Sunday, February 23, 2014

Fonética e fonologia do Manbae

Em março de 2013, Helem Andressa de Oliveira Fogaça defendeu sua dissertação de mestrado no PPGL - UnB (Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade de Brasília) intitulada Estudo fonético e fonológico do Mambae de Same. Uma língua de Timor-Leste, que pode ser lida e descarregada no seguinte link: http://repositorio.unb.br/bitstream/10482/12959/1/2013_HelemAndressaOliveiraFogaca.pdf.

Seguem o resumo e o abstract:

ResumoA presente pesquisa é um estudo descritivo da fonética e fonologia da língua Mambae - uma das 16 línguas de Timor-Leste, reconhecidas como patrimônio cultural daquela nação. Para este fim, coletou-se dados linguísticos do Mambae através de gravações realizadas com dois informantes timorenses, falantes de Mambae do sub-distrito de Same, distrito de Manufahi, litoral sul do país, que estavam no Brasil por um curto período. Realizou-se a transcrição fonética e, a partir desta, a análise fonológica dos dados da língua, por meio de contrastes dos sons identificados, a distribuição dos sons e fonemas, a formação das sílabas e palavras, bem como os processos fonológicos presentes na língua Mambae. 

AbstractThis research is a descriptive study of phonetics and phonology of the Mambae language, one of the 16 languages of East Timor, recognized as a cultural heritage of that nation. For this, data was collected from two Timorese language informants, speakers of Mambae from the Same sub-district, the Manufahi district, on the southern coast of the country, who were in Brazil for a short period. A phonetic transcription was done and, from this, the phonological analysis of the language data through contrasts of recognized sounds of Mambae language and of the distribution of alophones and phonemes; it identified the formation of syllables and words, as well as phonological processes in the Mambae language.

Esta dissertação destaca-se por diversos fatores: um dos únicos estudos linguísticos atuais dedicados à língua Manbae, a análise da fonologia da língua muito bem elaborada e a revisão bibliográfica feita pela autora. 

Devo acrescentar somente um ponto para estimular um possível debate acadêmico em relação ao acento em Manbae. Hull (2003) considera o acento em Manbae irregular, o que é errado, já que a autora, Helem Andressa de Oliveira Fogaça, considera corretamente o padrão de troqueu mórico, segundo a fonologia métrica, que basicamente consiste em um sistema de acentuação sensível ao peso silábico. Tal análise está em acordo com  a proposta que elaborei em Albuquerque (no prelo). O troqueu mórico como mostrei neste trabalho (Albuquerque, no prelo) é um padrão de acentuação comum em algumas línguas de Timor-Leste de origem austronésia, como o Manbae, o Galolen, entre outras. 

Ainda, sobre a variação fonética do Mambae, não contemplada na dissertação, o leitor poderá encontrar algumas informações preliminares em um trabalho de minha autoria (Albuquerque 2013), em que discorro sobre o contato de línguas e sua influência na língua Manbae.

Referências: 

ALBUQUERQUE, Davi B. Ecologia dos contatos linguísticos em Manbae, Timor-Leste. In: COUTO, Elza K. N.; ALBUQUERQUE, Davi B.; ARAUJO, Gilberto P. (orgs.). Da fonologia à ecolinguística. Ensaios em homenagem a Hildo Honório do Couto. Brasília: Thesaurus, 2013. p. 251-283. (Disponível para a leitura em: http://easttimorlinguistics.blogspot.com.br/2013/07/ecologia-dos-contatos-linguisticos-em.html)

_____. Restrições métricas da língua tetun no português falado em timor-leste: o acento e a variação. In: MAGALHÃES, José S. Linguística in Focus, Vol. 7. UFU: Uberlândia, no prelo. 

HULL, G. Southern Mambai. Díli: Instituto Nacional de Linguística, 2003. 
  

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