproximadamente 55.000 pessoas, a língua portuguesa é ensinada em todos os níveis da educação formal leste-timorense, mas se encontra ameaçada por questões de natureza política, econômica e ideológica. A presente tese pretende realizar um estudo da variedade do português falado em Timor-Leste (doravante PTL) para poder preservá-la, valorizá-la e descrever seus aspectos linguísticos mais notórios. Para tanto, será feito uso da teoria ecolinguística e seus diferentes métodos de análise, que contemplam diversas subáreas linguísticas e extralinguísticas, para que seja possível descrever o fenômeno da presença da língua portuguesa em Timor de maneira mais acurada. Assim, após a introdução, que se encontra no capítulo 1, serão discutidos aspectos da metodologia ecolinguística, no capítulo 2. No capítulo 3, será feita uma revisão bibliográfica crítica dos temas abordados nesta tese, a língua portuguesa em Timor-Leste e a ecolinguística, enfatizando a escassez de bibliografia sobre o PTL e as divergências teóricas na ecolinguística. No capítulo 4 será descrita a comunidade de fala leste-timorense antes e depois do impacto da colonização europeia, seguido pela análise de quais impactos foram esses, no capítulo 5, principalmente nas questões linguísticas. O PTL será descrito no capítulo 6, diferenciando-se as estruturas que surgiram pelo contato com as línguas nativas e do contato com crioulos portugueses asiáticos, assim como estruturas lusófonas que sofreram mudanças pelo isolamento em Timor-Leste. Finalmente, o capítulo 7 apresentará uma análise e proposta de tipos ecolinguísticos que buscarão delimitar as situações em que o PTL é usado, como é usado e por quais falantes leste-timorenses, sendo este capítulo seguido pelas conclusões desta tese, no capítulo 8."

  

Saturday, April 28, 2012

Minha dissertação sobre o Tetun Prasa

Recentemente, alguns colegas linguistas se interessaram por minha dissertação de mestrado que foi defendida no ano passado, em 2011, no âmbito do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) da Universidade de Brasília (UnB).

O repositório digital de teses e dissertações da UnB possui um link para minha dissertação, que compartilho com os interessados:

Ainda, esta é uma versão prévia de uma gramática do Tetun Prasa. Porém, estou em fase de terminar uma versão revisada e estendida desta gramática para ser publicada possivelmente no próximo ano, em 2013.

Segue um resumo:

"A língua Tetun, em sua variedade Tetun Prasa, é a língua oficial da República Democrática de Timor-Leste, desde a constituição de 2002, juntamente com a língua portuguesa. Timor-Leste, em um pequeno território, possui cerca de 16 línguas pertencentes a filiações genéticas diferentes. Desta maneira, há evidências de que a variedade Tetun Prasa já funcionava como língua franca de Timor em um período anterior à chegada dos portugueses, por volta do ano 1515. A presente dissertação objetiva elaborar um esboço de gramática do Tetun Prasa. Para tanto, discorre sobre a história da ilha; analisa os contatos linguísticos, a situação atual de multilinguismo e as contribuições anteriores de estudiosos a respeito da língua Tetun; aponta aspectos notáveis do léxico tetumófono; procura fazer uma proposta de análise fonológica da língua para servir de base à descrição morfossintática e, finalmente, descreve a morfologia e a sintaxe desta variedade do Tetun."

Monday, March 12, 2012

I Encontro Brasileiro de Ecolinguística

No sítio divulgado anteriormente, sobre ecolinguística (http://www.ecolinguistica.com.br/), já está disponível a divulgação, a chamada de trabalhos e o link para inscrições no I Encontro Brasileiro de Ecolinguística, na Universidade de Brasília.

Segue a divulgação presente no sítio:

Temos o prazer de informar que, nos dias 6 a 7 de julho de 2012, terá lugar o I Encontro Brasileiro de Ecolinguística, na Universidade de Brasília. As contribuições podem ser nas áreas de Teoria Ecolinguística, Ecolinguística Crítica, Ecologia das Línguas, Ecologia do Contato de Línguas, Ecolinguística e Etnociências, Ecolinguística e Ensino de Línguas, a questão da metodologia na Ecolinguística, entre outros estudos de áreas conexas que contemplem a relação entre língua e meio ambiente.

Nosso sítio de ecolinguística

É com grande prazer que venho divulgar o sítio de ecolinguística que eu e o grande amigo Gilberto gerenciaremos de agora em diante, juntamente com uma equipe técnica de primeira que está nos apoiando. 

O endereço da página é http://www.ecolinguistica.com.br/ e também pode ser acessada em nossa barra de links à direita. 

O sítio como está apenas começando está fazendo apenas a divulgação do I Encontro Brasileiro de Ecolinguística que será realizado este ano em Brasília, na UnB, nos dia 6 e 7 de Julho.

Aguardo a visita de vocês, assim como suas sugestões...

Wednesday, February 08, 2012

Sobre a nova ortografia da língua portuguesa


Neste post, faço um intervalo, apenas em certa forma, sobre questões linguísticas específicas de Timor-Leste para comentar a respeito de um problema comum a toda lusofonia, que é o novo acordo ortográfico. 

O novo acordo ortográfico vem causando polêmicas, discussões e já gerou um grande número de publicações, sendo os principais nas formas de artigos e livros, principalmente no Brasil e em Portugal. Venho neste post somente copiar o link para o texto de Vasco Graça Moura, intitulado Intimação ao Professor Malaca, no Diário de Notícias - Opinião,
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=2290678&seccao=Vasco&page=-1

Neste texto, publicado hoje (08 de fevereiro de 2012), até o momento já gerou 94 cometários, sendo alguns muito interessantes. O diferencial do texto de Moura é que ele apresenta uma outra face para discussão do tema, que consiste nas abordagens legal e política, que muitos profissionais da área de letras em geral (sejam eles professores, gramáticos, literatos ou linguistas) ingenuamente vêm deixando de lado em suas discussões e publicações. 

A maioria das análises sobre o tema consiste em análises linguísticas, ou seja, encaram o objeto de estudo somente internamente, por ele mesmo, deixando fora elementos externos (não linguísticos). Considero ingenuidade, que o texto de Vasco não comente, pois ao se analisar diversas questões linguísticas atuais, há uma série de emaranhados políticos, sociais, legais etc. que muitos profissionais vêm se aproveitando e tentam vender certas 'ideias' (como se fossem produtos) e muitos acabam caindo na 'lábia dos vendedores'. 

Eu como pesquisador e professor universitário forçadamente tive que escrever seguindo o novo acordo, pois uma série de artigos que enviei para ser publicados, utilizando a ortografia 'antiga', seriam aceitos somente caso eu os revisasse segundo a nova ortografia.

Então, fica aqui registrado um breve comentário meu, contra a nova ortografia, porém consciente de que é um fenômeno político imposto a grande população lusófona e que, dependendo da situação, temos que aceitar, no entanto devemos estar conscientes também que tais 'novidades' não são nada mais que golpes políticos, editoriais e mercadológicos para pequenos grupos se aproveitarem ainda mais da população.

Seguem alguns comentários pertinentes (dentre os 94) retirados do link citado acima (digo pertinentes, pois também há uma série de discussões, xingamentos, ironias e afirmações preconceituosas, de natureza xenofóbica e racista, logo selecionei a nata dos comentários):

"Uma língua evoui naturalmente. O "Acordo Ortográfico do Malaca" é o exemplo eloquente de um "retrocesso" e da destruição de uma língua. Se ninguém o aplicar na prática o senhor Malaca fica a falar e a escrever sozinho. Mas pelo menos fica em concordância com ele próprio".


"VGM tem ,quanto a mim ,TODA a razão para não aplicar o AO:a "sua aprovação" não seguiu os trâmites normais para o Acordo :portanto,foi imposto " à má fila"! Também não podem existir as ditas conversões automáticas nos meios informáticos - o acordo não é uniforme nas suas regras! É só mais um problema a resolver vindo de 2010/2011".


"É fundamental que seja dito que a ortografia não tem que ver com fonética, mas sim com cultura: é um repositório da História de uma língua e da sua relação com outras línguas. Para a fonética, temos o alfabeto fonético internacional. É interessante ver que as línguas de países em que cuidam dos seus valores culturais, como a França e os de língua inglesa, têm uma ortografia que tem muito pouco a ver com fonética, e não é por isso que o inglês deixa de ser a língua dominante a nível mundial. E também não tem nada que ver com a evolução de uma língua, como se vê por esses exemplos. A imposição à pressa em Portugal da miserável grafia do miserável AO é mais um acto de prepotência de um governo (do miserável Sócrates) sem valores e sem cultura".

Sunday, February 05, 2012

Meu cadastro no 'Language and Ecology'

O sítio http://www.ecoling.net/index.html, portal elaborado pelo Prof. Arran Stibbe, abriga uma série de informações sobre ecolinguística, entre elas: The Ecolinguistics List (lista onde os vários pesquisadores da ecolinguística podem propor divulgações e discussões), o periódico Language & Ecology (periódico on-line, desde de 2002, que conta com uma série de artigos sobre ecolinguística) e um repositório bibliográfico e dos pesquisadores da área.

Recentemente, o blogue East Timor Linguistics: state of the art foi divulgado lá, assim como minha pesquisa atual de ecolinguística de Timor-Leste, que pode ser visto em http://www.ecoling.net/research.html#anchor_165.

Ainda, fui aceito como membro do corpo editorial da revista Language & Ecology (http://www.ecoling.net/board.html), que pode ser acessada em http://www.ecoling.net/journal.html. Assim, convido os leitores deste blogue a submeterem artigos na área de ecolinguística ao periódico e estes trabalhos podem ser escritos em português.